Saindo de uma boa aula de ioga, bem relaxada, encontro o diretor de um colégio que estudei e ele, sem a menor cerimônia, me pergunta :
- Menina, você não para de crescer ?
Bom, levando em conta que desde os meus, sei lá, 8 anos eu ouço perguntas do tipo '' Quantos metros você tem ?'', eu já devia estar acostumada com a falta de noção de gente que acha normal fazer perguntas bizarras. Ser alta, acima da média das meninas de minha idade, me fez ouvir muitas coisas e eu sempre pensava se as meninas gordinhas, ou as baixinhas, escutavam coisas como '' você não para de engordar '' ou '' quando você vai começar a crescer ''.
Cheguei a conclusão que não, pois ser alta, na cabeça dos outros, era um privilégio concedido à mim. Na pré-adolescência todo mundo é meio esquisito, mas nem por isso minhas neuras eram menores. Eu era muito maior que as outras meninas, e ninguém me deixava esquecer isso. Minha mãe, apaixonada por vólei, resolveu aproveitar minha altura e o fato deu ser canhota e me matriculou numa boa escolinha. O alvoroço foi imenso, o professor se encantou comigo e tratou logo de me colocar numa turma avançada. Mesmo sem ter o menor jeito com a bola, inclusive, morria de medo de levar uma bolada forte, como via várias vezes acontecer com as outras meninas, eu fugia dos jogos. Permaneci 4 anos na escolinha, mesmo assim, até mudar de bairro e de colégio, iniciando uma época traumática. Os apelidos que eu já ouvia desde muito antes, com menor frequência e usados mais para me provocar do que para ofender, usados agora para fazer do meu choro um motivo para as outras pessoas rirem. Antes, quando me sentia ofendida por algum ''poste'' ou ''girafa'' tratava logo de fazer amizade com a pessoa, pois sabia ser amável, e assim, quem antes gostava de zombar de mim, se via sem poder ''brincar'' assim, afinal, já era meu amigo. Mas na escola nova, era bem diferente, ninguém se importava, eu não tinha amigos e os mais velhos pegavam pesado e me machucavam profundamente. Os professores fingiam não ver ou também achavam engraçado. Além de alta, eu era magérrima, nessa época e a infinidade de apelidos parecia crescer a cada dia. Não sei se sobrevivi sem sequelas, depois de sair desse colégio, acho que não, pois ainda me pego as vezes, com vontade de chorar quando lembro daquilo tudo, se alguém acha engraçado brincar comigo assim. No ensino médio, depois de ter criado um pouco de corpo e engordado um tanto, voltei ao mesmo colégio, questão de honra. Se eu não pude diminuir, saberia pelo menos me impor e consegui até uns olhares de gente que já caçoou de mim. Besteira, mas no fundo eu achava engraçado aquilo tudo. Tenho consciência de que a maioria das pessoas já sofreu com apelidos, mas mesmo assim, procuro lembrar de mim antes de rir de alguém por algo que a pessoa não pode mudar, ganhando muitas vezes o titulo de estraga prazeres se defendo alguém. '' Poxa, a gente tá só brincando.'' na maioria das vezes é o argumento, mas tenho certeza que a vítima, não vê graça na brincadeira.
Quanto a resposta, pro diretor do colégio, resolvi dar um sorriso e dizer : - Pois é, eu não paro de crescer nunca, ainda bem.
( Adriana, 1,80cm e na maioria do tempo, feliz. )
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Durma Medo Meu, por favor.
Um dia eu acordei achando que fosse morrer, sabe quando você acha que vai ? Pronto, vou morrer.
Era a maldita síndrome do pânico de ter pânico. Tempos que eu não tinha contato com ela, mas como alguém que quer dizer um oi, ela me invadiu pela enésima vez.
Alguns anos de terapia me fizeram melhorar um pouco e me lembrar que ela passaria dali no máximo 15 minutos.
- Mãããããe, tô tendo "aquilo" de novo.
A expressão da minha mãe é fatal. " Tudo de novo não, Meu Deus."
Percorro mentalmente os consultórios, laboratórios, clínicas de psicólogos e todos os locais não apropriados paraque já passei na vida. Tudo de novo não, meu Deus.
Penso em Deus, na fraternidade me dizem que isso é uma questão de energias ao meu redor. Chamo por todos os amigos de luz que Deus puder me enviar.
Não sei se por isso ou se porque a ciência me diz que nenhuma crise dura mais de 15 minutos, começo a voltar ao normal, até alguém me dizer de novo que preciso sair sozinha, abandonar meus planos B,C,D... abandonar a certeza de que se tudo der muito errado, eu posso correr pra minha mãe e dizer :
- Mãe, ''aquilo'' de novo.
Pronto, tudo de novo.
No meio do caos, eu crio uma esperança. Afinal, mais tarde tem a aula de ioga e a professora me ensinou aquela posição com nome engraçado que estimula meu cérebro e eu não fico mais ansiosa.
Respira, expira, toma água, ouve música. O medo foi embora. Mas ficou o medo de ter medo do medo.
É um ciclo e não acaba. Medo de sair, medo de ficar sozinha, do remédio acabar, do meu namorado me largar porque eu não consigo sair de ônibus para longe, medo de ser um peso na vida de todo mundo, medo de ser diferente. Eu sou.
"Todo o chão se abre, no escuro, se acostuma. Às vezes a coragem é como quando a nova lua."
O Medo é só o inferno e ansiedade é quase como viver e morrer e viver de novo.
E viverei, hei de não ter medo. Durma medo meu.
PS do dia 11/12/11 - até que enfim, realizei meu desejo :
Era a maldita síndrome do pânico de ter pânico. Tempos que eu não tinha contato com ela, mas como alguém que quer dizer um oi, ela me invadiu pela enésima vez.
Alguns anos de terapia me fizeram melhorar um pouco e me lembrar que ela passaria dali no máximo 15 minutos.
- Mãããããe, tô tendo "aquilo" de novo.
A expressão da minha mãe é fatal. " Tudo de novo não, Meu Deus."
Percorro mentalmente os consultórios, laboratórios, clínicas de psicólogos e todos os locais não apropriados paraque já passei na vida. Tudo de novo não, meu Deus.
Penso em Deus, na fraternidade me dizem que isso é uma questão de energias ao meu redor. Chamo por todos os amigos de luz que Deus puder me enviar.
Não sei se por isso ou se porque a ciência me diz que nenhuma crise dura mais de 15 minutos, começo a voltar ao normal, até alguém me dizer de novo que preciso sair sozinha, abandonar meus planos B,C,D... abandonar a certeza de que se tudo der muito errado, eu posso correr pra minha mãe e dizer :
- Mãe, ''aquilo'' de novo.
Pronto, tudo de novo.
No meio do caos, eu crio uma esperança. Afinal, mais tarde tem a aula de ioga e a professora me ensinou aquela posição com nome engraçado que estimula meu cérebro e eu não fico mais ansiosa.
Respira, expira, toma água, ouve música. O medo foi embora. Mas ficou o medo de ter medo do medo.
É um ciclo e não acaba. Medo de sair, medo de ficar sozinha, do remédio acabar, do meu namorado me largar porque eu não consigo sair de ônibus para longe, medo de ser um peso na vida de todo mundo, medo de ser diferente. Eu sou.
"Todo o chão se abre, no escuro, se acostuma. Às vezes a coragem é como quando a nova lua."
O Medo é só o inferno e ansiedade é quase como viver e morrer e viver de novo.
E viverei, hei de não ter medo. Durma medo meu.
PS do dia 11/12/11 - até que enfim, realizei meu desejo :
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Peter Pan
Acho que minha crise adolescente vem demorando demais a passar. Desisto dos meus sonhos, um por um. Tenho medo do futuro, da vida, de colocarem meu destino em minha mão, de não ter meus pais para poder culpar quanto os meus fracassos. Eu sou só uma menina boba que não quer crescer.
Enxergo daqui que só eu sou responsável por minhas tristezas, fraquezas e medos.
Decepciono a cada dia, quem mais espera de mim : eu.
Não sou motivo de orgulho, não sou motivo de sonhos, sou tristeza, melancolia, peso.
Se hoje fosse meu último dia, amanhã nada ia mudar. Algumas pessoas ficariam tristes, meus pais, meu namorado, dois ou três amigos, talvez. No mais, vida que segue. Minha existência não muda a vida de ninguém. Nem a minha.
Cometo o pior dos pecados, jogo fora minha vida, sem ceder meu lugar no mundo para outra pessoa.
Tenho medo de morrer e receber de Deus a sentença de já estar morta a muito tempo.
Não termino meus planos, não sigo meus sonhos, deixo que meus medos me dominem.
A fase que não passa. Os remédios que não trazem mais alívio nenhum. O drama que não me faz ser mais engraçada e inteligente.
Meus amigos tem suas vidas, ninguém pode parar e me acudir. Antes os dedos faltavam para contar os amigos, hoje...pois é.Só eu.
Eu não consigo ter orgulho de mim.
Eu não existo.
Enxergo daqui que só eu sou responsável por minhas tristezas, fraquezas e medos.
Decepciono a cada dia, quem mais espera de mim : eu.
Não sou motivo de orgulho, não sou motivo de sonhos, sou tristeza, melancolia, peso.
Se hoje fosse meu último dia, amanhã nada ia mudar. Algumas pessoas ficariam tristes, meus pais, meu namorado, dois ou três amigos, talvez. No mais, vida que segue. Minha existência não muda a vida de ninguém. Nem a minha.
Cometo o pior dos pecados, jogo fora minha vida, sem ceder meu lugar no mundo para outra pessoa.
Tenho medo de morrer e receber de Deus a sentença de já estar morta a muito tempo.
Não termino meus planos, não sigo meus sonhos, deixo que meus medos me dominem.
A fase que não passa. Os remédios que não trazem mais alívio nenhum. O drama que não me faz ser mais engraçada e inteligente.
Meus amigos tem suas vidas, ninguém pode parar e me acudir. Antes os dedos faltavam para contar os amigos, hoje...pois é.Só eu.
Eu não consigo ter orgulho de mim.
Eu não existo.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Querida Yasmin,
( clique na imagem para ler o emocionante comentário de Yasmin.)
Li seu comentário com lágrimas nos olhos, venho passando por um momento muito difícil também, não por causa do amor, pela primeira vez na vida, minha angustia não tem nada a ver com isso. Porém, seu comentário me deu uma grande alegria de continuar lutando.
Quando o texto ''Saudade e Coragem tão próximas'' foi escrito, eu também precisei do apoio de gente que nem sabe da minha existência para conseguir caminhar de novo, de cabeça erguida.
Lia Tati Bernardi, lia Gabito Nunes, lia Caio F e claro, Clarice. Além dos grandes amigos que tenho, esses foram a base forte que consegui me apegar.
Saber que eu talvez seja a base forte de alguém, num momento em que me sinto tão fraca e dependente das pessoas, me trouxe uma alegria que você não pode imaginar, obrigada pelo carinho.
E se me permite uma dica, mesmo sem saber sua história, lá vai :
Siga seu coração, faça tudo para que possa olhar para o passado, um dia, sabendo que o teu melhor foi dado, que a culpa de não ter dado certo, não foi tua. Mas, respeite seus limites, siga o coração mas deixe que o cérebro faça parte da viagem. Eu sou prova viva de que a gente consegue sim, somos fortes.
Um grande abraço cheio de carinho e gratidão, pelo comentário, pela leitura, pelo elogio.
Estou por aqui torcendo que agora você só se identifique com os textos bonitos e leves.
Escrever esse texto foi o único jeito de responder seu belo comentário.
Um beijo, mil beijos.
PS : Esse texto vale para todo mundo que lê meus textos, se preocupa em me fazer saber que gostou, divulga com créditos, me procura via fb ou twitter para elogiar. Podem ter certeza, você fazem uma menina feliz. Obrigada, de verdade !
Li seu comentário com lágrimas nos olhos, venho passando por um momento muito difícil também, não por causa do amor, pela primeira vez na vida, minha angustia não tem nada a ver com isso. Porém, seu comentário me deu uma grande alegria de continuar lutando.
Quando o texto ''Saudade e Coragem tão próximas'' foi escrito, eu também precisei do apoio de gente que nem sabe da minha existência para conseguir caminhar de novo, de cabeça erguida.
Lia Tati Bernardi, lia Gabito Nunes, lia Caio F e claro, Clarice. Além dos grandes amigos que tenho, esses foram a base forte que consegui me apegar.
Saber que eu talvez seja a base forte de alguém, num momento em que me sinto tão fraca e dependente das pessoas, me trouxe uma alegria que você não pode imaginar, obrigada pelo carinho.
E se me permite uma dica, mesmo sem saber sua história, lá vai :
Siga seu coração, faça tudo para que possa olhar para o passado, um dia, sabendo que o teu melhor foi dado, que a culpa de não ter dado certo, não foi tua. Mas, respeite seus limites, siga o coração mas deixe que o cérebro faça parte da viagem. Eu sou prova viva de que a gente consegue sim, somos fortes.
Um grande abraço cheio de carinho e gratidão, pelo comentário, pela leitura, pelo elogio.
Estou por aqui torcendo que agora você só se identifique com os textos bonitos e leves.
Escrever esse texto foi o único jeito de responder seu belo comentário.
Um beijo, mil beijos.
PS : Esse texto vale para todo mundo que lê meus textos, se preocupa em me fazer saber que gostou, divulga com créditos, me procura via fb ou twitter para elogiar. Podem ter certeza, você fazem uma menina feliz. Obrigada, de verdade !
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Adeus, surfistinha do amor.
O título remete a algo vulgar, eu sei. Talvez eu já tenha sido. Não por dinheiro, mas por amor, por correr atrás de migalhas, mal recompensadas.
Li um livro no fim do ano passado, que no meio dos 300 e vários livros que já li, com certeza é um dos melhores. Uma passagem, me lembro agora, dizia bem assim " Sempre achei que as garotas de programa são as únicas mulheres capazes de entender o verdadeiro significado do amor. Por que ? Simples. São as únicas que sabem a diferença do amor e do sexo."
Bom, guardados meus pensamentos feministas sobre a frase, concordo. Duvido muito que qualquer mulher que já se apaixonou perdidamente e não foi correspondida, nunca se entregou desejando ter uma horinha de quase-amor. Mulheres apaixonadas fantasiam, sonham e se for preciso, se entregam também.
Mas hoje tudo mudou, se havia algum resquício em mim, daquela menina que eu fui, ela juntou suas roupas de garota de aluguel e se foi. Dando lugar a uma menina, quase mulher, que agora conhece o que estar com alguém de verdade. Me sentir desejada, bonita, completa.
Toda mulher tem dentro de si uma garota de aluguel, mas tem também a certeza de que um dia chega um louco, que ensina o que é amor. Que sexo só é bom, se for inteiro, com alma.
Eu amo, eu admito, eu acredito que dessa vez é diferente, e se não for, não tem problema, eu volto aqui e digo que mesmo voltando a ser garota de aluguel, buscando por um pouco de amor, me ensinaram que não se entrega o corpo pra quem não se pode entregar a alma, e que um dia, acolheram minha alma, como se estivesse estado sempre dentro do meu corpo.
Definitivamente, o amor me fez engolir de vez toda a minha dúvida sobre ele. Ainda bem.
Deixo aqui meu adeus, para você, menina de aluguel por amor, nossa relação foi realmente proveitosa, aprendi, mudei. Espero que você não vá por tão pouco, porque ser amada de verdade é melhor que qualquer fugacidade da vida. Boa sorte, espero não vê-la em breve.
Li um livro no fim do ano passado, que no meio dos 300 e vários livros que já li, com certeza é um dos melhores. Uma passagem, me lembro agora, dizia bem assim " Sempre achei que as garotas de programa são as únicas mulheres capazes de entender o verdadeiro significado do amor. Por que ? Simples. São as únicas que sabem a diferença do amor e do sexo."
Bom, guardados meus pensamentos feministas sobre a frase, concordo. Duvido muito que qualquer mulher que já se apaixonou perdidamente e não foi correspondida, nunca se entregou desejando ter uma horinha de quase-amor. Mulheres apaixonadas fantasiam, sonham e se for preciso, se entregam também.
Mas hoje tudo mudou, se havia algum resquício em mim, daquela menina que eu fui, ela juntou suas roupas de garota de aluguel e se foi. Dando lugar a uma menina, quase mulher, que agora conhece o que estar com alguém de verdade. Me sentir desejada, bonita, completa.
Toda mulher tem dentro de si uma garota de aluguel, mas tem também a certeza de que um dia chega um louco, que ensina o que é amor. Que sexo só é bom, se for inteiro, com alma.
Eu amo, eu admito, eu acredito que dessa vez é diferente, e se não for, não tem problema, eu volto aqui e digo que mesmo voltando a ser garota de aluguel, buscando por um pouco de amor, me ensinaram que não se entrega o corpo pra quem não se pode entregar a alma, e que um dia, acolheram minha alma, como se estivesse estado sempre dentro do meu corpo.
Definitivamente, o amor me fez engolir de vez toda a minha dúvida sobre ele. Ainda bem.
Deixo aqui meu adeus, para você, menina de aluguel por amor, nossa relação foi realmente proveitosa, aprendi, mudei. Espero que você não vá por tão pouco, porque ser amada de verdade é melhor que qualquer fugacidade da vida. Boa sorte, espero não vê-la em breve.
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