sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Mr. Nicolau.


É, sou eu de novo Papi Noel, eu sei que tem uns anos que não escrevo mas devido a minha esperança nesse 2012, resolvi te procurar. Sei que 2011 não foi grandes coisas e que eu provavelmente estou sendo uma babaca dizendo isso, tanta gente ai perdendo casa na enchente, no hospital e eu aqui saudável e cheia de tristezas e desgostos no ano, não é ?
Sabe de uma coisa, Santa ? Eu quero ir embora... Belo Horizonte não é meu lugar, acho que descobri. Tenho amor imenso por pessoas daqui, mas sinto uma necessidade tremenda de ir embora, viver em outra cidade, estado ou com muita sorte, um novo país.
Me reinventar, não ser mais a menina que é largada e passar a ser a menina que larga, virar mulher, amadurecer... me assumir e bancar meus medos, sem precisar correr pro colo de ninguém.
Descobri esses tempos, que promessas acabam, que sonhos nem sempre são realizados e que prioridade é uma via de dupla.
Ninguém esta disposto a lutar por ninguém, quero ir embora e tentar lutar por mim.
Parar de esperar a chegada tão sonhada e ser o meu amor eterno.
Acho que amor eterno é aquela coisa, que todo mundo acredita, mas ninguém sabe ao certo se existe. E tem vergonha de acreditar. Tipo você.



Com carinho, porque amor machuca,
Adriana.



Feliz Natal, meus leitores (as) queridos, o crescimento desse blog, com certeza foi uma das (poucas) e melhores coisas do meu 2011. Beijo grande.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Estação : eu. Última parada.


Você não tem medo de me perder ? Não tem medo que eu levante e vá embora para o canto mais escuro de solidão, achando que é melhor assim ?
Seus olhos não enchem de água ao me imaginar sorrindo nos braços de outro ?
Sua confiança é tão grande que faz você correr o risco de nunca mais me ver, numa dessas brigas que mostram o que nos tornamos, nada parecido com o que fomos ?
Será que se eu for embora, você luta contra o mundo pela gente de novo ?
Será que o mundo está certo ao me direcionar olhares tão piedosos ao mencionar teu nome com lágrimas nos olhos ?
Será mesmo que a última esperança de amor, acaba aqui ?
O que não é resolvido em um mês, não é resolvido em um dia.
Sem conversas, só distância, lágrimas, suposições, silêncios....
Medo.


Parece que as coisas boas vão ficando pra trás tão rápido. O quentinho no peito. A certeza de futuro.
Eu nunca senti assim. Eu nunca perdi assim.

Estou acostumada a ser estação, o ponto de partida, o adeus penoso, a lavada na alma, o colo pra onde se corre. Mas quando é que vou ser só o colo da onde não se quer fugir ?

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Queridas Ex-namoradas, as variações da raça.

 Esse texto é pra mim, pra você, pra todas nós, mulheres que um dia já se lançaram em um relacionamento sério.
 Porque este é um título que ninguém foge de ocupar. Foi seu, é meu e talvez será de outra.
 Bom, o processo de se tornar ex namorada é doloroso, eu sei bem. Mas, moças, acreditem em mim : fazer de tudo pra se tornar a ex-monstro, dói muito mais.
 Ok, mas que raio a menina que está no seu terceiro relacionamento sabe de ex ?  Eu mesma respondo : Já vivi situações tristes, agoniantes, bizarras e até engraçadas, por causa dessas duas letras : E-X.
Então, posso dizer que sou entendida desse espécie que ninguém quer ser e quando é, raramente sabe se sair bem, e continuar linda em cima do salto 7.
Com 13 anos, comecei o que se pode chamar de namoro sério, quando se tem 13 anos. O rapaz era mais velho e vivemos felizes 8 meses juntos. O namoro acabou num momento difícil, continuei a gostar dele e em pouco mais de um mês, estava ele lá, ''conhecendo'' a querida. Nessa época, eu já tinha 14 anos, ele 19 e a moça em questão, 20.
Agora você deve estar pensando : '' Meu sonho namorar um cara com uma ex que tem menos idade que minha prima que se veste mal e ouve Restart.'' Não é ?
Errado !
Sei lá o que o rapaz dizia de mim pra ela, o fato é que ela cismou comigo, me fazendo acreditar as vezes, que eu era a chama do namoro dos dois.
Entre fakes no orkut, adicionar meus amigos, imitar meu cabelo e roupas, ela aprontou muito comigo, durante um ano, talvez. Claro, no começo eu a odiava, só que com o tempo, fui percebendo que a moça raramente aparecia nas redes sociais com amigas ou alguém que não fosse o namorado, deduzi  que não tinha ninguém para abrir os olhos dela e dizer : Você está conseguindo uma coisa só, com essa história toda, que é parecer sozinha, insegura e infantil.
E não, eu não era nenhum tipo de zinha que ficava atrás do namorado dela, ou tentava atrapalhar. Me lembro de ter ligado uma vez pra ele, quando depois do sexto fake, tive que pedir pra ele conversar e tentar fazer ela parar.
O namoro deles acabou e o medo dela não se cumpriu. Nunca voltamos.
Com isso tudo, eu me sentia vacinada no quesito EX, já sabia como não tratar uma e parecer idiota. Até que me apaixonei, também virei ex e sim, me tornei uma ex-mostro. Tudo bem, não criei fakes nem imitei roupa de ninguém. Mas fazia o possível para barrar a moça em locais que frequentava e não media a língua para falar mal. E eu assumo, de puro recalque. No fim, só dei a certeza ao casal, de que eu era mesmo infantil demais para ser a escolhida.
Afinal, eles são o casal, você é passado. Só te resta aceitar.
Ainda existe a pior variação da espécie : a ex-bandida. Mesmo sendo a pior da raça, eu dou a dica, com essas, mulheres de verdade não devem se preocupar, afinal, estamos protegidas delas, pela lei do Universo, e uma mulher que se submete a ser a outra, quando já ocupou o posto de atual, devia receber uma carta, em negrito e letras grandes :
KARMA DE PICA, FICA.
Como um alerta, de que o papel vai custar mais caro do que o gostinho de achar que está por cima, chamando a outra de corna.
Ex boa, é ex longe.... e bem feliz, que é pra não voltar.

Isso é tudo !

domingo, 13 de novembro de 2011

Hello Stranger.

Ontem, enquanto nossos corpos suavam juntos, e eu sentia seu peito quente em cima de mim, foi a maior sensação de amor da minha vida. Eu me senti mulher, mas era ainda, sua menina.
Ainda balança em mim o medo de te perder e hoje, enquanto eu passava o tempo sem você, tentando ocupar minha cabeça para não pensar só no nosso amor, eu achei Closer - Perto Demais, num canal da TV.
Chorei.
E chorei ainda mais quando veio aquela frase '' I don't love you Anymore '' meu coração ficou tão pequenininho que eu pensei que ia ter que levantar correndo e ir me esconder na cama dos meus pais, porque é isso que eu sempre faço quando o medo aperta e o coração dói além do que eu achava que entendia.
De repente, lembranças de ontem de noite, você me dizendo que aquele era o melhor momento da sua vida. 
A promessa de repetir isso todos os dias, estampada nos nossos olhos misturando amor e tesão.
E você me dizendo que é por nós. Minha vontade de te abraçar e não soltar nem daqui 50 anos.
Seu cheiro, seu gosto. Meu medo de ficar longe de você por um dia, de não ser mais a sua garota.
I can't my mind of you.
Eu nunca conseguirei.


Tem aquela cena também que a Alice pergunta porque o Dan ama Anna e ele responde :
- Porque ela não precisa de mim.

A cartada final. Ainda que o choro fosse inevitável, com isso ele iria cair. Precisar não é minha meta, não é meu desejo, sei que vivi 17 anos sem nem te conhecer, mas ainda assim, saber que você existe me dá a maior paz do mundo.

Por que o amor não é o suficiente ?

Eu gostaria de viver minha vida ao seu lado e que nosso amor fosse suficiente para ultrapassar qualquer barreira (eu sei, confio em você.) e que ao me olhar você não enxergasse  o poço de seus medos e meus passados  ou futuros que não quero viver. Me olhe e veja a sua mulher, a mesma que você viu ontem, deitada, inteira, nos teus braços e completamente e inquestionavelmente apaixonada por você.
Ainda que muitas vezes meus dengos ou medos ou vergonhas não me deixem mostrar : é do teu lado que me sinto segura, é você que eu quero amar.

Quanto ao filme, um ano atrás, eu o vi outra vez, pensando que o amor, como é pra ser, não existe mesmo (eu sei, Tati BERNARDI disse isso.) Mas dessa vez, meu namorado, meu futuro é você e é em você que eu confio para contrariar todos os preconceitos do mundo : O amor, como deveria ser, existe sim. O meu é você.
Não quero te fazer sentir dor nunca, mas quero que você saiba, que se isso acontecer, eu também amo em você, tudo o que dói.


Durma medo nosso.
Estou aqui, pra sempre.

Tua Menina.

Ao destino, deixo de aviso : Eu não sou mais a Alice.




quinta-feira, 3 de novembro de 2011

I really miss this.

Escrevo este texto manchando o caderninho roxo, que poucas pessoas sabem que tenho, da onde saem todos os meus textos e onde escrevo coisas que não podem ser publicadas em lugar nenhum.( talvez esse texto seja uma dessas coisas, mas me arrisco para que chegue até você, como uma tentativa de deixar tudo como antes)
As manchas, são as lágrimas de menina boba, que lembra da vida ao teu lado, uns meses atrás.
Não que você tenha me decepcionado ou coisa assim. Acontece que eu li sua primeira carta, e me perguntei se para você as coisas ainda são iguais.
Me chamou à atenção, e as lágrimas, o trecho assim :

'' Nunca me senti tão sem rumo e com tanta vontade de viver. E não poderia ser de outro jeito (...) cada fato que remeta a sua existência, me faz ver sentido na MINHA existência.''

 Pois bem, agora você deve estar se perguntando porque choro, afinal estamos juntos e vivemos bem.
Mas algo em mim se desespera e eu te digo:
Choro porque não sei se tenho a mesma certeza de que eu, para você, era a mais bela pintura do mundo. Choro porque acabou o mistério e meu mistério te traiu, me revelando normal e não a princesa que você supunha. Choro porque tenho medo de te perder, como já perdi tanta gente menos importante e quase não suportei, com você, tão saído dos meus desejos e sonhos, sei que não vou suportar.
Choro, ainda, porque por mais que você me esqueça, para mim ainda vai ser ''Enquanto eu respirar...''
Choro também porque em 18 anos você foi o único que ficou mais de um mês sem medo e minha personalidade trás o medo para perto o tempo todo. Choro porque não sei se você ainda me acha a pessoa mais humana dentre as outras que você conhece. Choro porque tenho pavor do ''eu também''.
Peço perdão desde já, pela loucura e por sentir falta do seu amor transbordando em todos os lugares onde eu olhava.
Sinto falta das tuas saudades intensas e do jeito de dizer que no hoje, somos para sempre.
Peço perdão também, pela insegurança e te peço para que não ache que estou insatisfeita ou coisa assim. Perdão por precisar ver você estampar na sua vida, que sou eu a sua mulher.
Imploro para que não esqueça o que somos, como chegamos e a magia que envolveu aquele 18/06.


É que eu te amo mais que podia esperar amar alguém.


'' Meu amor companheiro, intensa paz.''

domingo, 30 de outubro de 2011

Dez, oito

Venho informar as senhoras e senhores aqui presentes que a partir de agora, sou realmente responsável por meus atos. Não posso me esconder mais embaixo da saia de minha mãe, tampouco porque ela nem usa muito saias mesmo.
Os Dezoito anos chegaram de uma forma tão rápida que me assustei quando me lembrei que agora todas as portas estarão abertas, todos os lugares são frequentáveis e até a tatuagem que eu sonho em fazer é um sonho bem fácil de realizar.
Parece que não, mas fazer dezoito pesa. O tempo todo um letreiro em neon pisca na minha cabeça : essa é a melhor fase, aproveite-a.
Acho que não sei aproveitar ou não sou como todos os outros.
Um final de semana bom para mim se resume em : namorado, comida boa, passeio de mãos dadas.
90% dos meus amigos precisam beber na sexta, sábado e domingo, para pelo menos terem um fim de semana razoável. Nunca tive um porre. E não vejo possibilidades para que isso aconteça num futuro próximo.
Quero casar (tudo bem, deixa a parte do virgem para lá.) de branco, véu e grinalda, festa grande, 3 filhos cabeludinhos que dão gritinhos quando eu chegar. Sou romântica, não consigo evitar.
Enquanto eu tenho o modelo do meu vestido de noiva guardado numa caixinha, minhas amigas acumulam abadás de festas em que se beija 40 caras e não se sabe o nome de 2.
Ao mesmo tempo que compartilho as músicas e programas das minhas tias de 40 anos, me sinto infantil, com medo de sair de casa para trabalhar e ter um desses chefes que fazem as pessoas terem medo que chegue segunda de manhã. E na sexta pensam : sobrevivi mais uma semana.
Na tal prova do vestibular, enquanto o governo não decide a minha vida e a de mais 5 milhões de coleguinhas, sigo sabendo que passei para meu curso. Só não sei se meu curso é meu mesmo ou é só uma fuga da realidade.
Muitos planos na cabeça, muitos sonhos e muitos medos ainda.
Quero a maioridade da auto-confiança também...mas tudo bem, sei que esse presente não vai dar para ganhar num envelope.

Feliz Aniversário para mim.





( obrigada a todo mundo que entra aqui, mais uma vez. Vocês são os melhores do mundo.)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Eu não paro de crescer.

Saindo de uma boa aula de ioga, bem relaxada, encontro o diretor de um colégio que estudei e ele, sem a menor cerimônia, me pergunta :
- Menina, você não para de crescer ?
Bom, levando em conta que desde os meus, sei lá, 8 anos eu ouço perguntas do tipo '' Quantos metros você tem ?'', eu já devia estar acostumada com a falta de noção de gente que acha normal fazer perguntas bizarras. Ser alta, acima da média das meninas de minha idade, me fez ouvir muitas coisas e eu sempre pensava se as meninas gordinhas, ou as baixinhas, escutavam coisas como '' você não para de engordar '' ou '' quando você vai começar a crescer ''.
Cheguei a conclusão que não, pois ser alta, na cabeça dos outros, era um privilégio concedido à mim. Na pré-adolescência todo mundo é meio esquisito, mas nem por isso minhas neuras eram menores. Eu era muito maior que as outras meninas, e ninguém me deixava esquecer isso. Minha mãe, apaixonada por vólei, resolveu aproveitar minha altura e o fato deu ser canhota e me matriculou numa boa escolinha. O alvoroço foi imenso, o professor se encantou comigo e tratou logo de me colocar numa turma avançada. Mesmo sem ter o menor jeito com a bola, inclusive, morria de medo de levar uma bolada forte, como via várias vezes acontecer com as outras meninas, eu fugia dos jogos. Permaneci 4 anos na escolinha, mesmo assim, até mudar de bairro e de colégio, iniciando uma época traumática. Os apelidos que eu já ouvia desde muito antes, com menor frequência e usados mais para me provocar do que para ofender, usados agora para fazer do meu choro um motivo para as outras pessoas rirem. Antes, quando me sentia ofendida por algum ''poste'' ou ''girafa'' tratava logo de fazer amizade com a pessoa, pois sabia ser amável, e assim, quem antes gostava de zombar de mim, se via sem poder ''brincar'' assim, afinal, já era meu amigo. Mas na escola nova, era bem diferente, ninguém se importava, eu não tinha amigos e os mais velhos pegavam pesado e me machucavam profundamente. Os professores fingiam não ver ou também achavam engraçado. Além de alta, eu era magérrima, nessa época e a infinidade de apelidos parecia crescer a cada dia. Não sei se sobrevivi sem sequelas, depois de sair desse colégio, acho que não, pois ainda me pego as vezes, com vontade de chorar quando lembro daquilo tudo, se alguém acha engraçado brincar comigo assim. No ensino médio, depois de ter criado um pouco de corpo e engordado um tanto, voltei ao mesmo colégio, questão de honra. Se eu não pude diminuir, saberia pelo menos me impor e consegui até uns olhares de gente que já caçoou de mim. Besteira, mas no fundo eu achava engraçado aquilo tudo. Tenho consciência de que a maioria das pessoas já sofreu com apelidos, mas mesmo assim, procuro lembrar de mim antes de rir de alguém por algo que a pessoa não pode mudar, ganhando muitas vezes o titulo de estraga prazeres se defendo alguém. '' Poxa, a gente tá só brincando.'' na maioria das vezes é o argumento, mas tenho certeza que a vítima, não vê graça na brincadeira.
Quanto a resposta, pro diretor do colégio, resolvi dar um sorriso e dizer : - Pois é, eu não paro de crescer nunca, ainda bem.

( Adriana, 17 anos, 1,80cm e na maioria do tempo, feliz. )

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Durma Medo Meu, por favor.

Um dia eu acordei achando que fosse morrer, sabe quando você acha que vai ? Pronto, vou morrer.
Era a maldita síndrome do pânico de ter pânico. Tempos que eu não tinha contato com ela, mas como alguém que quer dizer um oi, ela me invadiu pela enésima vez.
Alguns anos de terapia me fizeram melhorar um pouco e me lembrar que ela passaria dali no máximo 15 minutos.
- Mãããããe, tô tendo "aquilo" de novo.
A expressão da minha mãe é fatal. " Tudo de novo não, Meu Deus."
Percorro mentalmente os consultórios, laboratórios, clínicas de psicólogos e todos os locais não apropriados para meninas de 17 anos que já passei na vida. Tudo de novo não, meu Deus.
Penso em Deus, na fraternidade me dizem que isso é uma questão de energias ao meu redor. Chamo por todos os amigos de luz que Deus puder me enviar.
Não sei se por isso ou se porque a ciência me diz que nenhuma crise dura mais de 15 minutos, começo a voltar ao normal, até alguém me dizer de novo que preciso sair sozinha, abandonar meus planos B,C,D... abandonar a certeza de que se tudo der muito errado, eu posso correr pra minha mãe e dizer :
- Mãe, ''aquilo'' de novo.
Pronto, tudo de novo.

No meio do caos, eu crio uma esperança. Afinal, mais tarde tem a aula de ioga e a professora me ensinou aquela posição com nome engraçado que estimula meu cérebro e eu não fico mais ansiosa.
Respira, expira, toma água, ouve música. O medo foi embora. Mas ficou o medo de ter medo do medo.
É um ciclo e não acaba. Medo de sair, medo de ficar sozinha, do remédio acabar, do meu namorado me largar porque eu não consigo sair de ônibus para longe, medo de ser um peso na vida de todo mundo, medo de ser diferente. Eu sou.

"Todo o chão se abre, no escuro, se acostuma. Às vezes a coragem é como quando a nova lua."
O Medo é só o inferno e ansiedade é quase como viver e morrer e viver de novo.
E viverei, hei de não ter medo. Durma medo meu.


PS do dia 11/12/11 - até que enfim, realizei meu desejo :

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Peter Pan

Acho que minha crise adolescente vem demorando demais a passar. Desisto dos meus sonhos, um por um. Tenho medo do futuro, da vida, de colocarem meu destino em minha mão, de não ter meus pais para poder culpar quanto os meus fracassos. Eu sou só uma menina boba que não quer crescer.
Enxergo daqui que só eu sou responsável por minhas tristezas, fraquezas e medos.
Decepciono a cada dia, quem mais espera de mim : eu.
Não sou motivo de orgulho, não sou motivo de sonhos, sou tristeza, melancolia, peso.
Se hoje fosse meu último dia, amanhã nada ia mudar. Algumas pessoas ficariam tristes, meus pais, meu namorado, dois ou três amigos, talvez. No mais, vida que segue. Minha existência não muda a vida de ninguém. Nem a minha.
Cometo o pior dos pecados, jogo fora minha vida, sem ceder meu lugar no mundo para outra pessoa.
Tenho medo de morrer e receber de Deus a sentença de já estar morta a muito tempo.
Não termino meus planos, não sigo meus sonhos, deixo que meus medos me dominem.
A fase que não passa. Os remédios que não trazem mais alívio nenhum. O drama que não me faz ser mais engraçada e inteligente.
Meus amigos tem suas vidas, ninguém pode parar e me acudir. Antes os dedos faltavam para contar os amigos, hoje...pois é.Só eu.
Eu não consigo ter orgulho de mim.






Eu não existo.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Querida Yasmin,

( clique na imagem para ler o emocionante comentário de Yasmin.)


Li seu comentário com lágrimas nos olhos, venho passando por um momento muito difícil também, não por causa do amor, pela primeira vez na vida, minha angustia não tem nada a ver com isso. Porém, seu comentário me deu uma grande alegria de continuar lutando.
Quando o texto ''Saudade e Coragem tão próximas'' foi escrito, eu também precisei do apoio de gente que nem sabe da minha existência para conseguir caminhar de novo, de cabeça erguida.
Lia Tati Bernardi, lia Gabito Nunes, lia Caio F e claro, Clarice. Além dos grandes amigos que tenho, esses foram a base forte que consegui me apegar.
Saber que eu talvez seja a base forte de alguém, num momento em que me sinto tão fraca e dependente das pessoas, me trouxe uma alegria que você não pode imaginar, obrigada pelo carinho.
E se me permite uma dica, mesmo sem saber sua história, lá vai :
Siga seu coração, faça tudo para que possa olhar para o passado, um dia, sabendo que o teu melhor foi dado, que a culpa de não ter dado certo, não foi tua. Mas, respeite seus limites, siga o coração mas deixe que o cérebro faça parte da viagem. Eu sou prova viva de que a gente consegue sim, somos fortes.
Um grande abraço cheio de carinho e gratidão, pelo comentário, pela leitura, pelo elogio.
Estou por aqui torcendo que agora você só se identifique com os textos bonitos e leves.
Escrever esse texto foi o único jeito de responder seu belo comentário.


Um beijo, mil beijos.



PS : Esse texto vale para todo mundo que lê meus textos, se preocupa em me fazer saber que gostou, divulga com créditos, me procura via fb ou twitter para elogiar. Podem ter certeza, você fazem uma menina feliz. Obrigada, de verdade !

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Adeus, surfistinha do amor.

O título remete a algo vulgar, eu sei. Talvez eu já tenha sido. Não por dinheiro, mas por amor, por correr atrás de migalhas, mal recompensadas.
Li um livro no fim do ano passado, que no meio dos 300 e vários livros que já li, com certeza é um dos melhores. Uma passagem, me lembro agora, dizia bem assim " Sempre achei que as garotas de programa são as únicas mulheres capazes de entender o verdadeiro significado do amor. Por que ? Simples. São as únicas que sabem a diferença do amor e do sexo."
Bom, guardados meus pensamentos feministas sobre a frase, concordo. Duvido muito que qualquer mulher que já se apaixonou perdidamente e não foi correspondida, nunca se entregou desejando ter uma horinha de quase-amor. Mulheres apaixonadas fantasiam, sonham e se for preciso, se entregam também.
Mas hoje tudo mudou, se havia algum resquício em mim, daquela menina que eu fui, ela juntou suas roupas de garota de aluguel e se foi. Dando lugar a uma menina, quase mulher, que agora conhece o que estar com alguém de verdade. Me sentir desejada, bonita, completa.
Toda mulher tem dentro de si uma garota de aluguel, mas tem também a certeza de que um dia chega um louco, que ensina o que é amor. Que sexo só é bom, se for inteiro, com alma.
Eu amo, eu admito, eu acredito que dessa vez é diferente, e se não for, não tem problema, eu volto aqui e digo que mesmo voltando a ser garota de aluguel, buscando por um pouco de amor, me ensinaram que não se entrega o corpo pra quem não se pode entregar a alma, e que um dia, acolheram minha alma, como se estivesse estado sempre dentro do meu corpo.


Definitivamente, o amor me fez engolir de vez toda a minha dúvida sobre ele. Ainda bem.


Deixo aqui meu adeus, para você, menina de aluguel por amor, nossa relação foi realmente proveitosa, aprendi, mudei. Espero que você não vá por tão pouco, porque ser amada de verdade é melhor que qualquer fugacidade da vida. Boa sorte, espero não vê-la em breve.

sábado, 6 de agosto de 2011

Eu, meus sonhos e hoje.

O hoje chegou para mim como se esfregasse na minha cara que os dias passam rápido, ontem fiz 15 anos, esse ano faço 18.
Percebi que o tempo realmente passa muito mais rápido do que eu gostaria, quando meu primo que nasceu outro dia, veio me contar que anda enamorado de uma guria do colégio.
Meu Deus !
Sempre envelheci mais rápido que todo mundo ao meu redor, nasci velha talvez, acho fácil trocar uma noitada de baladas, por um bom filme debaixo do edredom. Não bebo, se chego depois das 3:00 no outro dia não sou ninguém.
Vestibular : história, letras ou jornalismo.
Mas por favor, eu quero ter dinheiro, quero viajar, conhecer o mundo. Sou mulherzinha também, quando dá pra ser. Bater perna, ver vitrine, comprar maquiagens.
Trabalhar em 3 escolas diferentes para conseguir pagar o colégio dos meus filhos, definitivamente não.
Minha mãe berra do quarto :
- Precisamos de um advogado na família, seu avô já não exerce mais.
40 por vaga, não faço cursinho. Eu choro.
O ENEM no dia do meu aniversário de 18 anos. Como presente só quero ficar calma e quem sabe receber das mãos de um anjo o gabarito da prova.
Queria ser médica, pai.
Não, na verdade eu ia acabar ficando louca, porque ia descobrir que minha segurança de pensar em se eu sentir a minha bobeira, eu posso ir pro hospital, vai acabar, porque vou descobrir de verdade, que quando é para morrer a gente morre.
Você tem medo da morte ? Não sei !
Sua religião não diz que a morte não existe ? É, mas tenho medo de ir embora e não saber pra onde ir, deixar minha mãe sozinha, não ter os filhos que eu sonhei.
Sonhei que eu entrei numa faculdade e comecei a chorar porque haviam várias salas e eu nem sabia qual era a minha, não conhecia ninguém e para os outros parecia tão fácil.
- Quero ajudar as pessoas.
- Psicóloga ?
- Não dá, eu falo demais, meus pacientes vão piorar.
- Mas você bota defeito em tudo.
- Eu já nasci com defeito.
- Drama
- Viver de teatro no Brasil ? pffff.... não sou gostosa para aparecer na novela das 21h.
- Então vive do teu drama, vá escrever...tanta gente te elogia pelo blog, seguidores, comentários.
- Pode ser.

Eu quero prestar vestibular para felicidade, fazer a prova do amor, estar na lista da auto-confiança. Eu tenho medo de ser reprovada pela vida.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Don't panic, just love.

Estava rolando na internet um vídeo da Fernanda Mello sobre a diferença entre a paixão e o amor. Me fez pensar. Ela fala algumas frases bonitas, sobre a gente achar o amor da vida, quando para de acreditar nisso. De paixão, eu acho que eu entendo, aliás, foi por causa da paixão que eu quase parei de acreditar no amor. Chorei muito, ouvi muito John Mayer de madrugada, fui muitas vezes tendo certeza que iria voltar, mas ia mesmo assim, pelo gosto da partida, pela necessidade de fazer pensar que poderiam me perder. Perderam. E mesmo assim, eu insistia em querer de novo, matar um leão por dia, indo dormir sorrindo, mesmo sem saber se o dia seguinte ia ser de ternura ou de rispidez. Tudo bem, eu havia escolhido assim. Era ali que eu queria estar, eram meus minutinhos de alegria, recompensa de semanas de dor, textos desesperados e muita corrida atrás de migalhas. Mas como tudo na vida, esse sofrimento também deu lugar ao vazio e a certeza de um chão firme demais para onde eu queria estar. Voltar atrás já não era mais possível. Segui.
Tentei então, me fazer de esperta, era comum ouvir de mim que de amor eu não morreria mais, afinal, depois de tudo que eu sofri, nada mais relacionado ao coração mexeria assim comigo.
Mexeu. Foi engraçado como a gente se conheceu, aonde qualquer cara poderia ver uma menina desesperada por algum tipo de amor banal, você viu uma menina forte, querendo ser de verdade. Nos primeiros encontros, eu notei que não seria fácil fugir de tudo, com minha tática de fugir do novo, voltando pro velho relacionamento banal. Com você, as coisas não são só diferentes, não é só porque tua paz me encanta que eu fugi de todos os meus medos e disse que te amo. Não foi só porque sua inteligencia pra mim, é a maior do mundo, que eu resolvi que você pode sim ser candidato a passar o resto da minha vida comigo. E não é também porque você sorri tímido e cozinha pra mim preocupado com meus medos e preferências. Eu gosto de você, porque gostar de você não dá trabalho, eu não preciso procurar a cartela para emergências do Rivotril quando você avisa que vem me ver, eu não começo a tremer só de pensar em ter um filho contigo, eu não tenho vontade de fugir da vida, quando você me olha gelado, porque você não me olha assim, seu olhar é terno e você já me viu com medo e quase morrendo, mas mesmo assim não fugiu, você ficou do meu lado e pediu pra que eu ficasse firme, afinal, nosso futuro é lindo, e eu não preciso dizer isso como sonho, viver com você é minha melhor realidade.



Escrevi enquanto ouvia : Snuff - Slipknot

terça-feira, 19 de julho de 2011

O que eu aprendi com a dor.

Exatamente um mês atrás eu comecei a conhecer o que é ser amada de verdade e me fez pensar o que eu aprendi com a dor. A maior das constatações : só consigo escrever quando estou me doendo. Todos os meus bons textos, aqueles que quem me lê gosta, comenta e me procura pra elogiar, são sobre dor, separação e algum tipo de ânimo para recomeçar do zero (de novo!).
Agora, me sinto em falta com a escrita, não que eu preferisse o antes, o vazio, a dor. Agora caminho sobre um chão firme, quente e com muita luz. É melhor do que eu poderia sonhar.
Quanto a inspiração, desejo que ela se aninhe na minha metade feliz, além de ser minha tecla de escape, quando a dor aperta e eu preciso dividir com o mundo minhas lágrimas e angústias.
Além de me sentir bem, com os elogios a mim destinados, por causa dos textos, aprendi com a dor, que as pessoas não devem ser obrigadas a receberem o carinho que não merecem.
Aprendi com a dor também, que sorrir, mesmo quando se quer morrer de chorar, ajuda sim. Aprendi que meus amigos, são os melhores do mundo e que algumas pessoas continuam exatamente no lugar que estavam quando as conheci, na redoma.
Agora, o que eu vou aprender na alegria, na verdade, no amor é ainda um mistério, mas eu estou doida pra desvendar.
O amor chega, invade, surpreende, ensina e faz a gente mudar todos os nossos conceitos.
Hoje, coloco o sorriso mais puro que há em mim e digo pro mundo : toda a dor vem sendo recompensada, todas as minhas expectativas vem sendo superadas. O amor existe sim, nunca mais duvido disso.








Obrigada por me fazer acreditar.



Para ler ouvindo : Gap - The Kooks.

domingo, 3 de julho de 2011

Uma pequena nota sobre nós.

Mesmo com tantos motivos maiores para adorar tudo isso que temos, tantos olhares, carinhos, proteção, fé e o tão sonhado companheirismo, de verdade, dessa vez.
O que mais me encanta nisso tudo, além dos teus olhos me olhando sempre desse jeitinho adimirado, é o fato que eu, pela primeira vez na vida, não preciso inventar amor.
Ouviram senhores ? EU NÃO PRECISO MAIS INVENTAR AMOR !



Obrigada !

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O Encontro, versão dele.

A noite era e não era promissora. Era apenas um evento. "Não tem nada demais prestigiar a garota. Isso pode ser até bom, porque é uma maneira bacana de se conhecer alguém; vendo-a fazer o que gosta de fazer. Isso. Então eu vou. Não vou morrer de vergonha, ninguém morre de vergonha.". São quase sete da noite e o 'espetáculo' começa às sete. "Eu estou a mais de trinta quilômetros dela. Parabéns, seu idiota. Primeira impressão é a que fica. E um primeiro atraso, com certeza vai ficar... Ah, que se foda. Essas coisas sempre começam atrasadas. E ela não deve ser a primeira a dançar. Deus queira que não. Eu preciso vê-la naquele palco. Por mim e por ela. É importante para mim vê-la antes, analisá-la antes. E ela precisa saber que eu estava lá, que eu a vi lá em cima".

Faltavam quinze minutos e eu ainda estava longe. "Anda Rafael, acelera esse carroça. Pelo amor de Deus, corra o máximo que você puder, no limite do seu bolso. Se te multarem, depois eu dou um jeito cara. Mas corre, por favor". Sete horas: praça Raul Soares. Ela já havia me ligado três vezes. E cada uma das ligações soaram estranhamente como um pre-julgamento. Faltava pouco. Alguns semáforos, alguns pedestres, algumas centenas de metros. Faltava pouco. E faltava muito. Faltava calma, faltava sangue, faltava ar. Faltava-me estar lá. "Eu estou aqui na porta esperando você. Anda logo". Eu estava 'andando logo'. E quem disse que o tempo passava normalmente? Quanto mais a porcaria do ponteiro dos segundos andava, mais chão ainda restava percorrer. Sete e dez: "Eu não posso mais esperar você. Vou ter que entrar. Vem rápido".

Portaria. Uma escada, recepção, dois porteiros, bandeirinhas coloridas penduradas por toda a entrada. "Onde é a entrada pro 'festival' de dança?" Eu perguntei já procurando a entrada. Acho que a resposta que eu tive foi um dedo apontado para o meu lado esquerdo, pois não esperei por ela pra passar pela roleta ao lado da recepção. Duas portas grandes fechadas e um silêncio de dar medo. Pensei estar no lugar errado na hora errada. "Merda, já começou e eu cheguei atrasado. Sete e quatorze, quinze, e eu realmente perdi por estar atrasado. Merda, merda, merda!". Olhar para os lados foi instintivo, procurando um jeito de voltar no tempo e atravessar aquela porta. Eu PRECISAVA atravessar aquela porta. Nesses poucos segundos de desespero e ofensas mentais à mim mesmo, uma mulher (que eu não vi sair de lugar algum e também não notei estar lá no momento em que eu entrei) me perguntou o que eu queria. Como assim, o que eu queria? Um pingado e um pão com manteiga? "O que quer que esteja acontecendo aí dentro já começou?"

Não. Essa foi a resposta que eu tive. Mas não foi aquela mulher baixinha que havia dito. Aquelas três letras passaram por todo aquele corredor antes de chegar aos meus ombros. "Não". Eu sabia que era ela. Nunca a vi pessoalmente, mas eu sabia. Antes de me virar, eu já tinha visto aqueles lábios pronunciarem a negativa. Eu já tinha visto tudo aquilo em algum momento. Algum dèja vú. Arrepiei-me por completo. E onde foi parar minha força pra virar e encarar quem havia falado comigo? "É ela". E eu me virei. Linda. Impressionantemente linda. Incondicionalmente linda. A garota era de uma irresistivel beleza. Pertencia àquele tipo de mulheres feitas de mel escuro, suaves e doces, que com um simples balançar de cabelos, um único e suave olhar, dominam o ambiente. E ela estava sorrindo... e eu não conseguia tirar os olhos daquele rosto. "Meu Deus, como ela é linda. Deus, Deus, Deus..". Nunca acreditei tanto em Deus quanto naqueles cento e vinte, cento e trinta e todos segundos. Um abraço, um beijo no rosto [ou seria um beijo na trave?] e um "Vai lá, eu ainda tenho que terminar de me maquiar". Foi o que eu ganhei, de inicio. Ela virou as costas e entrou em algum lugar que eu não pude ver. Tive a sensação de estar parciamente cego. Eu não via nitidamente as coisas à minha volta. Só enxergava aquele sorriso lindo, aquele rosto lindo, aquela voz macia. Aí percebi que estava viajando em meus pensamentos. Eu não estava atrasado. Ainda tinha algo pra fazer. Ainda tinha alguém pra ver. De novo.

Entrei e sentei na primeira cadeira que vi pela frente. Estava escuro e aparentemente cheio. Palco, iluminação, cortinas, pessoas, música; isso eu só fui notar muito tempo depois. Havia um grupo de pessoas atrás de mim, sussurrando e se movendo. "Devem estar fazendo um ultimo ensaio". E foi nessa pequena observação que eu pude notar que todas estavam vestidas da mesma maneira que aquele Anjo lá fora. Cartolas, blusas pretas, sapatilhas e um par de luvas brancas. "Ela tá aqui. Se ainda não tiver, ela vai entrar por agora". Nesse momento, o palco não interessava. Nada havia começado mas as pessoas ficam olhando pra frente, pro palco, na expectativa de não perder nada quando algo acontecer. E começou: Dançarinas do Ventre, Bailarinas, Sapateado... e cada minuto esperando aquele grupo das cartolas aparecer no palco parecia uma eternidade. Eu me embriagava com as imagens recentes cravadas na minha mente: aquele sorriso, aquele rosto, aquele perfume. "Porque logo o cheiro? E porque eu tô pensando nisso agora?"

Começou. Ela estava ali, pertinho da cortina. Haviam mais duas ou três próximas a ela. E mais algumas distribuidas pelo palanque. Sei lá; seis, sete, dez, não me lembro. Prestei pouca atenção no conjunto. O que me prendia naquela cadeira era aquela garota ali do cantinho, próxima ao microfone. Aquela, da expressão perfeita, da mais pura encenação. Lingua nos lábios, lingua nos dentes, o olhar cada vez mais seguro, mais profundo, mais ousado. E do nada, ela some. Era previsto, eu sei. Ela me avisou. Mas por alguns momentos, era como se tudo tivesse voltado a ser como era antes. Sem cor, lento, apático. E ela volta. "Meu Deus, como ela é perfeita". Eu não a vi por cinco minutos seguidos e já sabia do que gostava nela: tudo.

A musica parou antes do fim. "Problemas Técnicos", alegaram. Mas enfim, elas dançaram no final novamente. E ela estava lá, perfeita. A MINHA perfeita. Eu tinha que sair dali com aquela certeza. Eu entrei com ela, eu sairei com ela. Fim de atuações, fim de música. Iniciava-se o espetáculo interior. O meu espetáculo interior. Ela se sentou do meu lado por algum tempo. Ganhei beijos, carícias e carinho. "Pelo menos, ela gostou de mim até agora. Isso é bom". E mais carícias. E eu me afoguei cada vez mais naquele sorriso. Recebi um convite para acompanhá-los - ela, os pais dela e uma amiga - até uma pizzaria e realmente não pude negar. "Não banque o perdido. Você quer? Vá atrás dela e mostre que você quer. Com calma".

Pude perceber que não foi à primeira vista que meus pensamentos se tornaram mais claros e cada vez mais intensos. A tensão do momento nos impede de analisar muitos detalhes, pois sempre estamos prontos para libertar qualquer palavra que sirva como elogio. Não que eu ficasse o tempo todo a bajular, isso não. Elogios vagos não agradam. Mas aqueles 'ahs' e 'ohs' que eu soltava uma vez ou outra, durante nossas conversas, não vieram direcionados totalmente do assunto. Não todos. Prestei atenção sim em cada palavra proferida por aqueles lábios carmesins, bem desenhados e inegavelmente atraentes. Mas não deixam de ser apenas lábios. "Outro ser humano comum em sua frente, seu estúpido. Ela é apenas uma mulher. Não há nada demais entre vocês dois. Vocês se conheceram a pouco. Não vá falar besteira. Não pense besteira. Não se perca. Não se perca..."

E eu me perdi. Graças ao bom Deus, eu me perdi. E o mais importante: consegui me encontrar. Nela.


Escrito por Sílvio da Fonseca, o namorado.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Não vou escrever sobre você.

Eu não vou escrever sobre você, porque sempre que escrevo sobre alguém, o mundo cai e as pessoas somem. Eu não vou escrever sobre você, porque foi tudo muito rápido e parece que te conheço muito mais que mil vidas. Não vou escrever sobre você porque tenho medo de gostar demais de você e a dor vir toda de novo. Não vou escrever sobre você porque tenho medo que você goste demais de mim e que nosso mundo fique distante demais. Não vou escrever sobre você porque você me pediu em namoro querendo que fosse de um jeito mais romântico, sem saber que você já era o jeito mais romântico que eu quis pra mim. Não vou escrever sobre você porque eu que nem sou católica fui a missa pedir um amor no dia de Santo Antônio, porque acredito em santos e 6 dias depois você pediu pra cuidar de mim pra sempre. Não vou escrever sobre você porque você me olha de um jeito bonito, me fazendo acreditar de novo em mim. Não vou escrever sobre você porque tenho medo de você achar estranho ter uma namorada que escreve. Não vou escrever porque de cima daquele palco eu via seu orgulho por mim e ninguém tinha orgulho de mim desde então.
Não vou escrever sobre você porque tenho medo que você descubra o quanto sou estranha.
Não vou escrever também, porque você não acredita que eu posso fazer mal e eu tenho medo de fazer.
Não vou escrever tanto, que já escrevi um texto, já te chamei de meu, já te olhei e sonhei com nossos jantares e dias de sol.
Ainda que eu não escreva, eu sempre vou escrever sobre você. Porque agora você é parte de mim.
E eu não vou escrever que te quero porque te querer é tão inevitável que quase me faz ter medo de te querer demais, ainda que eu saiba que isso não vai estragar tudo, porque pela primeira vez na vida, eu encontrei um homem que não tem medo de mim e é porque você é esse homem que eu quero não precisar escrever, nem pedidos, nem juras, nem promessas. Escrever serve para alimentar os sonhos e eu já encontrei o meu.

domingo, 29 de maio de 2011

Eu sei quem são.

Desde nova eu sabia que não era uma menina comum, sim, a vida já havia me colocado em algumas situações que me exigiram mais maturidade que a maioria das minhas amigas devia ter. Eu também brincava de barbie, fazia festa de aniversário para as bonecas, mas depois disso tudo, tinha que brincar de ser gente grande e começar a entender algumas injustiças da vida. Hoje, uns 10 anos depois, ainda estou na mesma situação, apesar de ser uma adolescente, tenho que concordar quando dizem que minha maturidade está acima de algumas pessoas com quem convivo.
Talvez por isso, eu me sinta muito só, pois exijo dos outros algo que ainda não aprenderam o significado : lealdade.
Não entenderam que ser leal não quer dizer ser preso aquilo ou ser submisso, não entenderam que amizade não tem nada a ver com glamour, não entenderam que juventude não tem nada a ver com obrigação em ser, no dito popular, porra louca.
Começando a exercitar minha capacidade de entender os outros, resolvi que brigar pelo que me deixava com raiva, não iria adiantar de nada, agora eu me calo, e respeito. Um dia a compreensão há de vir.
Alguns amigos para sempre vão embora, alguns amores eternos não se lembram do significado de eternidade e nem mesmo se lembram de se fazer respeitar ou serem educados.
Sento no cantinho mais calmo da vida, para dizer, que de uma vez por todas, eu entendi que não sou geração teen, que meus 17 anos não fazem de mim uma adolescente, se ser adolescente é isso que vocês me mostram.
Alguns dos meus amigos, aqueles que me dão orgulho de chamar assim, ao meu lado sempre, me fazem lembrar que a vida tem salvação sim e que se curtição é antônimo de respeito, eu prefiro mesmo ficar na minha.
Meu significado de amizade é muito diferente que o de muita gente, infelizmente descobri, mas descobri também, que ao meu lado tem muita gente boa, e amigos de verdade, temos poucos, algumas pessoas esquecem de lembrar.
Cuide. É só o que lhes peço.



Para ler ouvindo : Are You Here - Corinne Bailey Rae


Mas e você ? Acredita em você ?
Eu acredito em você !
Colegas eu tenho 20, amigos eu tenho 6
Que eu vejo sempre só 4, que eu posso contar, só 3

Quando eu cair, já era, poucos aí se comovem
Em alma eu vou estar, olhando, tirando a prova dos nove
Alguns vão falar ( volta ), e outros vão dar (adeus)
Mas hoje ainda estou vivo, não vão comer do meu pão
Só quero deixar bem claro, os verdadeiros eu sei quem são
( Samurai- Projota )

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Um desejo, agora.


Eu quero que você fique ao meu lado porque gosta do meu cheiro.
Eu quero que você se lembre de mim, porque ouviu aquela música que você disse que adorava, sem esperar que eu conhecesse, pois ninguém conhecia, e eu comecei a cantar com você.
Eu quero que você bata na minha porta, porque a saudade apertou e não porque a gente marcou alguma coisa, venha livre.
Não quero ser a cura para teu amor errado, quero que você veja em mim, que o passado passou.
Não quero promessas de futuros perfeitos, quero um presente sólido, com carinho e companheirismo.
Não quero ver em você um remédio pra minha paixão unilateral que não passou, quero que você seja a paz e a certeza que ainda existem outros como você.
Não quero ser sua, quero ser minha, mas deixar que você use de mim também.
Não quero ter você, mas quero compartilhar do teu corpo, que tanto me agrada.
Não quero que você acorde no sábado de manhã pensando em ter que me ver, mas em querer me dar um abraço e rir comigo.
Não quero ser um casal moderno, não quero ser moderna, quero ser alguém que você vai lembrar quando se sentir sozinho ou precisar de colo.
Preciso sim, de amor, de romantismo, por isso, não confunda meu carinho com passos apressados para forçar uma situação.
Seja carinhoso, sem esquecer que as regras valem para os dois lados.
Não precisa me contar sobre outras mulheres, nem pensar que me deve justificativas ou algo assim. Somos livres.
Se um dia eu disser que '' eu te amo '' lembra que não quer dizer '' vou te prender ''.
Traduza apenas como '' te quero bem, estou aqui se precisar ''.
Enquanto isso, sorri mais uma vez, pra iluminar aqui e coloca o moletom que eu gosto pra gente rir juntos das piadas que só dois grandes amigos podem fazer.





Para ler ouvindo : You Could be Happy - Snow Patrol

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Convite.

Queridos leitores,
achei nos guardados de minha família, 3 diários de minha bisavó, e lendo eles, vi que ela tinha um sonho de publica-los.
Resolvi fazer um outro blog, para transcrever as páginas, e ajudar a realizar este sonho, aonde quer que ela esteja, espero que esteja feliz.

Quem quiser me acompanhar nesta viagem ao tempo, o endereço é :

Um sonho de Bisa


Não abandonarei vocês, caros amigos de Clarice, continuarei postando aqui, assim que tiver textos novos.

Um beijo, mil beijos.
Adriana.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Tem, mas acabou.


Sim, este é mais um dos meus textos sobre você.
E ainda assim, mesmo depois de alguns meses ou mil anos, agora que somos estamos tão perto e tão longe, num clichê maior do que essa frase, eu não sei o que sentir por você.
Quando a vida me esfrega na cara que não é mais por mim que seu sorriso se ilumina, sinto raiva.
Quando te vejo, lindo, rindo, me esqueço das noites e dos dias em que tive certeza que não era você, e te amo de novo.
É vida diante de mim, é você seguindo, é você que nem se lembra mais das nossas risadas, sou eu te esquecendo, sou eu sentindo ciúmes do que nunca foi meu. Sou eu mostrando pra mim, pra você, pro mundo, que não sou adulta o bastante pra te ver no alto de outro pedestal, que não o meu.
Sou eu querendo ver você, cheirar você, beijar você e ao mesmo tempo querendo que você suma pra que eu não lembre mais, mesmo sabendo que não adianta nada.
Minhas recaídas de amor são como aquelas folhas que a gente brinca de fazer rodopiar no ar, elas giram e são lindas, mas todo mundo sabe que vão pro chão, que nenhuma dura no ar mais que 15 segundos.
É isso, são os meus 15 segundos de amor, quando eu te vejo, quando lembro. Mas depois passa, depois morre, depois você volta a não ser nada, como eu aprendi a não ser.
Ainda assim, eu te amo. Ainda que você e todo mundo me odeie por te amar, me fale que você não está nem ai pra mim.
As pessoas me perguntam :
- Por que ele ? Já que ele foi embora sem nunca ter sido ?
Porque ele era desafio, era medo, era felicidade, era tesão, era a vida gritando que eu não era o centro do mundo mas que enquanto você estivesse do meu lado, eu podia ser.
Ninguém entende, meus amigos perguntam se é falta de amor próprio, você me olha quase que com pena, com aquele sorriso de canto de boca, suas meninas me acham babaca.
Bem vindos ao meu mundo real, sou eu quem crio as regras aqui, e ainda que eu passe dias felizes quando não te amo, quando preciso de alguém pra não sentir vazia demais, lembro de você, chega a ser egoísta, não te quero de volta, só quero poder gostar de você.
Não existe mais chorar, não existe pensar em ninguém, não existe acreditar no amor. E preciso que você exista pra que eu não me sinta cinza, mesmo quando sei que não gosto de você, não gostar de você é pior que tudo isso.
Quando outra pessoa existe no meu mundo, sei que quando ela for embora, posso voltar pro meu mundo de não-amor por você. O teu frio, o teu chão incerto é agora o meu refugio, o meu cantinho feliz.
John Mayer vai explicando pra mim :

" Friends, lovers or nothing
There can only be one
Friends, lovers or nothing
We'll never be an 'inbetween'
So give it up."




Qualquer outra coisa que não é sim é não, qualquer outra coisa que não é ficar é ir, qualquer coisa menos que "eu amo você" é mentira.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Sol do Sul.

Ontem eu lia um livro de significado de nomes que minha mãe comprou quando estava grávida de mim, e vi o teu nome nele, com o significado de Mensageira, e não sei se sua mãe sabia dele quando te batizou, mas ela acertou em cheio, pois você sabe tão bem usar as palavras e levar elas às pessoas como uma mensagem que diz : " você não está sozinha nesse mundo que às pessoas teimam em fazer frio, eu estou aqui, também sou intensa."
Pra mim, você além de ser uma escritora incrível e uma das minhas blogueiras favoritas, é também, com muito orgulho, uma amiga.
Nossas histórias que se fundem, deixando claro que nós seremos lembradas como mulheres de verdade, inevitavelmente num futuro próximo ou distante de alguém que não enxergou ou quis enxergar isso.
Admiro sua garra e sua vontade de correr atrás de seus objetivos, me espelho nisso também, quando perco o fio da meada e quase desisto dos meus sonhos.
Seu rosto de menina, corpo de mulher e cabeça cheia de bom gosto, bom senso e inteligência, com certeza despertam a atenção de muita gente e você mesma sabe que é o sonho de muito rapaz por ai.
Porém, mesmo que nunca conversou contigo, sabe que o amor é fundamental na sua vida, então, minha amiga, te desejo, que nunca lhe falte amor.
Obrigada, não só por mim, mas por todos que te lêem, por compatilhar seus sonhos, pensamentos e alegrias, obrigada por ser você.
Camila Paier, guardem esse nome, é uma estrela pronta pra brilhar. E brilhe Camila, estou aqui, há alguns quilômetros de distância torcendo por você e cheia de orgulho, pronta pra um dia tomar aquele chá e falar dos nossos amores.
Quanto a mim, continuo no meu casulo esperando para poder desabrochar. Se precisar, venha trazer seus lindos cabelos loiros para passear na minha cidade, na minha casa, estou aqui pra você, sempre.


Para minha querida amiga escritora : Camila Paier.
Visitem : Calmila


Para ler ouvindo : Shoulder To Shoulder do Little Joy.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Bom.

Sempre tenho dificuldades imensas em arrumar títulos para meus textos, mas com esse foi diferente, resolvi falar de você e a primeira palavra que me veio a cabeça foi bom. Mas não bom de bonzinho, bobo e sim de puro, simples e de verdade.
Quando a gente se viu, eu ainda guardava comigo a dor e uma certeza que todos os caminhos só me levavam a sofrer. Quando você sorriu para mim, a primeira vez, os carros, os ônibus, as pessoas, tudo deveria ter parado para ver seu sorriso de mil kilômetros derretendo o gelo que eu queria impor ao meu coração que já havia dado mil provas de que só é fogo.
Minha primeira frase foi pra te avisar que eu estava ali rompendo barreiras do meus medos, que pra você soavam só como uma saída. Deu tudo certo, afinal o ponto era perto e seu sorriso tava ali comigo.
Eu tagarelava sem parar enquanto você ria das minhas piadas bobas e de repente tudo parou de novo, seu beijo era doce, quente, calmo e terno e parecia que a gente se conhecia a mil vidas, a gente ganhou paz e fugiu do mundo, implorando pro mundo fugir da gente.
Você falava e eu olhava pedindo aos meus olhos que gravassem teu jeito de levantar a sombrancelha e me beijar a bochecha com carinho enquanto eu contava algo também.
A palavra que me definia era aquecida, o que era incrível depois de meses amarrada e guardada num congelador, alguém só queria estar perto de mim.
Me sentia menina perto de você, e antes que isso pareça ruim, foi a melhor coisa que podia acontecer, eu era de novo leve, pura e cheia de esperança que existissem corações ainda preocupados em pulsar no compasso de outro coração e não de bater no de ninguém.
Te olhar era bom, mesmo sabendo que você não era meu, era bom ser só mais um casal feliz que anda de mão dadas ou toma café numa dessas cafeterias charmosas, falando de coisas igualmente doces.
Mesmo que a partir de agora as tardes não prometam uma ligação tua, mesmo que a história que eu queria seja só mais um roteiro que eu escrevo pra outra pessoa, você me mostrou que ainda existe homens de alma, que o mundo não está perdido, que o amor tem chance sim, e eu também.
Você existe e isso é tudo !



Para ler ouvindo : Do you love me still - The Kooks

domingo, 20 de março de 2011

Fogueira

Já estava certa que a grande fase do amor unilateral da minha vida, havia passado, no entanto me vi de frente com uma solitária verdade : ninguém havia muito tempo se apaixonava por mim.
Quando a gente escolhe não ser superficial, escolhemos também todas as verdades profundas que chegam com isso, paixões pela metade e amores em preto e branco não servem.
De repente, me vi diante de algo maior ainda : para os últimos 5 caras que passaram na minha vida, pelos quais eu me apaixonei nos últimos 2 anos, eu fui só a menina legal, carinhosa e bonitinha que eles ficavam enquanto a menina certa não chegava.
" Legal ficar contigo, mas sabe como é né ? Eu gosto de fulana, não se apega, você é uma menina legal, não quero te fazer sofrer, quero ser seu amigo."
Sofri, me culpei, coloquei a culpa em todos os problemas que eu podia inventar e vi que aceitar era minha única alternativa. Mas que raio de paixão é essa que não dá esperança, espaço e sonho ?
Teve aquele outro também que fazia de tudo pra eu olhar pra ele, e quando conseguiu, simplesmente achou que " na verdade, não é você, sou eu, estou em uma fase que não posso te dar a atenção que merece, mas gosto muito de você, quero continuar mantendo contato."
O problema devia ser comigo, mas não consigo aceitar ter que ser de mentira, e jogar e mentir pra conseguir o desejado mistério que faz com que os homens olhem querendo descobrir, cuidar, colocar na sua vida e sua cabeça.Pessoas chatas pagam o preço por serem assim, mas as legais também pagam o preço de serem queridas e só.
Enquanto isso, a gente romantiza os olhares, os abraços, os telefonemas que muitas vezes nem são traduzidos só em sexo, mas em passar o tempo, se aquecer pra não estar frio demais quando o amor chegar.
Ainda que lareiras e fogueiras sejam confortáveis e aconchegantes, quando não bem apagadas, elas podem causar grandes estragos.






Para ler ouvindo : All We Ever Do Is Say Goodbye - John Mayer

domingo, 6 de março de 2011

Felicidade Mascarada : A turma do momento.

Conheci a turma do momento, pessoas lindas, animadas, financeiramente equilibradas, gosto musical relevante e um péssimo hábito que as pessoas felizes por obrigação carregam : uma tristeza disfarçada em deboche e egoísmo que faz com que qualquer ser humano com um pingo de sensibilidade se sinta no lixo ao lado deles.
No começo era só respirar fundo e concentrar no foco, milhares de momentos de enjôos mas nada que no final não ganhasse o brinde certo pra compensar.
Tudo bem, aos 15 anos é normal chamar a turma pra ''causar'' , só que passado disso, a disposição e a felicidade mascarando uma falta de confiança em si, começa a soar como problema.
As regras são : não fique triste jamais, pois tristeza é coisa de quem sente demais, e sentir demais não é permitido quando se está sóbrio.
Vamos todos nos abraçar e comemorar ( com álcool, claro.) sermos felizes. O quê ? Você não acha que somos felizes só porque somos vazios e superficiais ?
Fique mais um pouco e tentamos colocar na sua cabeça que você é só uma menina boba que ainda não aprendeu que a juventude é isso.
A turma do momento também abomina pessoas de verdade e nem vou me exceder em falar da guerra que tem contra a turma do pessoal que também bebe, também brinca com a vida, mas com o diferencial que não quer ser o rei em cima da humilhação de ninguém, essa turma, pra eles são os que ainda não saíram do maternal.
Vamos com calma, a turma do momento, quando ofendida, mostra uma união repentina e sem fins lucrativos para se dizer a vítima de uma conspiração invejosa. Afinal, quem aqui não quer pra si uns amigos assim não é ?
No carnaval, a turma do momento está na moda, suas máscaras ganham qualquer concurso de felicidade impecável, porque ninguém fica pra ver a noite de quarta-feira de cinzas.
Um dia as máscaras caem e cuidado crianças a turma do momento é sedutora, mas não aquece.
Sortudos somos nós que celebramos o que não entendemos, do nosso jeito e de verdade.
Ser diferente não dói.


E quem me ofende, humilhando, pisando,
Pensando que eu vou aturar...
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar


Para ler ouvindo : Tô me guardando pra quando carnaval chegar - Chico Buarque

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Real Love.

Eu era uma menina de 11 anos, chegando a um lugar novo, aonde o máximo de pessoas no meu dia-a-dia eram meus pais e avós. Deus, acredito eu, sabendo que sem você eu não aguentaria passar por um final de infância e um começo adolescência bem conturbados, me mandou você.
Da paz que você me proporciona, eu entendia desde o começo, pois não foram poucas as vezes que busquei e ainda busco solução para minhas loucuras, no teu sorriso. Seus elogios, são diferentes de qualquer um, afinal você me conhece tão melhor que muita gente que me vê toda hora e todo dia.
As dúvidas sobre qualquer assunto, quando as conto para você, deixam de ser dúvidas e me impressiono com tamanha facilidade em me dar os melhores conselhos e entender meus problemas.
É engraçado hoje em dia, ler meus diários da época em que a gente se conheceu e ver como eu era tão imatura e menina, sem você.
Se existe alguém no mundo que merece que eu agradeça por eu ter chegado até aqui sem pirar, esse alguém é você.
Sobre proteção, falo pouco, afinal está claro (e as vezes até chato, não é ?) minha vontade de te proteger, te acolher dos maus do mundo e te abraçar todo dia, te lembrando que meu amor por você, ainda que eu ame todas as minhas amigas, não se compara a nenhuma delas, você é parte de mim.
Estive pensando que te desejar feliz aniversário, feliz ano novo e feliz natal, ficou meio clichê, afinal, é só olhar nos meus olhos que tu vai entender que o que eu te desejo não é só um dia ou um ano feliz, mas sim, uma vida ou mil vidas cheias de amor, felicidade e muita luz, afinal é esse o teu legado, levar luz as outras pessoas, eu sou uma delas.
Ainda que a gente more numa distância menor que 20 passos, mesmo assim, a rotina e a correria dos dias, faz com que a gente não se fale alguns dias, mas, o amor só cresce e a cada vez que temos uns minutinhos para contar as novidades, eu tenho certeza que te chamar de melhor amiga, foi a melhor escolha que fiz.

Ainda que seja clichê : Feliz Aniversário, eu amo muito você.


Para Amanda Chagas, a melhor parte de mim.

Para ler ouvindo : Real Love - Jack Johnson

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Stop

Não sei se alguém tem tanta dificuldade em aceitar alguns fatos como eu, desistir das pessoas é um deles, com isso, sempre fico com aquele gostinho do medo, medo de ser chata, infantil ou imatura.
Bom, talvez se eu direcionasse toda essa força que faço pra insistir na gente, para os meus estudos, eu seria a melhor filha do mundo e uma aluna exemplar. Mas não é assim.
Aceitamos qualquer conseqüência dos nossos atos e os meus me fizeram chegar ao ponto de ver você se apagando em mim, sem poder questionar. Até o corpo já sabe o que o que o coração teima em esconder.
Todos temos direito de uma boa mudança para alimentar as esperanças de um ano novinho em folha, só que as pessoas esquecem de avisar quando elas mudam para pior.
Mesmo sendo eu a rainha "drama-sentimental", estive pensando que as pessoas tem mesmo razão quando dizem da tua sorte ao ter me encontrado, pois me orgulho do título, mesmo que tenha sido ele que nos trouxe até aqui.
Concordo contigo que acabar não significa que não foi especial, acabar só significa que uma das partes, não se importa mais em ser.
Sei da minha falta de credibilidade em desistir, pois são alguns bons meses desistindo e voltando atrás, mas desta vez o diferencial é que você não é mais o mesmo e eu olhei pra dentro e vi um vazio que a muito não me acolhia no seguro de não querer ninguém.
Eu sabia que implorar amor era pecado, daqueles mais feios, contra o amor-próprio, mas resolvi tentar e chega ao fim hoje a era do "please, will you still love me."
Aprendi que castigo por implorar é mais profundo que o já esperado desdenho, ele vem acompanhado de se sentir num eterno repeat, e a mesma música diversas vezes faz com que a gente tome preguiça dela, dei stop antes que um de nós jogasse o cd todo no lixo.
Tudo bem, não tenho a pretensão de te esquecer de hoje em diante e olhar pra ti como se nada tivesse acontecido, só fico feliz em já poder olhar e conseguir ver um passado gostoso e não um presente mal resolvido, sem futuro, com fim já anunciado.
Quanto a você, continue bem a vontade, mas desejo que consiga me ver também como uma lembrança feliz e não como mais uma ameaça de passado revirado.
Se eu aprendi a voar com você, hoje só me resta bater asas.



Para ler ouvindo : JOHN MAYER - DAUGHTERS

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Do teu lado eu não saio

Minha querida melhor amiga, venho por meio deste local aonde você me encoraja sempre a colocar tudo que sinto, sob qualquer condição pra te dizer algumas coisas, nesse dia tão importante.
Engraçado me lembrar quantos anos estás fazendo hoje, afinal, mesmo com o rosto angelical, tua maturidade me faz pensar que és passageira do bonde da vida a mais tempo, parabéns, não só pelo dia, mas por ser quem você é.
Nós conhecemos a uns 3 anos não é ? Já passamos muita coisa juntas e meu carinho por você foi imediato, sei que o teu também, afinal, mesmo que fiquemos um tempo longe ou façamos outras amizades, melhor amiga é para sempre. E eu sempre vou amar as minhas duas com a força de cada batida do coração.
Anna Paula, parabéns por ser essa grande mulher, aonde eu procuro sanidade quando a mesma me falta, quem dá apoio as minhas loucuras me lembrando que só vale a pena que eu esteja feliz.
Que você não perca sua essência nunca, afinal é ela que te faz amanhecer brilhando mais forte a cada manhã.
Lembre-se, quando precisar, que eu deixarei tudo, pra te resgatar de volta pro meu mundo, se for necessário e que eu sempre estarei do teu lado.
Feliz Aniversário, não preciso desejar as coisas clichês que todos desejam, afinal, você sabe que eu só quero o teu melhor.
Lembra também que " admiro o que há de lindo e o que há de ser você."


Um beijo do tamanho do teu coração, eu sei que é bem grande.
Eu te amo !


Para ler ouvindo : Menina do Balaio - O Teatro Mágico

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Duas praças, nós dois.

O ano é novo, a paixão é velha e o coração continua o mesmo João Bobo de sempre quando o assunto é você. Vi você longe, mesmo cara-a-cara comigo, ali quando pela milésima vez meu coração se rendeu ao nocaute e eu prometia mentalmente a todos os rostos desconhecidos daquela praça que haviam acabado as chances que eu te dava mesmo sem você pedir ou querer. Fácil não foi, afinal você e fácil são antônimos desde sempre. Meus dois amigos íntimos que ali estavam, me abraçavam como se quisessem me lembrar que eu sairia viva daquela situação. E eu saí. Resolvi que com o ano que terminava, deixaria ir embora também as lembranças e a saudade que eu ainda alimentava por você. Os dias iam passando, você passava também. Até que num dia que talvez fosse o seu dia de sorte, você resolveu voltar atrás, com teu jeito de pedir desculpas sem pedir e meu jeito de aceitar, deixando claro pra você que sim, eu sou mais tua que a normalidade é capaz de descrever.
Propus uma visita, qualquer desculpa como "um beijo de boas festas". Antes de vir me dar o prazer de ter prazer comigo, você quis saber se não estaríamos mais uma vez batendo na tecla viciada das histórias sem futuro e prestes a começar tudo de novo, afirmei que não, pra me fazer lembrar também. Então você se rendeu, afinal somos os dois livres e afim de algo que conquistamos intimidade suficiente para fazer sem precisar de maiores enrolações.
O ano em que a gente se conheceu, acabou e é ano novo agora, talvez o coração arranje algo novo para querer também. Engano.
Pois nos vimos lado a lado de novo, sai de onde estávamos e um cara que estava me olhando no bar, saiu logo atrás de mim e foi chegando perto, o que o cara não sabia é que as chances deu olhar pra ele ou pra qualquer outro cara que ali estivesse haviam sido extintas quando você pensou em sair de casa pra ir pra aquele bar. Do outro lado da rua, você vinha ao meu encontro e compartilhavamos um sorriso de crianças fazendo arte mais uma vez. Depois de 5 minutos de conversa, beijei você e ficamos ali abraçados, contando segredos e matando saudades. Vivendo de agora, ainda só pelo fim daquela noite, eu estava no posto que mais me agradava ocupar : eu era de novo a sua garota, mesmo sabendo que o dia seguinte chegaria levando embora meu doce cargo. Nunca quis tanto que uma noite demorasse a acabar.


Para Ler ouvindo : Eu, você e a praça - Zeca Baleiro