quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Sem dor ou crime.


É engraçado te esquecer. Vou perdendo pedaços seus todos os dias e de repente, quando me dou conta, choro um pouco pela constatação de que é isso mesmo, a gente nunca mais vai sorrir ao pensar no outro. Choro um pouco por você não existir. Choro porque o ano virou e a gente foi só mais um casal que não dava mais certo mas ninguém tinha coragem de admitir . E de repente dou risada, por lembrar que eu também não existo mais. Te perdoo muito, pela falta de cuidado e consideração. Percebo que se eu não passasse por tantos momentos de tristeza absurda ao não poder ao menos saber que as coisas valeram a pena pra você, e que sim, em algum momento estar comigo era o havia de mais especial no mundo, talvez se eu não tivesse visto por todos os lados que eu ainda sou a mesma que dá risada alta e conta histórias, teria sido insuportável.
Houveram dias em que eu achei que não fosse conseguir, que ia aparecer pra você, maluca, descompensada, de cima de alguma ponte ou janela. Mas eu estive sóbria, por mim e pela certeza de que eu cheguei e trouxe o sol.
As pessoas pensaram que eu havia enlouquecido e te ferido, afinal um cara tão bom, não faria dessa forma por uma paixão. Não, eu fui honesta o tempo todo. E por muitas vezes quis escrever isso em letras garrafais numa blusa e espalhar pela cidade: ''eu não traí ninguém, ele escolheu assim.''
Eu já tive umas três crises de ansiedade pensando em você. Loucura. Era aonde as crises de ansiedade não viam espaço e eu tinha certeza que alguém estaria ali.
Foi então que me toquei, eu também estava lá quando colocava a cabeça no teu peito com medo da vida. Eu estive dentro de mim todas as vezes que você me olhou meio frio porque eu gostava de algo que você não entendia. Estive comigo todas as que a gente foi muito feliz também, em que você chegava animado e queria até falar.
Não te odeio não, tampouco odeio ela, que nem conheço e talvez nem saiba quem eu sou.
Não vou te esquecer tão cedo, é o que eu acho, mas se no primeiro mês eu não conseguia pensar sem que a sua imagem invadisse tudo, hoje você aparece duas ou três vezes por dia quando eu me lembro de algo bom ou imagino o que aquele menino que chegou sozinho no bar acharia disso tudo.
Tenho dias muito felizes e nem sempre preciso sair de casa para isso. Não precisei ir para festas para tentar fugir de você, muitas vezes você ia comigo, mas tudo bem, eu te deixava sentado enquanto eu dançava e conversava com muita gente, como tantas vezes aconteceu de verdade.
E era ali que me lembrava que tudo bem você querer alguém mais parecido com seu mundo, o meu está aqui e tenho certeza que muita gente ainda vai entrar e sair dele.
Mas no meu mundo tem muito eu. E todo dia eu descubro um cantinho dele que me faz lembrar com carinho de cada vez que eu desci no mais fundo dos meus medos e voltei. Muitas vezes com você do lado, mas sempre comigo. E tem coisa mais bonita que a gente estar lá pela gente?
Tem dias em que eu penso em como seria bom me apaixonar de novo, mas aí lembro que vou ter que deixar alguém conhecer cada esquina desse universo pra no final, talvez, descobrir que esse carnaval tem algumas quartas-feiras de cinzas pesadas demais.
Não espero mais nada de alguém que não esteve comigo a cada dia desses tantos que passaram desde que escorreguei do ventre de minha mãe. Não peço mais desculpas por sentir mais intensamente que a maioria das pessoas. Encontrei um propósito de vida, não é lindo?
Cada eu que digo é outro. E esse eu acredita muito no amor e nos momentos lindos que a gente quase consegue tocar no amor, mas também acredito no amor que não precisa inventar verdades impossíveis, alargar peneiras, se anular ou ficar de bode. O melhor ou nada.
Dessa vez o sol chegou e me mostrou pra mim.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Eu acho lindo


Eu falo tudo. Tudo que sinto, que quero, que acho. Você também. Você nunca me disse frases feitas e melodramáticas, mas você enfrentou a maior chuva do mundo comigo. Aqui dentro. Eu te contei tudo, o que ele fez, o que eu senti, o que eu sinto, te conto quando choro, te conto e peço desculpas. Você me diz que sabe que eu preciso falar e não se importa e eu acho isso lindo.. A gente conversou por horas antes de beijar e você sabia que era a primeira vez que eu beijava outro alguém depois de 4 anos, você segurou nas minhas mãos e perguntou ''tá estranho pra você?". E eu achei lindo. Você abriu pra mim a janela de que eu posso ser desejada de novo, que eu posso ser feliz de novo. Eu tinha medo de despertar o prazer de outro homem e morrer de chorar, mas te conto isso e você coloca a mão no meu rosto e diz que ''tudo bem, sexo é intimidade mesmo, tem que ser natural, fácil e bom.''
A gente vivia a mesma coisa quando se encontrou - ou se confirmou - e você é talvez a pessoa mais sincera que já cruzou meu caminho. Alguém passa carregando um cachorro e você olha pra mim e a gente começa a rir e bola um plano maluco de roubar ele pra gente.
Você não parece com os caras que eu dizia que fazem o meu tipo. Mas você decora um tempo de mudança na minha vida. A gente fica 20 minutos falando do Neymar e de repente fala de religião, de família, de desejo. Você dá faz piada porque eu assisto novela de criança e eu te conto que tenho sua foto de óculos salva porque eu estou numa fase ''homens de óculos''. Você me lembra a torneira que é minha melhor amiga e eu acho isso lindo.  
A gente não se apaixonou mas eu todo dia acordo com seu ''bom dia'' e no dia que você sumiu eu pensei mil coisas mas você deu um jeito de aparecer pro meu mundo.
Você não fala mal dele e eu acho isso lindo pois sabe seu lugar de quem não precisa. Você da muita risada quando eu faço a piada do baile, onde digo que ele disse pra outra menina que não podia terminar comigo antes porque eu já tinha arrumado vestido pra ir. Foi duro, está sendo, eu choro quase todos os dias. Mas saber que você existe e que pelo mundo ainda existem caras como você me dá coisa boa no peito. Você se importa e nesse momento, isso é tudo. Você diz que fui sortuda por ela ter curtido a minha foto sem querer e depois ter visto os dois inesperadamente fazendo o quebra-cabeça se encaixar e saber o motivo real. E eu pensei sobre isso, foi sorte mesmo. Eu ficaria tentando tocar o coração dele por muito tempo.
Você conhece mais de 10 países mas para pra me ouvir falar meia hora da minha viagem e de tudo que amei no Rio.
Eu já dei umas boas surtadas de que a culpa foi minha e você, sem me mimar ou falar mal dele me disse com os olhos calmos ''gatinha, as pessoas mudam. Não tem nada de errado com você. Você tentou e isso é ótimo." . E eu enxerguei a verdade pela primeira vez. Eu não fui nada, mas tudo bem. Você meio curioso me disse que tinha certeza que ele ia me procurar porque 4 anos são uma vida e eu te disse que ele nunca mais ia falar comigo e você disse que sentia muito que tivesse sido assim. Eu achei lindo porque alguns caras iam fingir que ficariam felizes como quem diz ''não vou te perder'' sem nem saber se me queriam. Você sabe que não sou sua e quer que eu seja minha. Diz pra eu me divertir e me encontrar. Eu só posso achar lindo.
No dia do meu aniversário os meus amigos pareciam seus amigos e você me pergunta deles, , tentando lembrar os nomes e eu achando tudo lindo. Você faz a piada do menino do galo e do mendigo, pega meu rosto, me beija e eu penso que você chegou porque eu merecia. Você me levou pra tomar sorvete no meu aniversário. Você não finge ser bonzinho, diz que tá cansado e hoje não vai rolar, não tem babado mas não é preto no branco. Você me mostra consideração comigo como gente e isso é lindo. Não existe pessoa certa, nem hora certa. Nós não somos o amor um da vida do outro, eu acho, mas você já ganhou um texto depois de tudo que me aconteceu. Você tem cheiro de página em branco. A gente se conheceu, você me trás de volta pra mim cada dia um pouquinho, eu posso contar com você e eu acho isso lindo. 



segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Vinte e quatro

Depois de tantas buscas, encontros, desencontros, acho que achei meu caminho. Quero ser alguém melhor hoje, deitar a cabeça no travesseiro toda noite sabendo que dei meu melhor pra quem estava por perto, que se tudo acabasse pra mim hoje, eu deixaria mais memórias felizes do que mágoas. Dormir com a certeza de que não coloquei os meus desejos na frente dos sentimentos de alguém. Ainda que vez ou outra, eu seja rude e grite, tentar ser melhor para o próximo a cada passo. Sendo assim melhor pra mim. Mesmo que existam tristezas que não cicatrizaram, padrões que eu ainda não soube transformar, amanhã é um novo dia.
Em menos de um mês, a vida me chacoalhou pra todos os lados. Perdi o rumo, o brilho, as certezas e mais do que tudo: a pouca fé que tinha em mim. Tanto que esqueci de me querer.
Eu tinha algumas certezas na vida, que ele estaria lá, independente de qual papel, era uma delas. Não era pra colocar tudo nele, eu me dizia. Mas não me ouvi. Paguei por isso. Morri um pouco, temi não acreditar nunca mais no amor, mas já acredito.
Eu tive todos os medos do mundo a vida toda. Medo de ser pouco, de ser muito, de ser louca, de ser má, de ser só. Agora eu só quero ser eu e deixar as boas lembranças na vida de cada um que cruzar meu caminho. Vivo por isso.
Ninguém é vítima por ser inteiro, ser verdadeiro e querer amar.
Eu não preciso ter o melhor emprego, terminar a faculdade, viajar o mundo, ser normal, não ter pensamentos ruins, só é preciso tocar cada coração e melhorar para uma pessoa, que seja, o fardo da vida. Eu sou o meu próprio lar e esse lar tem muita coisa boa pra quem o visita.
Estou sozinha e me sinto amada como nunca me senti, porque houveram pessoas maravilhosas que me seguraram os ombros, olharam nos meus olhos e disseram: ''você esteve ao meu lado quando eu mais precisei", "você fez de tudo pra melhorar o meu sofrimento". E esses 24 anos valeram a pena por isso, por cada segundinho que esse coração tocou outro coração. E tem muita gente do meu lado que é feita de amor e alegria. Que segura na mão, nos ombros, que diz que tô fazendo merda mas que abre a boca por se importar e fica do lado pra ver que aprendi ou se eu cair, me levantar.
E é por isso que a nova tatuagem na alma diz, que nesse recomeço, onde houver ódio que eu leve o amor.
Tenho incontáveis defeitos, mas me importo e isso conta muito.
Talvez não dê pra rodar o mundo, casar num lugar aberto, ter um banheiro lindo, pegar o canudo, ganhar um premio, mas nesse novo ano que começa hoje em minha vida, acordo pedindo a Deus todo dia: Onde houver desespero, que eu leve a esperança, onde houver tristeza, que eu leve alegria. E isso basta.
Basta pois quando a vida dá essas rasteiras, olhar pro lado e encontrar tanta gente incrível, me emprestando o ombro, o sorriso, a cama, o coração não faz a gente achar que o amor é possível, faz a gente ter certeza e enquanto tiver isso, nada derruba.


Feliz recomeço! Feliz novo eu!
Manda avisar que esse daqui tem MUITO mais amor pra dar.





quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Esse texto não tem fim.


De repente, você se junta a todos os outros caras para quem eu já escrevi nesse blog. A diferença é que todos eles, eu sabia que iam parar aqui pela dor. De repente, eu não sou nada mais do que uma lembrança de longe. 
Esse texto nasceu muito antes do nosso fim, eu não sou maluca, percebi teus sinais, sei que tive muitos erros também, não pense que não, mas quis me enganar, era amor para mim. Ainda é, porque eu sou assim, eu sou de verdade. Uma vez gostei de um cara sozinha, ele me achava bacana, tínhamos muita química mas ele não gostava de mim como eu dele, eu tentei por sei lá quanto tempo e um dia, numa mesa de bar ao lado dele, eu jurei para mim que jamais ia fazer isso de novo. E agora eu fiz. Eu estava lá sozinha mais uma vez, tendo vontade de segurar seu rosto e dizer ''olha, eu ainda estou aqui, converse comigo, não vamos deixar tudo isso afundar no mar de silêncios, jamais me perca e seja feliz." A mais de um ano eu também escrevi aqui que não tinha mais certeza do nosso futuro, mas eu fiquei ali. É verdade, temos mais de um milhão de diferenças, muitas delas que ainda não conhecemos. Eu aceito e reconheço isso.
Porém de um lado era "Te amo!" e o teu foi "eu não me senti mais a pessoa que poderia fazer isso por você." Amor não é sobre fazer algo por alguém o tempo todo e quando olho para trás vejo que é nisso que você acreditava - e nisso que acredita - por isso quando decidiu que não queria mais fazer nada, foi tão fácil me jogar pra fora. A falta de conversa me impediu de te dizer que poderíamos seguir o caminho do meio, teria te poupado muita preguiça de mim. Agora eu não preciso mais fazer nada do que não quero, você deve ter pensado. Agora me sinto alguém difícil de ser amada. Quando para mim, além das um milhão de diferenças, também tínhamos tudo o que duas pessoas precisam para ser feliz. Eu nunca me senti fazendo concessões quando fazia algo por você pois era quando estávamos juntos, só nós e eu achava que conhecia o seu coração, que eu sabia que não teria silêncios, ou celulares na mão suficientes para que um dia você fosse nada para mim . Eu achava que te conhecia demais, que era uma das pessoas mais especiais do seu mundo. E de repente dei de cara com a metáfora tão real de um telefone que chama  até desligar. Nada que aconteça no meu mundo pode te abalar o suficiente para você perder seu tempo comigo.
Tudo isso soa tão estranho, nas noites que acordo chorando após sonhar com você e me lembro que você não existe mais. Mas dói muito quando me pego pensando que pela primeira vez na vida não quero nunca mais gostar de ninguém, que depois de mil outros caras me jogarem no chão do ring, dessa vez meu coração foi a nocaute.
Aceito que você não goste mais de mim, aceito que não queira mais, não sou relutante. O desespero é saber que não posso levar nada de bom, porque não sei até onde vivi isso ou só achei que vivia, enquanto você sofria, se martirizava e só não ia embora por não saber como dizer. Que o amor que eu achava lindo não te fez sequer abrir a boca, tentar.
As pessoas me perguntam o tempo todo se eu acho que você está com alguém, pois só isso justificaria tamanha falta de consideração e facilidade em seguir sem mim. Eu não sei o que dizer, talvez esteja, talvez ela goste de tudo que você gosta, não fique deprê com a vida vez ou outra e te faça amar tanto que você aprenda a falar. Talvez as risadas que te vejo dar quando não me aguento e vou em busca de noticias suas, sejam por isso ou pelo alivio de ter conseguido sair do que te fazia mal. Aceitando as consequências do que te faz melhor. Nem existem tantas consequências, se existissem, você abriria a boca.
Outro dia entrei em desespero por ter sido tudo assim e minha amiga me disse que talvez algum amigo tivesse dito que assim seria melhor para mim, que esse teu jeito de me jogar pra fora de tudo me fariam sofrer menos. Mas nada me consola, pois se você resolveu ouvir isso e seguir alguém que nunca participou de uma de nossas conversas, eu não sei o que pensar. 
Não queria perder a capacidade de acreditar nem me arrepender de ter acolhido aquele seu arrependimento, calando em mim as dores que me provocaram. Mas é inevitável ecoar na cabeça você dizendo que não podia fazer nada pelo meu sofrimento, minimizando tudo, como se eu só quisesse que você voltasse. Sem entender que o que dói é não ser nada, é não ter sido amor suficiente para você abrir a boca. É como se algo de 4 anos e algo de 6 meses não tivessem diferença nenhuma.
Eu morri um pouco por dentro. Mas quando é suportável eu levanto para minhas coisas com um mal estar em velar a vida que acabou pra poder continuar. 
Você nunca vai ler esse texto porque nada que venha de mim te interessa mais, mas eu preciso escrever se não enlouqueço. 
Eu não sei o que faria se você me ligasse agora, dizendo que foi tudo um pesadelo e eu não preciso me preocupar com mais nada, que seu colo e seu sorriso ainda estariam ali por mim, que você teve motivos profundos, nobres e óbvios para deixar de me amar  mas nenhum deles foi suficiente ou funcionou. Mas não me preocupo com o que eu faria pois minha dor é lúcida: Não tem ilusão ou remédio, você me mandou embora da sua casa, do seu carro, da sua vida, da memória do seu computador, do seu celular e do seu coração. Você me deletou.




sábado, 18 de março de 2017

Algumas constatações para a menina de 17 anos que escrevia esse blog

Numa noite de março de 2017 você vai estar sentada no seu quarto sentindo vontade de sair andando sem rumo. As coisas mudaram, você não lê mais com tanta frequência, não ouve Los Hermanos todos os dias (você quase não ouve, apesar de gostar), você ouve bastante sertanejo e antes que pense em achar que estou louca, a gente aprendeu que pode ouvir Jorge e Mateus e Caetano Veloso sem ser crime. Passou uma fase que todo mundo gostava de Clarice Lispector mas ninguém leu o conto do professor de matemática. Aquele 2010 e as pessoas que te encantaram, apaixonaram e fizeram a tórrida paixonite acontecer não passam mais pela sua cabeça a tempos. Existe alguém, mas você ainda espera grandes atitudes românticas como espera hoje. Existem bons amigos, mas não como existem hoje, todos os dias, porque todo mundo tem uma vida, mesmo quando você quer sumir e se esconder do mundo, eles têm uma vida. Mas ainda existe aquele velho sentimento de não pertencimento a lugar nenhum. Hoje você quase se ama de verdade, mas ainda vacila. Você ainda abandona várias coisas, como abandonou o colégio, aliás, se ainda der tempo, volte ao colégio, a vida é muito mais leve e divertida nele. Você abandonou a universidade federal que hoje acha bobeira pensar em entrar. Em algum momento ao longo desses 7 anos você aprendeu muita coisa sobre ser mulher. Mas aprendeu pouco sobre ser você. Ainda não consegue ser você por você, talvez por isso agora nada me resta de concreto, além da solidão. Você não cresce. Mas anda de ônibus, vai até o outro lado da cidade, quando consegue acordar. As vezes ainda tem aquele medo de se desfazer no meio de todo mundo, mas em boa parte do tempo, aprendeu a lidar. Você agora gosta de biologia, entrou em um curso que hoje acha nada a ver contigo. Possivelmente não tem nada a ver comigo também, mas a gente até gosta. Conheceu pessoas boas, foi ao Rio, foi a Bahia, sério, a gente é muito do mar. Andou de avião sem nossos pais, dá para acreditar? Mas achou alguém para colocar o peso de meu mundo, estou tentando colocar esse peso nos nossos ombros, como deve ser e nunca foi. Eu ainda me sinto você, as vezes me sinto alguém antes de você, uma menininha de 15 anos que tem medo de tudo. A gente ainda tem medo de muita coisa mas descobriu novos e maiores medos. Você as vezes senta ao meu lado e não entende porque eu quero desistir de uma vida que você nunca imaginou viver. Eu também não sei. Mas é inevitável não querer me afogar no colchão mesmo a vida em ordem.
Eu ainda não aprendi a confiar em nós. E para isso, para não desistir da minha, da sua e da vida de outras de nós que talvez virão, eu preciso aprender e gostar de ser só. Esse é o único caminho para nós. E lembre-se, não se mate, tem carnaval ano que vem.