domingo, 30 de outubro de 2011

Dez, oito

Venho informar as senhoras e senhores aqui presentes que a partir de agora, sou realmente responsável por meus atos. Não posso me esconder mais embaixo da saia de minha mãe, tampouco porque ela nem usa muito saias mesmo.
Os Dezoito anos chegaram de uma forma tão rápida que me assustei quando me lembrei que agora todas as portas estarão abertas, todos os lugares são frequentáveis e até a tatuagem que eu sonho em fazer é um sonho bem fácil de realizar.
Parece que não, mas fazer dezoito pesa. O tempo todo um letreiro em neon pisca na minha cabeça : essa é a melhor fase, aproveite-a.
Acho que não sei aproveitar ou não sou como todos os outros.
Um final de semana bom para mim se resume em : namorado, comida boa, passeio de mãos dadas.
90% dos meus amigos precisam beber na sexta, sábado e domingo, para pelo menos terem um fim de semana razoável. Nunca tive um porre. E não vejo possibilidades para que isso aconteça num futuro próximo.
Quero casar (tudo bem, deixa a parte do virgem para lá.) de branco, véu e grinalda, festa grande, 3 filhos cabeludinhos que dão gritinhos quando eu chegar. Sou romântica, não consigo evitar.
Enquanto eu tenho o modelo do meu vestido de noiva guardado numa caixinha, minhas amigas acumulam abadás de festas em que se beija 40 caras e não se sabe o nome de 2.
Ao mesmo tempo que compartilho as músicas e programas das minhas tias de 40 anos, me sinto infantil, com medo de sair de casa para trabalhar e ter um desses chefes que fazem as pessoas terem medo que chegue segunda de manhã. E na sexta pensam : sobrevivi mais uma semana.
Na tal prova do vestibular, enquanto o governo não decide a minha vida e a de mais 5 milhões de coleguinhas, sigo sabendo que passei para meu curso. Só não sei se meu curso é meu mesmo ou é só uma fuga da realidade.
Muitos planos na cabeça, muitos sonhos e muitos medos ainda.
Quero a maioridade da auto-confiança também...mas tudo bem, sei que esse presente não vai dar para ganhar num envelope.

Feliz Aniversário para mim.





( obrigada a todo mundo que entra aqui, mais uma vez. Vocês são os melhores do mundo.)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Eu não paro de crescer.

Saindo de uma boa aula de ioga, bem relaxada, encontro o diretor de um colégio que estudei e ele, sem a menor cerimônia, me pergunta :
- Menina, você não para de crescer ?
Bom, levando em conta que desde os meus, sei lá, 8 anos eu ouço perguntas do tipo '' Quantos metros você tem ?'', eu já devia estar acostumada com a falta de noção de gente que acha normal fazer perguntas bizarras. Ser alta, acima da média das meninas de minha idade, me fez ouvir muitas coisas e eu sempre pensava se as meninas gordinhas, ou as baixinhas, escutavam coisas como '' você não para de engordar '' ou '' quando você vai começar a crescer ''.
Cheguei a conclusão que não, pois ser alta, na cabeça dos outros, era um privilégio concedido à mim. Na pré-adolescência todo mundo é meio esquisito, mas nem por isso minhas neuras eram menores. Eu era muito maior que as outras meninas, e ninguém me deixava esquecer isso. Minha mãe, apaixonada por vólei, resolveu aproveitar minha altura e o fato deu ser canhota e me matriculou numa boa escolinha. O alvoroço foi imenso, o professor se encantou comigo e tratou logo de me colocar numa turma avançada. Mesmo sem ter o menor jeito com a bola, inclusive, morria de medo de levar uma bolada forte, como via várias vezes acontecer com as outras meninas, eu fugia dos jogos. Permaneci 4 anos na escolinha, mesmo assim, até mudar de bairro e de colégio, iniciando uma época traumática. Os apelidos que eu já ouvia desde muito antes, com menor frequência e usados mais para me provocar do que para ofender, usados agora para fazer do meu choro um motivo para as outras pessoas rirem. Antes, quando me sentia ofendida por algum ''poste'' ou ''girafa'' tratava logo de fazer amizade com a pessoa, pois sabia ser amável, e assim, quem antes gostava de zombar de mim, se via sem poder ''brincar'' assim, afinal, já era meu amigo. Mas na escola nova, era bem diferente, ninguém se importava, eu não tinha amigos e os mais velhos pegavam pesado e me machucavam profundamente. Os professores fingiam não ver ou também achavam engraçado. Além de alta, eu era magérrima, nessa época e a infinidade de apelidos parecia crescer a cada dia. Não sei se sobrevivi sem sequelas, depois de sair desse colégio, acho que não, pois ainda me pego as vezes, com vontade de chorar quando lembro daquilo tudo, se alguém acha engraçado brincar comigo assim. No ensino médio, depois de ter criado um pouco de corpo e engordado um tanto, voltei ao mesmo colégio, questão de honra. Se eu não pude diminuir, saberia pelo menos me impor e consegui até uns olhares de gente que já caçoou de mim. Besteira, mas no fundo eu achava engraçado aquilo tudo. Tenho consciência de que a maioria das pessoas já sofreu com apelidos, mas mesmo assim, procuro lembrar de mim antes de rir de alguém por algo que a pessoa não pode mudar, ganhando muitas vezes o titulo de estraga prazeres se defendo alguém. '' Poxa, a gente tá só brincando.'' na maioria das vezes é o argumento, mas tenho certeza que a vítima, não vê graça na brincadeira.
Quanto a resposta, pro diretor do colégio, resolvi dar um sorriso e dizer : - Pois é, eu não paro de crescer nunca, ainda bem.

( Adriana, 17 anos, 1,80cm e na maioria do tempo, feliz. )