sexta-feira, 19 de julho de 2013

Codiforme



Codiforme (adj.) : Que tem forma de coração


Sou filha única. Cresci rodeada de mimos e certezas de como a vida podia ser bem mais perigosa do que cair da rede aos 7 anos e quebrar um dente da frente. Minha mãe apavorada em acertar sempre, acabava por me assustar com seus próprios medos, que me custam umas horas de terapia até hoje. Não digo isso em tom de reclamação, já amadureci o suficiente para aceitar que meus pais não nasceram para ser pai e mãe mas mesmo assim me receberam com o amor e a serenidade que possuíam.
No meio disso tudo, um quase-avó que fazia todas as minhas vontades. De buscar um yakut ás 4 da manhã até comprar 3 sacos de batatas chips porque eu queria as figurinhas que vinham no pacote. Muitas incertezas marcaram minha infância.
Quando eu soube da sua existência, ainda um pontinho na barriga da minha prima-irmã, o mundo em que eu estava acostumada começou a mudar. A família apostava no meu ciúme doentio de neta mais nova tendo que conviver aos 12 anos com um bebê em casa. Eu surpreendi a todos, até a mim mesma, te amei com todas as forças do meu coração, desde o primeiro segundo, quando te vi, tão pequenininho e sereno, deitado no berço e me olhando sem saber que era você o motivo da minha fascinação.
Era a vida comprovando que ainda existem razões para o amor renascer.
Descobri que você tinha mais de mim do que eu imaginava, quando você ganhou uma festa surpresa de 6 anos, dos amiguinhos que adoram a sua companhia, mesmo sem ainda entender o significado de amizade. Todo mundo diz ''falante como a madrinha''. Eu me encho de orgulho. Já sei pra quem passei a herança do amor.
Quando nossa dupla de carinho ganhou mais um elemento, eu pensei que você fosse sentir ciúmes e me certifiquei de lhe fazer entender que o irmãozinho que você ganhou era amado demais, mas que você também sempre seria. Bobagem a minha, você já sabia de tudo e acolheu o irmão como nunca vi outra criança fazer. Hoje, o Theo aos 3 anos de idade, já sabe quem é o ídolo dele.
Claro que você tem suas birras e levadezas, aos 7 anos eu também dava trabalho e já tinha sido expulsa de um colégio.
Mas ver vocês dois, descobrindo cada passo do mundo, que eu ainda também estou descobrindo, me enche de vontade de viver. E isso é a melhor coisa que alguém podia fazer por mim, além daquela velha mania de me lembrar quem eu sou, que vocês também colaboram.
Penso no dia em que vocês vão começar a sair para baladinhas e torço para que não conheçam ninguém que eu não aprovaria, me vejo uma velinha quando penso assim, mas não consigo ser diferente. Hoje entendo a minha mãe.
E por falar em mãe, quando penso em ter filhos, só desejo que eles sejam assim, iguaizinhos a vocês.


Com todo o meu amor e minha dedicação, sempre ao lado de vocês.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Se você tem medo do amor, você tem coragem do quê ?