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sexta-feira, 26 de julho de 2013

Treze vezes amor.


Eu não sei direito nem quando e nem onde começou, nem sei também porque ficou assim, maior que eu e minhas certezas do certo e errado. Quando dei por mim, ele estava ali, sentado em meu peito : gigante, bonito e alvinegro.
Aos 11 anos, eu gostava de um menino cruzeirense, que um dia me disse que eu ficaria perfeita se torcesse pro time azul. Cheguei em casa, subi na cama e pensava em recolher a bandeira do galo estendida no quarto, quando meu pai, que nunca foi muito fã de futebol, me perguntou o porque daquilo. Eu, com a voz embargada e tomada por aquele sentimento que todo mundo conhece, o de querer ser perfeita, disse :
- Acho que vou virar cruzeirense.
Ele riu, chamou minha mãe, contou a novidade e ela duvidou. Depois me disse :
- Quando foi que você virou atleticana ?
Eu não soube responder direito e disse meio sem pensar :
- Eu acho que nasci assim.
Ele não precisou falar mais nada, eu entendi que algumas coisas a gente não consegue mudar. É de sentir e só.
Era o hino do Galo que me arrepiava, eram os jogos do Galo que eu gostava de ouvir, sentada no chão da cozinha da casa da minha vó. Era por causa do Galo que eu havia entrado pela primeira vez no mineirão lotado. Não ia dar pra mudar, o menino que se acostumasse com isso.
Um ano depois, o Galo foi rebaixado e ele me perguntou se ali, eu não pensei em mudar de ideia e enfim passar pro lado dele. Mas dessa vez, nem questionei, que fosse pra série B, C, D, Z. Era pelo Galo que o coração batia mais forte, na alegria e na tristeza.
Quando se gosta de futebol, você reconhece uma vez só por quais cores seu coração vai vibrar, o meu escolheu o preto e o branco e naquela altura, oferecer um azul ou qualquer outra cor, era ofensa.
Com 15 anos, conheci uma galera que me mostrou e mostra todos os dias, um pouco da paixão da torcida atleticana e me faz sentir orgulho de pertencer a uma nação que conhece o amor. É isso, o Galo é amor. Eu não poderia escolher outra coisa que não fosse amor.
Mas mesmo depois de tudo isso, foi no dia do jogo contra o Tijuana, quando o juiz deu penalti a favor do outro time, que eu entendi o que o Atlético representa na minha vida. O medo e a fé se misturaram dentro de mim, fechei os olhos, lembrei de Deus, do amor, dos meus amigos, de como o título era importante pra gente e ao mesmo tempo se aquela bola encontrasse a rede, iríamos ainda assim apoiar o time e amar, acima de tudo. Era ali que tudo fazia sentido. Ser atleticano não é uma escolha.
Os gritos de felicidade invadiram meu ouvido e eu cai no chão, entendendo que tinha dado certo, meu coração pulava como se não fosse aguentar e eu gritava muito. Olhei para meus amigos e eles não acreditavam, e como num pacto de amor, nos abraçamos. Aqui é GALO! Essa era a única certeza da minha vida ali. Dessa vez, quem quase morreu no Horto fui eu.
Abracei algumas pessoas que não conheço e demorei muito tempo para voltar ao normal. Sentada, na arquibancada, foi preciso que o policial me avisasse que as portas estavam fechando, eu precisava sair.
Ali o universo começava a mostrar pro mundo que esse ano, era o ano do Galo.
Não veio fácil, não viria se tratando da gente, mas que seja assim, melhor na raça, no suor e nas lágrimas do que parecer sem humildade, cheios de vaidade, pois não temos nada em comum com o lado de lá.
E talvez seja por isso que nossa fé é tão grande, pois é melhor dizer Eu Acredito do que gritar Eu Já Sabia e depois perceber que só com humildade e respeito se conquista o mundo. Nós acreditamos nisso, a América já é nossa e queremos mais, quem acreditar, que venha com a gente.



Obrigada a cada jogador que honrou essa camisa, obrigada aos que acreditaram comigo, obrigada aos que não acreditaram pois o gosto do ''cala a boca'' é sensacional, obrigada aos meus amigos do Pagode do Galo que além das risadas e brincadeiras, compartilham desse amor comigo. Obrigada aos amigos da sala que me aguentavam insuportável em dia de libertadores. Obrigada aos vizinhos por não me expulsarem do bairro. Obrigada os cruzeirenses que tentaram me fazer temer a derrota. Obrigada a Raquel e ao Michael, em especial, por fazerem daquele jogo contra o Tijuana, um dia de amor à parte. Obrigada a Karla por dividir a família e o sofá comigo. Obrigada a Cris por existir assim, tão parecida comigo, no amor e nas raivas. Obrigada por esses 14 jogos com amor e por todos os outros que passaram e pelos que virão.
ObriGALO ao ano de 2013. 

Eu acredito !!!



sexta-feira, 19 de julho de 2013

Codiforme



Codiforme (adj.) : Que tem forma de coração


Sou filha única. Cresci rodeada de mimos e certezas de como a vida podia ser bem mais perigosa do que cair da rede aos 7 anos e quebrar um dente da frente. Minha mãe apavorada em acertar sempre, acabava por me assustar com seus próprios medos, que me custam umas horas de terapia até hoje. Não digo isso em tom de reclamação, já amadureci o suficiente para aceitar que meus pais não nasceram para ser pai e mãe mas mesmo assim me receberam com o amor e a serenidade que possuíam.
No meio disso tudo, um quase-avó que fazia todas as minhas vontades. De buscar um yakut ás 4 da manhã até comprar 3 sacos de batatas chips porque eu queria as figurinhas que vinham no pacote. Muitas incertezas marcaram minha infância.
Quando eu soube da sua existência, ainda um pontinho na barriga da minha prima-irmã, o mundo em que eu estava acostumada começou a mudar. A família apostava no meu ciúme doentio de neta mais nova tendo que conviver aos 12 anos com um bebê em casa. Eu surpreendi a todos, até a mim mesma, te amei com todas as forças do meu coração, desde o primeiro segundo, quando te vi, tão pequenininho e sereno, deitado no berço e me olhando sem saber que era você o motivo da minha fascinação.
Era a vida comprovando que ainda existem razões para o amor renascer.
Descobri que você tinha mais de mim do que eu imaginava, quando você ganhou uma festa surpresa de 6 anos, dos amiguinhos que adoram a sua companhia, mesmo sem ainda entender o significado de amizade. Todo mundo diz ''falante como a madrinha''. Eu me encho de orgulho. Já sei pra quem passei a herança do amor.
Quando nossa dupla de carinho ganhou mais um elemento, eu pensei que você fosse sentir ciúmes e me certifiquei de lhe fazer entender que o irmãozinho que você ganhou era amado demais, mas que você também sempre seria. Bobagem a minha, você já sabia de tudo e acolheu o irmão como nunca vi outra criança fazer. Hoje, o Theo aos 3 anos de idade, já sabe quem é o ídolo dele.
Claro que você tem suas birras e levadezas, aos 7 anos eu também dava trabalho e já tinha sido expulsa de um colégio.
Mas ver vocês dois, descobrindo cada passo do mundo, que eu ainda também estou descobrindo, me enche de vontade de viver. E isso é a melhor coisa que alguém podia fazer por mim, além daquela velha mania de me lembrar quem eu sou, que vocês também colaboram.
Penso no dia em que vocês vão começar a sair para baladinhas e torço para que não conheçam ninguém que eu não aprovaria, me vejo uma velinha quando penso assim, mas não consigo ser diferente. Hoje entendo a minha mãe.
E por falar em mãe, quando penso em ter filhos, só desejo que eles sejam assim, iguaizinhos a vocês.


Com todo o meu amor e minha dedicação, sempre ao lado de vocês.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Um perdão (pra mim)





Passei muito tempo da minha vida querendo, desejando e pedindo por coisas que eu nem sei como são.
Estraguei todas as lembranças do maior paixão (e talvez amor... era amor, acho que era, devia ser.) da minha adolescência porque fui infantil, estúpida e imatura. Tento ainda me perdoar por isso e quando penso nos erros, me dói. Dói por já ter sido um passado de boas lembranças e hoje ser só um arrependimento dele, ter passado o tempo comigo. Eu queria muito que eu e ele pudéssemos nos falar pois não importa os bilhões de anos e mancadas, ele sempre vai ser quem me ensinou a maior lição da minha vida : ele me ensinou a ser mulher.  
Me arrependo por ter sido imatura com ele mas a gente muda a cada dia e eu tento me perdoar calando a boca.
Por isso, mesmo depois de todos os motivos que você me dá para que eu simplesmente despreze você e aqueles dias, resolvi te escrever - não pra te xingar como sua pretensão esperava - mas pra salvar em mim uns dias bons. E pra quando, um dia, você olhar pra trás, não sinta o que eu sinto pelo meu ex-grande-amor. (não que eu tenha sido um grande amor pra você, mas você entendeu, né ?)
Foi mau, ontem. Fui mau, também. Menos com você e mais comigo mesma.
Joguei sobre você tantos medos, tanta coisa travada, tanto medo de rejeição, tanta dor. Difícil explicar. Muitas coisas duras por dentro. Farpas. Uma pressa, uma urgência.
Não te peço perdão e nem desculpas, pois eu não precisava mesmo ouvir metade dos desaforos que me disse, mas faço um esforço sobre-humano e não te odeio por eles.
Eu gostei de você, não te amei como amei o outro, mas gostei. Talvez se tivéssemos tido tempo, teria sido maior do que com ele. Melhor pra mim que não tenha sido. Amor unilateral somente uma vez na vida é suficiente.
Essa história de confusão e tristeza não é nem por nossa causa, eu nem sei quem a gente era. Eu me assustei com quem fui pra você, fui menina, ingênua e quase pura, como quando eu tinha 16 anos e conheci o outro, coisa que eu achava que não poderia ser mais. Me custou algumas lágrimas mas hoje me faz feliz porque quando for pra pessoa certa, eu ainda sei ser amor.
Eu detesto odiar as pessoas e não quero nutrir isso por você, mesmo as vezes te odiando por suspeitar que eu fosse capaz de tamanhas idiotices. Mas você não me conhece, eu não conheço você.
Te escrevo por absoluta necessidade. Não conseguiria dormir outra vez se não te escrevesse pois você sabe do meu pavor em fazer mal aos outros. Eu não sou ruim.
Não há nenhum subtexto nisto que te escrevo. Não acho bonito que a gente se disperse assim, só isso. Encontre, desencontre e nada mais, nunca mais, não quero mais - Acho que você talvez demore muito a um dia voltar nesse lugar pra saber de mim, se um dia voltar. Não espero resposta. E com quase certeza, nem as quero.
Não quero me tornar uma pessoa pesada, frustrada, amarga. Não vou me tornar assim.
Quando tudo se deu, quando você mandou aquele texto, eu não fiquei com raiva não, eu só me prometi não ouvir mais palavras bonitas de ninguém, mas não funcionou. O amor me move e me trai.
Me prometi e me traí, já existe uma nova possibilidade de amor. E o mais louco é que eu não temo que ele faça do meu carinho o mesmo que você. E ele é louco.
Não sei se teria doído menos se você tivesse, como eu queria, acolhido a minha dor, talvez eu tivesse me afogado num rio de esperanças, talvez a gente virasse dois grandes amigos. Não sei. Eu tenho medo que as pessoas sofram por minha causa, é só isso.
De repente me passa pela cabeça que você deve estar detestando tudo isso e achando longo e choroso e confuso. Mas eu não quero ter vergonha de nada que eu seja capaz de sentir. E dane-se, doa a quem doer, lembra ?
Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas, juro. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa, que seja esse agora ou outro que o futuro trará porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo. Ou fazer tudo exatamente igual e dessa vez dar certo.
E eu acho que é por isso que te escrevo para cuidar de mim - para não querer, violentamente não querer de maneira alguma ficar na sua memória, seu coração, sua cabeça, como uma sombra escura. Perdoe a minha precariedade e as minhas tentativas inábeis. Me queira bem.
Estou te querendo muito bem neste minuto.
Fique feliz, fique bem feliz, fique bem claro, queira ser feliz.


A única coisa que vale a pena, no fim de tudo, é o amor. Ame, sempre, ame em cada pedacinho que a vida te der oportunidade para amar.
Se não valeu, pelo menos ficou de aprendizado.

Um beijo e te guardo na gaveta da memória boa, apago as lágrimas e esqueço (ou tento) o que foi ruim.
E digo : estou prontíssima para um novo possível amor.

Que venha !


 " Faço de mim, casa de sentimentos bons, onde a má fé não faz morada e a maldade não se cria. (...)
Observo a mim mesmo em silêncio, porque é nele onde mais e melhor se diz. Me ensino a ser mais tolerante, não julgar ninguém e com isso ser mais feliz. Sendo aquele que sempre traz amor, sendo aquele que sempre traz sorrisos. E permanecendo tranquilo aonde for paciente, confiante, intuitivo."

*Obrigada CFA
*Obrigada Forfun.


segunda-feira, 27 de maio de 2013

Do Amor



Poucas coisas na vida modificam alguém como o amor.
Algumas pessoas acham que o mal do mundo é a banalização do amor. Estão erradas. O mal do mundo é a falta de amor e o medo de amar. Só basta ser sincero num segundo e acreditar.
Não se ama alguém 100% em uma semana, eu concordo com os racionais, mas sim, se sente amor em um segundo.
No momento antes do beijo, no abraço que quer gritar "fica!", na boca que diz ''foi bom te conhecer.''. Ou naquela média de 73 vezes que você pensou nela na manhã seguinte enquanto preparava o café. O amor é simples.
Acordei hoje pensando como o segundo de amor vale a pena. E como minhas entregas e sorrisos se resumem nesse segundinho em que eu (mesmo que sozinha) achei que o mundo podia (e pode!) ser um lugar lindo.
Não consigo e não me peçam para ser egoísta. Eu não sou.
E por dar tanto amor, as vezes me cobram caro quando esses segundos não bastam para satisfazer o ego.
Não existe relação frustrada quando nem que seja por um milésimo de segundo, se sentiu amor.
Num abraço, num sorriso, numa chegada às 14:15 da tarde de terça. O amor é cada detalhe.
Não conheço ninguém que morreu por dar amor, não temo, mesmo que depois de tantos desencontros, amar de novo e de novo e de novo. Cada um que passou pela minha vida, deixou um pouco de si comigo, nem que seja a lição.
Eu, que por tantas besteiras temi ser má, provavelmente e graças ao Amor nunca fiz ninguém chorar. Que permaneça assim e que venham muitos segundos de amor, até que uma hora ele se cansa de ir e fica para sempre.

Eu não me arrependo de nada.
Ter fé e ver coragem no amor.
É isso !



" Não se assuste pessoa, se eu lhe disser que a vida é boa. (...) Eu sou o amor da cabeça aos pés. "

sábado, 25 de maio de 2013

Lugar de MULHER é onde ela quiser.

Minha mãe engravidou de mim solteira, aos 37 anos, com um emprego fixo, bom e há quase 20 anos atrás. Apesar do meu pai ter dado apoio durante a gravidez, ela até hoje carrega uma certa mágoa por não terem se casado - "nem que seja no civil", ás vezes ela reclama - talvez por isso, ou por tantas outras pequenas coisas que formam o caráter da gente, ela tem pavor que eu engravide sem casar.
Já tivemos discussões calorosas sobre o tema sexo, virgindade, casamento e homens, mas eu tenho que assumir que entendo os medos dela. Mesmo aos 37 anos, ela sofreu muito com as fofocas e questionamentos por carregar um barrigão de grávida sem uma aliança no dedo. Minha avó, mãe dela, sofreu o dobro, talvez, quando descobriu a filha grávida e solteira. Não a julgo, ela veio de uma família tradicional, patriarcal e tinha medo do sofrimento que a filha ia passar (e passou). E nunca, em hipótese alguma, me destratou perante os outros netos. Era só amor.
Hoje, pensar nisso é quase engraçado. Ser mãe solteira aos 16 é praticamente normal, todo mundo conhece alguém que foi, é ou engravidou antes de chegar aos 20.
Comecei esse texto contando a história da minha mãe - e a minha - porque sempre ficou claro que para o meu pai, as coisas foram muito mais tranquilas, ele nunca sofreu nenhuma repreensão ou se sentiu ofendido com  comentários da família. Quando meus avós descobriram que viria uma netinha, ah, que alegria, foi uma festa !
Descobrir que uma mulher transou antes de se casar, mesmo na década de 90, era algo que causava desconforto na família. Até hoje para alguns é assim.
Os acontecimentos fizeram da minha mãe uma mulher machista, mais por medo que por pensar assim.
Namorados não dormem aqui fácil, e se dormem não pode ser junto de maneira nenhuma, sexo na cabeça dela é só depois de casar.
Mas calma, não odeie a minha mãe, ela é legal, só pensa como 98% das pessoas por muitos motivos que não cabe citar um por um aqui.
E talvez você também seja machista quando chama de puta aquela amiga que transou com um cara na mesma noite que o conheceu. Ou aquela menina que apareceu na festa com um vestido curto demais.
Meu conceito de puta é o seguinte : transou querendo algo em troca além do próprio prazer e de proporcionar prazer ao outro(a), é puta. Não que isso seja errado, é só o meu conceito.
Sentir e dar prazer não deve ser vergonha para ninguém quando as duas (ou mais) partes estão de total acordo.
Algumas vezes, na minha curta experiência de vida, me senti exposta e desprotegida ao ficar a sós com um homem. Sentindo que a qualquer momento, caso passasse na cabeça dele, ele poderia ali, fazer de mim o que quisesse, sem que eu tivesse forças pra me defender. Bom, por sorte, dos caras que eu conheci e me relacionei eu posso reclamar de muita coisa, mas nunca fui desrespeitada no quesito sexo. Nunca fui obrigada a fazer o que eu não queria pelo simples fato de ser mais frágil. Mas não é isso que acontece sempre.
Segundo uma pesquisa feita pela CFEMEA ( Centro Feminista de Estudo e Assessoria )
  • 51% dos entrevistados declaram conhecer ao menos uma mulher que é ou foi agredida por seu companheiro.
  • 75% consideram as penas aplicadas em casos de violência contra a mulher são irrelevantes.
  • O ciúme é o segundo motivo para agressões contra mulheres.
  • Uma em cada seis mulheres sofre com a violência doméstica, nos países pesquisados.
  • Em São Paulo, 29% das mulheres entrevistadas que já tiveram relações íntimas com homens afirmaram que já foram vítimas de agressões físicas ou sexuais cometidas por um parceiro. Nos municípios pernambucanos, esse número chegou a 37%.
  • Na comparação com os outros nove países pesquisados, os índices das cidades brasileiras foram semelhantes aos registrados na Tailândia e na Namíbia.
  • 1 bilhão de mulheres já foram espancadas ou estupradas. 1 bilhão de mulheres, ou uma em cada três do planeta, já foram espancadas, forçadas a ter relações sexuais ou submetidas a algum outro tipo de abuso.
  • 20% das mulheres são alvo de estupro.
  • De cada cinco mulheres no mundo, uma será vítima ou sofrerá uma tentativa de estupro até o fim de sua vida.
  • Nos Estados Unidos, uma mulher é agredida por seu marido ou parceiro a cada 15 segundos. Na França, 25 mil mulheres são estupradas por ano.
    (Fontes dos dados acima: Relatório da Anistia Internacional)
  • Um terço das mulheres entrevistadas (33%) afirmam que a violência sexual é a forma mais grave de violência doméstica, seguida pela violência física(29% ). Para 35% das mulheres brasileiras os tipos mais graves de violência são os mais sutis e que não deixam marcas aparentes, como é o caso da violência moral e da psicológica.
  • Em quase todos os casos de violência, mais da metade das mulheres não pede ajuda. Somente em casos considerados mais graves como ameaças com armas de fogo e espancamento com marcas, cortes ou fraturas, pouco mais da metade das vítimas (55% e 53%, respectivamente) recorrem a alguém para ajudá-las.
Os números me assustam. Me lembrei de uma vez, quando eu tinha meus 11 anos e um velho parado no sinal, dentro de um ônibus, fez gestos obscenos pra mim. Aquilo me enojou de uma forma absurda e eu, automaticamente imaginei que a culpa era minha, por estar arrumada demais para ir a escola.
Semana passada, fui a um show com uma blusa curta, e um cara tentou beijar minha barriga. Fiz um escândalo, gritei e ele me disse ''eu sei que você curte''. Os amigos dele me pediram desculpas alegando que ele estava bêbado e eu continuei caminhando, mas dessa vez, diferente de quando eu era criança, eu soube que a culpa não era minha, afinal, a barriga é minha e eu posso usar a blusa no comprimento que eu quiser. Não é um convite para que me beijem.
Acreditem ou não, machistas, nossas roupas não tem nada a ver com vocês.
Quando nós, mulheres e vocês homens de verdade, vamos nos unir para gritar ao mundo que a culpa da violência contra a mulher NUNCA é dela ? Que a mulher tem direito de sentir calor, prazer, se sentir bem com uma roupa sem ser atacada, estuprada, abusada ?
Anseio para que esse dia chegue rápido, rezo para que nem eu, nem você e nem ninguém seja vítima de uma violência estúpida e horrível por parte de um doente desses.

Amanhã (25/05/2013) vou estar na Marcha das Vadias, tentando chamar a atenção para o direito de ser da mulher.
Vadias somos todas nós.

Marcha das Vadias Belo Horizonte - MG (25/05/2013)
Concentração: 13.00h, na Praça da Rodoviária. Saída às 14:00h em direção à Praça da Estação, passando pela Rua Guaicurus. Da Praça da Estação, subiremos a rua da Bahia em direção à Praça da LIBERDADE.

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