segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Recompensa

Ao ler isso, o mundo vai dizer que é muito cedo pra te dedicar um texto, mas nunca precisei de alguém me dizer ou não se estava na hora de fazer algo. Com mês que me conhecia, você me defendeu e ouviu como se fosse minha amiga a vida toda e correu riscos tentando abrir olhos que nunca seriam abertos.
Era uma vez uma menina-mulher, que impressiona por sua maturidade e beleza e que muito mais importante que riquezas mundanas, carrega com ela, uma vontade de proteger quem ela gosta que só é dedicada aqueles que Deus tem certeza que são fortes e guerreiros o suficientes para suportar as consequências.
Pra mim, ela chegou como presente que não queriam me dar, pulou no meu caminho e tive a sorte de reconhecer nela, alguém que ia entender minhas brincadeiras e medos, sabendo como ninguém dos motivos.
Separamos os motivos da amizade, ela permaneceu, o carinho também.
O poeta fez uma música com teu nome, até ele via a beleza que te banhava, e podem me lembrar a música foi feita bem antes de você chegar ao mundo. Eu insisto, e mesmo assim, pra mim continuo achando que ele a dedicou pra você, afinal, qual homem com sensibilidade não ia morrer de amores ao te ver indo pra longe ?
Cativar pessoas mais velhas e ser de alma no meio da juventude de hoje, não é fácil, e você faz isso bem, nós duas sabemos.
Quando sentamos pra conversar e você com tuas palavras acredita no que digo e me deixa te lembrar como você é importante pra mim e pro mundo, já vale o que passou.
Acontece que de toda história cheia de lacunas e saudades, todo mundo leva experiência e maturidade. E eu, que vivo reclamando da sorte, além disso tudo, coloquei você também na bagagem que fiz pra ir viver outras histórias.
Lembre-se que se por algum momento você pensar que não é tão incrível como já te disse que és, estarei aqui pra te lembrar.
Obrigada pela recompensa de colorir os dias que teimavam em pintar de cinza, com tua amizade.
E não deixe de acreditar, pois eu digo, tu brilha.E brilhe,sempre.


PS : A música que me refiro no texto, é Luiza do Tom Jobim.

" E um raio de sol nos teus cabelos como um brilhante que partindo a luz explode em sete cores revelando então os sete mil amores."

Texto dedicado a minha querida amiga Luiza Messeder.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Mulher acordada.

Acordei. Mas não como se acorda de um sonho incrívelmente bom, aonde tudo que se quer é continuar naquilo. Só acordei, como se acorda todos os dias, mesmo querendo permanecer na cama, mas sem sonhar mais.
Quando aconteceu pela primeira vez, foi horrivel, me vi sozinha na cama, quase sem ar, desesperadamente acreditando naquela velha e falsa história de que quanto mais rápido se volta a dormir, mais chances se tem de voltar pro mesmo sonho. Quase perdi o foco em mim pensando em voltar a sonhar, deitei, rolei por bastante tempo, ouvi gente implorar pra eu ficar acordada e de pé, mas insisti, pois acordar subitamente de sonhos bons é crueldade demais para quem começou a viver agora.
Depois de cochilar várias vezes sem sonhos e acordar com medo de tudo, eu comecei a desistir ao ver os lençois cada dia mais frios e vazios.
Até que por um quase milagre de aniversário, adormeci de novo, e logo depois descobri que aonde havia deixado um sonho cheio de caminhos banhados de esperança, retomei em algo que eu nem o sonho queriamos, por pura rotina.
A partir desta parte, vi a história de longe, como espectadora de um sonho que ninguém queria viver, ou não queriam o suficiente.
Era uma menina, deitada, naquela fase aonde qualquer ruído desperta, enquanto uma parte da mesma menina, se agarrava ao sonho, tentando de todas as formar implorar pra que ele ficasse.
Nesta parte, ela ainda não tinha entendido, ou não queria entender, que sonhos só são bonitos quando querem ser e não quando sentem que são obrigados a isso. Sonho não é presente, sonho é sorte e merecimento, ela se lembrou.
Bem longe dali, ela ouvia um despertador tocar, quase implorando :
- Acorde, menina. O sonho acabou faz tempo.
A menina, teimosa e escorpiana, tampava os ouvidos e fingia ser só aquela parte dos sonhos bons que você sabe que é um sonho e morre de medo de acordar.
Era aquela menina e ninguém podia cobrar que ela não sonhasse, pois a vida toda foi só o que ela soube fazer.
O destino, o sonho e a vida, perceberam que sem interferir ela não ia acordar sozinha. O sonho cansou e vazio, foi embora.
O sonho que acabou na segunda vez, sem nenhuma palavra de amor, desde o começo. Mas havia um porém : O prazer do sonho, entendia o prazer da menina.
Acordar da segunda vez, pareceu menos difícil, ainda que doa se lembrar que sempre ia dormir com a certeza que o sonho ia continuar, mesmo sabendo ser uma grande mentira daquelas que a gente inventa pra colorir a vida, afinal o sonho mudava todos os dias e ela continuava achando tudo lindo.
Agora, acordar é só acordar, processo natural, e acontece.
A menina, que o sonho transformou em mulher, não se arrependerá de ter deixado o sonho acontecer de um jeito que a marcou pelo resto da vida, mesmo que já tenha ouvido de gente que não conhece o sonho, que era só isso que ele queria. Mesmo menina, ela acreditava que não poderia haver mediocridade maior em difamar os fatos, quando tudo que se quis no momento que eles aconteceram se resumia em petrificar o tempo.
Muito mais que o que todo mundo se preocupa que ela tenha entregado ao sonho, ela entregou algo muito mais valioso : o coração.
E por isso, ela estava disposta a conservar a imagem do sonho pura e intacta, mesmo que não queira mais sonhar.E conservará.
A lição que o sonho deixa, é que se você não se acostuma a viver fora dele, vai tudo ficando pequeno e um sonho lindo se transforma em tentativas que dão pena e pena é tão triste que não pode mesmo combinar com brilho.
Quando questionada se gostaria de sonhar de novo, ela só se lembra de dizer que sonhos vivídos mais de uma vez, não tem o mesmo gosto, não sem a intensidade que este tipo de sonho mereceria. Ainda assim, há quem diga que ela reza baixinho todos os dias para acontecer mais uma vez, mas eu, outro dia mesmo, vi nossa menina com um sorriso de vitrine, cantando por ai aquele verso que diz : " Existe aqui uma mulher, uma bruxa, uma princesa, uma diva ,que beleza, escolha o que quiser, mas ande logo vá depressa, nem se atreva a pensar muito, o meu universo ainda despreza, quem não sabe o que quer."
Eu desejo, que ela e todo mundo, entenda de uma vez por todas, que não é de sonhos que se vive a vida e sim de tempos com os olhos bem abertos, vendo em tudo e principalmente em si mesmo, motivos para acordar todos os dias com a esperança de fazer da vida um grande espetáculo, melhor que qualquer sonho. Pois viver é melhor que sonhar.

Para pessoas que não precisam de sonhos pra acordar e nem vivem por ninguém.

PS: a música a qual me refiro no texto é Devolve,Moço da Ana Cañas, muito linda, vale a pena ouvir =)

PS²: Leia também a resposta para esse post, do meu querido amigo Raí Amorim : Ela lavou a alma.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Âncora de tentativas

Tivemos duas crises no nosso relacionamento ( olho para essa palavra : relacionamento e vejo que a uso pela primeira vez sem aspas, na tentativa de acreditar que de fato temos um.) e na noite anterior a estas duas crises escrevi um texto pra ti, e por causa desta infeliz coincidência normalmente eu ficaria com medo de pegar papel e caneta para falar mais de você, porque talvez no dia seguinte você poderia ir embora de novo, só que dessa vez, não senti nada, afinal o gosto do fim ainda não sumiu e a saudade mesmo com você por perto, ainda não passou. Como posso ter medo de perder algo que nem voltou para as minhas mãos ?
Tudo bem, você deve estar pensando que eu mesma aceitei que fosse assim, só corpo, sem sentimentos e mesmo sabendo que iria continuar gostando de você, te quis assim. As alternativas na minha frente eram só prazer ou te ver longe e minha escolha não teve nada de falta de amor-próprio, só que pra não te perder como sempre, engoli o romantismo e tentei aceitar na nossa volta, qualquer tipo de condição para estar do teu lado e cansada de ficar longe, prometi que minha parte mulherzinha ficaria em segundo plano e eu ia ser mais do que só uma menininha sentimental, pra você.
Acho que temos um problema : penso que você, assim como eu, tem tendência a se apaixonar por quem liga a mínima para você e ai está : eu ligo o máximo. E ligando muito, me preocupando e querendo você, sinto que só te afasto, e assim, sem entender os porques (ou entendendo demais) comecei a pensar se era válido tentar por nós. Com esses pensamentos despertei meu orgulho batendo na mesma tecla de que se você quiser realmente, demonstrar não é tão complicado. Pensei demais e começou a acontecer o que eu temia, eu comecei a desistir.
O problema, que você me conheceu tua demais e não sabe que quando eu desisto de algo, me refaço, e não queria isso, não queria esquecer tudo.
Se por um momento, eu visse nos teus olhos uma chama de esperança em me querer também, como eu via antes daquele tempo de falta, eu juro que lutaria. Bastava você querer um pouco.
Já parou para pensar que sou menina e sinto falta de carinho de homem ? Do homem que busquei e encontrei em você.
Não coloque culpa na essência, pois nem cogito a possibilidade de querer te mudar, pois foi o teu olhar que me encantou, lembra ?
Te aceitei e te quis com todos os teus pronomes, sujeitos, artigos e substantivos. E pra mim, só quis um verbo : QUERER.
Bom, se você chegou até aqui e não teve vontade de me abraçar para mostrar que também me quer, eu entendo, só não me peça para transformar meu sentimento em um amor de amigo, para ficar por perto, não por enquanto. Se o teu humor não muda ao me imaginar nos braços de outro, se a vontade de me beijar não te faz me querer as vezes do teu lado e se principalmente você não se importa em abrir mão de mim, acho que chegou a hora do tal de meu conformismo chegar.
Ainda acredito (ou quero acreditar) que dentro de você, assim como de mim, alguma parte lembra das horas que a gente se contava no telefone, do ciúme disfarçado em piada e dos sábados de saudade misturada com desejo e carinho. Não me deixa desistir, intercepte minha fuga e mostre que me quer também, que vale a pena lutar. Não quero ir, mas remar sozinha cansa.
Não consigo simplesmente me sentar no barco de nós dois, esperando a maré do destino levar a gente para algum lugar, quando a única paisagem que importa é o teu rosto olhando para mim e na realidade o que eu vejo é você tentando sair do barco, preso por algo que mesmo agradecendo, não sei o que é, queria tanto descobrir que esse algo é o fundinho do teu coração dizendo que eu mexo com ele.
Espero realmente que essa tentativa de salvamento não chegue até você como uma corrente de pressão e sim como uma ponta de esperança que insiste em não apagar e que você perceba que mesmo com intensidades tão opostas, existe um meio do nosso desejo se completar e nos satisfazer. Não desista, não desisto.

Para ler ouvindo : Tolêrancia da Ana Carolina.

" Pra falar de tolerância e acabar com essa distância entre nós dois..."

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Mar de paz

" Enquanto houver você do outro lado aqui do outro eu consigo me orientar."

Compatibilidade é uma palavra bonita e eu realmente acho que tenho isso com você, resta saber com qual das duas partes de mim você se identifica mais. Você via duas partes em uma só e hoje te confesso que você está certo, mas não do jeito que acha. A divisão é aquela que até parece clichê : eu antes e eu depois de te conhecer.
Me vi te contando o que eu nem sabia formular em palavras, a confiança que não tenho em gente que conheço a anos, coloquei numa caixa e te dei de presente.
E quando todo mundo se assusta com meu mar de carência e intensidade, você só se coloca no barco junto comigo, se preocupando sempre em deixar claro pra que eu use o colete salva-vidas pra não me deixar esperar demais da viagem.
Você conversou comigo até ás 4:00 da manhã, me lembrando o tempo todo que se eu desistisse de mim, você tava ali pra me reanimar. Encontrei em você todo um carinho verdadeiro, aquele carinho que precisa sim ser verbalizado.
Sonhei com você, no sonho você me botou num carro e me levou a um lugar que eu tinha muito medo e quando eu ameaçava fugir (eu sempre fazendo isso!) você segurava minha mão e me sorria, doce. Do teu lado, vi um sol, que mesmo encoberto por nuvens, nasceu. Olhei pra você e disse que era bonito o jeito que me sentia adulta e mulher do teu lado e eu que sempre tive medo de crescer vejo o futuro banhado num mar de paz quando lembro de ti. Sua proteção por mim me prende aos sonhos que eu quase abandonei. Quando o caminho que me trouxe até você insiste em reafirmar os defeitos que via em mim, chegava você com o antídoto para o veneno que eu insisto em me aplicar.
Suas suplicas para não esperar nada, do futuro incerto, só me fazem ver, que aquele nascer do sol que insisti pra você ver comigo, mostrava também, minha volta a vida.



Para ler ouvindo : You and Me - Dave Matthews Band

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Gaiola.


Desde que me entendo por gente, tive muita vontade de ser bicho solto, sair sem dar satisfações, ganhar a chave de casa e desde pequena queria voltar sozinha do colégio, atravessar a rua sem dar as mãos. E mesmo muitos fatos contribuindo para destruir este instinto em mim, em algum lugar ele permanece vivo até hoje.
Me vi presa. E até mesmo depois dos tombos e quedas me obrigarem a começar a me aceitar, era como se eu fosse um pássaro, criando maneiras de voar, me comparando aos outros bichos de espécies completamente diferentes da minha, dos quais eu via por trás das grades da gaiola, sonhando e pensando em ser livre, mas com um medo absurdo de ficar longe da rotina das grades.
Eu, que me assumo sozinha, com um coração que não cabe em potinhos e pedaços e mesmo sabendo que ninguém pode me salvar do abismo de mim, tenho pavor de ficar sem rota de fuga.
Quero viver o hoje, sem ajuda de ninguém, mas com serenidade suficiente pra me lembrar que em 17 anos não cabem liberdade suficiente para toda uma vida, assim sem me martirizar.
Liberdade, Fé e esperança, junto com o eterno exercício diário para suportar os feriados prolongados que mais parecem eternos domingos.