quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Durma Medo Meu, por favor.

Um dia eu acordei achando que fosse morrer, sabe quando você acha que vai ? Pronto, vou morrer.
Era a maldita síndrome do pânico de ter pânico. Tempos que eu não tinha contato com ela, mas como alguém que quer dizer um oi, ela me invadiu pela enésima vez.
Alguns anos de terapia me fizeram melhorar um pouco e me lembrar que ela passaria dali no máximo 15 minutos.
- Mãããããe, tô tendo "aquilo" de novo.
A expressão da minha mãe é fatal. " Tudo de novo não, Meu Deus."
Percorro mentalmente os consultórios, laboratórios, clínicas de psicólogos e todos os locais não apropriados para meninas de 17 anos que já passei na vida. Tudo de novo não, meu Deus.
Penso em Deus, na fraternidade me dizem que isso é uma questão de energias ao meu redor. Chamo por todos os amigos de luz que Deus puder me enviar.
Não sei se por isso ou se porque a ciência me diz que nenhuma crise dura mais de 15 minutos, começo a voltar ao normal, até alguém me dizer de novo que preciso sair sozinha, abandonar meus planos B,C,D... abandonar a certeza de que se tudo der muito errado, eu posso correr pra minha mãe e dizer :
- Mãe, ''aquilo'' de novo.
Pronto, tudo de novo.

No meio do caos, eu crio uma esperança. Afinal, mais tarde tem a aula de ioga e a professora me ensinou aquela posição com nome engraçado que estimula meu cérebro e eu não fico mais ansiosa.
Respira, expira, toma água, ouve música. O medo foi embora. Mas ficou o medo de ter medo do medo.
É um ciclo e não acaba. Medo de sair, medo de ficar sozinha, do remédio acabar, do meu namorado me largar porque eu não consigo sair de ônibus para longe, medo de ser um peso na vida de todo mundo, medo de ser diferente. Eu sou.

"Todo o chão se abre, no escuro, se acostuma. Às vezes a coragem é como quando a nova lua."
O Medo é só o inferno e ansiedade é quase como viver e morrer e viver de novo.
E viverei, hei de não ter medo. Durma medo meu.


PS do dia 11/12/11 - até que enfim, realizei meu desejo :

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Peter Pan

Acho que minha crise adolescente vem demorando demais a passar. Desisto dos meus sonhos, um por um. Tenho medo do futuro, da vida, de colocarem meu destino em minha mão, de não ter meus pais para poder culpar quanto os meus fracassos. Eu sou só uma menina boba que não quer crescer.
Enxergo daqui que só eu sou responsável por minhas tristezas, fraquezas e medos.
Decepciono a cada dia, quem mais espera de mim : eu.
Não sou motivo de orgulho, não sou motivo de sonhos, sou tristeza, melancolia, peso.
Se hoje fosse meu último dia, amanhã nada ia mudar. Algumas pessoas ficariam tristes, meus pais, meu namorado, dois ou três amigos, talvez. No mais, vida que segue. Minha existência não muda a vida de ninguém. Nem a minha.
Cometo o pior dos pecados, jogo fora minha vida, sem ceder meu lugar no mundo para outra pessoa.
Tenho medo de morrer e receber de Deus a sentença de já estar morta a muito tempo.
Não termino meus planos, não sigo meus sonhos, deixo que meus medos me dominem.
A fase que não passa. Os remédios que não trazem mais alívio nenhum. O drama que não me faz ser mais engraçada e inteligente.
Meus amigos tem suas vidas, ninguém pode parar e me acudir. Antes os dedos faltavam para contar os amigos, hoje...pois é.Só eu.
Eu não consigo ter orgulho de mim.






Eu não existo.