quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Duas praças, nós dois.

O ano é novo, a paixão é velha e o coração continua o mesmo João Bobo de sempre quando o assunto é você. Vi você longe, mesmo cara-a-cara comigo, ali quando pela milésima vez meu coração se rendeu ao nocaute e eu prometia mentalmente a todos os rostos desconhecidos daquela praça que haviam acabado as chances que eu te dava mesmo sem você pedir ou querer. Fácil não foi, afinal você e fácil são antônimos desde sempre. Meus dois amigos íntimos que ali estavam, me abraçavam como se quisessem me lembrar que eu sairia viva daquela situação. E eu saí. Resolvi que com o ano que terminava, deixaria ir embora também as lembranças e a saudade que eu ainda alimentava por você. Os dias iam passando, você passava também. Até que num dia que talvez fosse o seu dia de sorte, você resolveu voltar atrás, com teu jeito de pedir desculpas sem pedir e meu jeito de aceitar, deixando claro pra você que sim, eu sou mais tua que a normalidade é capaz de descrever.
Propus uma visita, qualquer desculpa como "um beijo de boas festas". Antes de vir me dar o prazer de ter prazer comigo, você quis saber se não estaríamos mais uma vez batendo na tecla viciada das histórias sem futuro e prestes a começar tudo de novo, afirmei que não, pra me fazer lembrar também. Então você se rendeu, afinal somos os dois livres e afim de algo que conquistamos intimidade suficiente para fazer sem precisar de maiores enrolações.
O ano em que a gente se conheceu, acabou e é ano novo agora, talvez o coração arranje algo novo para querer também. Engano.
Pois nos vimos lado a lado de novo, sai de onde estávamos e um cara que estava me olhando no bar, saiu logo atrás de mim e foi chegando perto, o que o cara não sabia é que as chances deu olhar pra ele ou pra qualquer outro cara que ali estivesse haviam sido extintas quando você pensou em sair de casa pra ir pra aquele bar. Do outro lado da rua, você vinha ao meu encontro e compartilhavamos um sorriso de crianças fazendo arte mais uma vez. Depois de 5 minutos de conversa, beijei você e ficamos ali abraçados, contando segredos e matando saudades. Vivendo de agora, ainda só pelo fim daquela noite, eu estava no posto que mais me agradava ocupar : eu era de novo a sua garota, mesmo sabendo que o dia seguinte chegaria levando embora meu doce cargo. Nunca quis tanto que uma noite demorasse a acabar.


Para Ler ouvindo : Eu, você e a praça - Zeca Baleiro

2 comentários:

  1. Uau! Perfeito. Foi... Marcante. A música de plano de fundo caiu super bem. Parabéns!

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  2. lindo. completamente. sempre me surpreendo com seus textos, você escreve muito bem.
    e esses romanticos... são completamente tocantes. parabéns.

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Se você tem medo do amor, você tem coragem do quê ?