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quinta-feira, 19 de setembro de 2013




" Mas então, numa quinta-feira a tarde, de um ano qualquer, tropeçamos nesse amor já supostamente esquecido e percebemos que amor igual não há e que aquela pessoa continua e continuará a ser nossa referencia afetiva mais sincera e profunda. Não é doença nem obsessão. Alias não é nada, só amor. Amor dos bons, daqueles que são únicos e maravilhosos, que acontecem poucas vezes na vida das pessoas. Daqueles amores que ficam e que teremos que conviver com ele como algo concreto e parte de nossas vidas.
(...)  Nenhum sentimento é mais lindo, profundo e transformador que o amor. "




Feliz Aniversário!!!!

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Feminista, eu ?


 “Não se nasce mulher: torna-se.”

Esta frase célebre da Simone de Beauvoir me fez pensar em quando comecei a me identificar com o movimento feminista, no porquê fui a única da sala a ter coragem de levantar a mão quando o professor perguntou quem era a favor da legalização do aborto e tantas outras discussões do tipo, que nem sempre me envolvem mas faço questão de opinar.
Já contei um pouco da minha história no outro post sobre o feminismo e a liberdade (clica aqui pra ver) mas ainda assim não sei o momento exato que me interessei por ser livre dos padrões machistas e religiosos da sociedade.
Muito mais que convites pro farmville e amigas me marcando em fotos em que saí estranha, o que mais me irrita no facebook são as mulheres que curtem blogs do tipo ''o macho alfa'' e ''testosterona''. As mesmas mulheres que curtem quando os caras falam que se a mulher quer um cara bacana não pode pensar em sair pra dançar e beber. Afinal, mulher não pode beber e dançar sem que seja pra provocar um homem, né ?
A constituição machista tem como lei número um : ''mulher não pode gostar de sexo. Mulher faz sexo por obrigação''
O engraçado é que proporcional ao meu interesse pela causa feminista, a minha preguiça por algumas pessoas aumentou. Eu tenho preguiça de gente. De gente bitolada.
De gente que grita que é amor livre mas trata o outro mal. De gente que chama a moça do vestido curto de puta mas só aceita sair com cara que tem carro e com mulher de bunda grande. Preguiça de gente que acha graça em cantada na rua e acha que ofensa homofóbica no futebol não é nada demais. Preguiça de gente que acha que meu time ter lançado uma camisa rosa me ofende.
Talvez por isso eu fique tanto sozinha. E ficar sozinha quer dizer não aceitar alguém que acha que transar no primeiro (ou no terceiro) encontro é motivo pra me perguntar se achei minha ''fulana'' no lixo.
Não sei se eu faria um aborto. Mas sei que toda mulher deve ter direito a escolher o que acontece dentro do próprio corpo. Aonde a vida começa ?
Também sei outra coisa: A culpa nunca é da mulher que sofre uma violência. Não ensine a mulher a ter medo, ensine o homem a não estuprar.
O machista não é só quem bate em mulher, não é só o velho que diz que lugar de mulher é cuidando do marido e o patrão que só contrata mulher (e gostosa!) pra secretária. Pra cargo alto ? jamais.
Um cara veio me dizer que a pessoa pode  querer igualdade dos sexos e não ser machista. Ora, se é só a igualdade dos sexos que o movimento prega, o que seria diferente disso ? Um outro disse ''mas você não é daquelas que odeiam os homens e não raspa o suvaco não, né ?''  A sociedade é doente em relação ao respeito com as mulheres. 
A mulher que transa e engravida, é vagabunda, o homem fez seu papel. A mulher que foi estuprada, devia estar na rua tarde da noite, o homem com certeza foi provocado por uma saia curta demais. A mulher que não segue os padrões de beleza, com certeza não gosta da fruta. Ah, o machismo... escondido no nosso dia-a-dia e a gente quase não percebe. Porque mulher tem que se dar valor, afinal, qualquer mulher que só faz o que quer, não tem valor nenhum. Li em algum lugar que “Feminismo é a ideia radical de que mulheres são gente”. E gente que sente, que tem tesão, fraquezas e calor. Gente que existe.
Que mal tem uma página de ''humor'' fazer uma piada com lugar de mulher ser na cozinha, falar que mulher só gosta de dinheiro, que só serve pra limpar e arrumar ? Se você acha isso uma piadinha de mal gosto, dá uma risadinha e muda de site, não posso te obrigar a entender que tem gente que sofre de verdade por isso. Que não tem escolha. Mas e que não vê como brincadeira ? A internet é um caminho sem volta, não se escolhe como as pessoas vão interpretar aquilo que você escreveu no seu blog de Macho. Não se pode regrar as atitudes do que você escreveu para fazer gracinha. Mas eu posso te achar idiota por escrever ou por curtir a página do blog. Escolha minha.
Enquanto isso, eu vou ficando sozinha, com preguiça do paradoxo que é uma mulher querer ser livre mas dizer que não é feminista. Também é por você.
A minha saia curta, o meu decote não tem nada a ver com se você consegue se segurar nas calças. Eu escolher se quero ou não transar com você hoje, não tem nada a ver com quantas vezes a gente já saiu, mas sim com a minha vontade. Eu não preciso me valorizar, eu já nasci com valor.

domingo, 18 de agosto de 2013

Querido diário,

Hoje foi um dia bom. Hoje. Ontem foi um daqueles nublados e com gosto de descrença, medos e inseguranças. Mas hoje foi um dia bom. Hoje eu senti sono sem culpa e andei de mãos dadas sem expectativas. Ontem eu sofri por não ser adorada e questionei se meu lado engraçada não era inconveniente, mas em dez minutos voltei a fazer piada das pequenas tragédias diárias da vida. Ontem minha mãe teve febre e eu tive que sair mais cedo da aula com cheiro de chuva e solidão. Hoje, eu por duas horas, deixei de ser hipérbole e fiz um eufemismo de mim, com o qual eu convivo melhor a cada dia. Ontem eu não chorei como sempre choro por não se boa o suficiente. Hoje eu vou dormir sendo mais feliz. Hoje eu descobri que sinto nojo de algumas pessoas pelas quais já chorei, mas isso não me faz mal, olho pra trás e vejo que estão cada vez piores do que quando as deixei. Hoje tem biscoito de chocolate, iogurte de mel e suco de uva. Hoje tem eu sozinha e eu feliz. Felicidade é como tudo que é bom, engorda.







(PS: fico muito feliz com a quantidade de recados e emails elogiando o tumblr. A playslist sou eu purinha e as fotos um misto de todos os eus. Pra quem não conhece, clica aqui. Lá tem todas as fotos das postagens, as músicas dos textos e mais um monte, pra ver a playlist toda é só clicar nesse botãozinho do lado da barra de volume no player. Muito obrigada por sempre)

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Treze vezes amor.


Eu não sei direito nem quando e nem onde começou, nem sei também porque ficou assim, maior que eu e minhas certezas do certo e errado. Quando dei por mim, ele estava ali, sentado em meu peito : gigante, bonito e alvinegro.
Aos 11 anos, eu gostava de um menino cruzeirense, que um dia me disse que eu ficaria perfeita se torcesse pro time azul. Cheguei em casa, subi na cama e pensava em recolher a bandeira do galo estendida no quarto, quando meu pai, que nunca foi muito fã de futebol, me perguntou o porque daquilo. Eu, com a voz embargada e tomada por aquele sentimento que todo mundo conhece, o de querer ser perfeita, disse :
- Acho que vou virar cruzeirense.
Ele riu, chamou minha mãe, contou a novidade e ela duvidou. Depois me disse :
- Quando foi que você virou atleticana ?
Eu não soube responder direito e disse meio sem pensar :
- Eu acho que nasci assim.
Ele não precisou falar mais nada, eu entendi que algumas coisas a gente não consegue mudar. É de sentir e só.
Era o hino do Galo que me arrepiava, eram os jogos do Galo que eu gostava de ouvir, sentada no chão da cozinha da casa da minha vó. Era por causa do Galo que eu havia entrado pela primeira vez no mineirão lotado. Não ia dar pra mudar, o menino que se acostumasse com isso.
Um ano depois, o Galo foi rebaixado e ele me perguntou se ali, eu não pensei em mudar de ideia e enfim passar pro lado dele. Mas dessa vez, nem questionei, que fosse pra série B, C, D, Z. Era pelo Galo que o coração batia mais forte, na alegria e na tristeza.
Quando se gosta de futebol, você reconhece uma vez só por quais cores seu coração vai vibrar, o meu escolheu o preto e o branco e naquela altura, oferecer um azul ou qualquer outra cor, era ofensa.
Com 15 anos, conheci uma galera que me mostrou e mostra todos os dias, um pouco da paixão da torcida atleticana e me faz sentir orgulho de pertencer a uma nação que conhece o amor. É isso, o Galo é amor. Eu não poderia escolher outra coisa que não fosse amor.
Mas mesmo depois de tudo isso, foi no dia do jogo contra o Tijuana, quando o juiz deu penalti a favor do outro time, que eu entendi o que o Atlético representa na minha vida. O medo e a fé se misturaram dentro de mim, fechei os olhos, lembrei de Deus, do amor, dos meus amigos, de como o título era importante pra gente e ao mesmo tempo se aquela bola encontrasse a rede, iríamos ainda assim apoiar o time e amar, acima de tudo. Era ali que tudo fazia sentido. Ser atleticano não é uma escolha.
Os gritos de felicidade invadiram meu ouvido e eu cai no chão, entendendo que tinha dado certo, meu coração pulava como se não fosse aguentar e eu gritava muito. Olhei para meus amigos e eles não acreditavam, e como num pacto de amor, nos abraçamos. Aqui é GALO! Essa era a única certeza da minha vida ali. Dessa vez, quem quase morreu no Horto fui eu.
Abracei algumas pessoas que não conheço e demorei muito tempo para voltar ao normal. Sentada, na arquibancada, foi preciso que o policial me avisasse que as portas estavam fechando, eu precisava sair.
Ali o universo começava a mostrar pro mundo que esse ano, era o ano do Galo.
Não veio fácil, não viria se tratando da gente, mas que seja assim, melhor na raça, no suor e nas lágrimas do que parecer sem humildade, cheios de vaidade, pois não temos nada em comum com o lado de lá.
E talvez seja por isso que nossa fé é tão grande, pois é melhor dizer Eu Acredito do que gritar Eu Já Sabia e depois perceber que só com humildade e respeito se conquista o mundo. Nós acreditamos nisso, a América já é nossa e queremos mais, quem acreditar, que venha com a gente.



Obrigada a cada jogador que honrou essa camisa, obrigada aos que acreditaram comigo, obrigada aos que não acreditaram pois o gosto do ''cala a boca'' é sensacional, obrigada aos meus amigos do Pagode do Galo que além das risadas e brincadeiras, compartilham desse amor comigo. Obrigada aos amigos da sala que me aguentavam insuportável em dia de libertadores. Obrigada aos vizinhos por não me expulsarem do bairro. Obrigada os cruzeirenses que tentaram me fazer temer a derrota. Obrigada a Raquel e ao Michael, em especial, por fazerem daquele jogo contra o Tijuana, um dia de amor à parte. Obrigada a Karla por dividir a família e o sofá comigo. Obrigada a Cris por existir assim, tão parecida comigo, no amor e nas raivas. Obrigada por esses 14 jogos com amor e por todos os outros que passaram e pelos que virão.
ObriGALO ao ano de 2013. 

Eu acredito !!!



sexta-feira, 19 de julho de 2013

Codiforme



Codiforme (adj.) : Que tem forma de coração


Sou filha única. Cresci rodeada de mimos e certezas de como a vida podia ser bem mais perigosa do que cair da rede aos 7 anos e quebrar um dente da frente. Minha mãe apavorada em acertar sempre, acabava por me assustar com seus próprios medos, que me custam umas horas de terapia até hoje. Não digo isso em tom de reclamação, já amadureci o suficiente para aceitar que meus pais não nasceram para ser pai e mãe mas mesmo assim me receberam com o amor e a serenidade que possuíam.
No meio disso tudo, um quase-avó que fazia todas as minhas vontades. De buscar um yakut ás 4 da manhã até comprar 3 sacos de batatas chips porque eu queria as figurinhas que vinham no pacote. Muitas incertezas marcaram minha infância.
Quando eu soube da sua existência, ainda um pontinho na barriga da minha prima-irmã, o mundo em que eu estava acostumada começou a mudar. A família apostava no meu ciúme doentio de neta mais nova tendo que conviver aos 12 anos com um bebê em casa. Eu surpreendi a todos, até a mim mesma, te amei com todas as forças do meu coração, desde o primeiro segundo, quando te vi, tão pequenininho e sereno, deitado no berço e me olhando sem saber que era você o motivo da minha fascinação.
Era a vida comprovando que ainda existem razões para o amor renascer.
Descobri que você tinha mais de mim do que eu imaginava, quando você ganhou uma festa surpresa de 6 anos, dos amiguinhos que adoram a sua companhia, mesmo sem ainda entender o significado de amizade. Todo mundo diz ''falante como a madrinha''. Eu me encho de orgulho. Já sei pra quem passei a herança do amor.
Quando nossa dupla de carinho ganhou mais um elemento, eu pensei que você fosse sentir ciúmes e me certifiquei de lhe fazer entender que o irmãozinho que você ganhou era amado demais, mas que você também sempre seria. Bobagem a minha, você já sabia de tudo e acolheu o irmão como nunca vi outra criança fazer. Hoje, o Theo aos 3 anos de idade, já sabe quem é o ídolo dele.
Claro que você tem suas birras e levadezas, aos 7 anos eu também dava trabalho e já tinha sido expulsa de um colégio.
Mas ver vocês dois, descobrindo cada passo do mundo, que eu ainda também estou descobrindo, me enche de vontade de viver. E isso é a melhor coisa que alguém podia fazer por mim, além daquela velha mania de me lembrar quem eu sou, que vocês também colaboram.
Penso no dia em que vocês vão começar a sair para baladinhas e torço para que não conheçam ninguém que eu não aprovaria, me vejo uma velinha quando penso assim, mas não consigo ser diferente. Hoje entendo a minha mãe.
E por falar em mãe, quando penso em ter filhos, só desejo que eles sejam assim, iguaizinhos a vocês.


Com todo o meu amor e minha dedicação, sempre ao lado de vocês.