Páginas

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Lembra de mim


Estou só. Não só completamente pois tenho alguma família, um namorado bacana e uns dois ou três amigos de verdade que devem ficar chateados ao ler isso : Estou só.
Só eu e meu mundo de sonhos e medos - impossibilidades, mudanças de humor, dúvidas, amor - só e com raiva da vida que afasta as pessoas porque o tempo é curto e deve-se  estudar, trabalhar, namorar e levar a vida esquecendo quem você dizia amar no ano passado.
Tanta gente já passou pela minha vida nesses vinte anos, já provoquei tantos sorrisos, dei tanto colo e hoje estou só.
Tento me lembrar dos meus 15 anos e não sei o que eu queria ser quando tivesse a idade que tenho hoje. Eu tinha um grande sonho. Realizei e agora ficam sonhos maiores, mais audaciosos. Mas não sei se cresci.
Minha mãe diz que não.

Estou só porque meu namorado não pode fazer todos os papeis da minha vida e meus pais não podem ouvir todas as histórias. Estou só porque me afastei da correria e talvez ninguém correu atrás de mim.
Eu tinha grande convicção de que a única coisa que eu sabia fazer de bom na vida era escrever, mas parei com o blog porque não tinha nada para contar, para sentir.
Estou só e as vezes isso nem me importa. Estou só porque me afastei de gente que me pesava e obriguei algumas pessoas se afastarem de mim porque eu corria muito atrás delas.
Eu tinha amores efêmeros. A vida corrida. Certezas. Hoje tudo mudou, estou só e consciente. Dormir quase sempre resolve tudo quando não sinto vontade de nada.
O excesso de amor da minha mãe barrou o amor do qual eu senti falta. Estou só e ninguém nota porque não tem para quem falar. Estou só e sensível a cenas de grandes amigos enfrentando uma barra juntos. Estou só de ficha caindo por ter dado valor de mais.

Estou só e isso é a coisa mais triste do mundo, mas só quem acha isso sou eu.
Se conviver com si mesmo em harmonia é crescer, a vida me obrigou. Cresci

E estou só.




terça-feira, 25 de março de 2014

Cuidados



Acordo na cama dele e ele me olha calado da fresta que abriu na porta pra se certificar se estava tudo bem comigo, levo um susto mas já me acostumei a ser amada.
A noite passada ele lutou contra o sono pra ficar do meu lado porque eu queria ver um daqueles programas de emergência hospitalar e estar sempre pronto pra responder com um ''claro, meu amor'' tranquilo quando eu pergunto se ele acha que um dia vou ser médica. Mais cedo, meu pequeno de 3 anos correu pros braços dele brincando de 'batalhar' e ele o levantou enquanto arrancava risadas do maior de 7 anos que já entrou na fase da vergonha de se desculpar.
Vivo uma fase de ócio - criativo, emocional e da vida mesmo - e ele vem trazer, nem que seja nos fins de semana, a tão aguardada fuga da rotina.
As vezes ele cuida de mim feito a minha mãe e eu, mentalmente, começo a agradecer. Sempre tive medo de ficar sozinha, sem cuidados, sem proteção. O amor quando chega faz a gente parar de temer a morte.
Pergunto pra ele porque tanto amor, pois me acho - e sou- tão imperfeita, e ele me responde que me ama porque eu fiz a única coisa que sei fazer bem na vida e que ninguém nunca aceitou, antes dele.
Amar com coragem. Amar o amor.
E amar cada pedacinho do sonho que tenho em acordar todos os dias na sua cama, ouvir cada vez mais da sua mãe que é comigo que você vai se casar, pensar em filhos. Me assustar ao lembrar que a dois anos atrás meu maior medo era ter um filho. 
Os dias passam iguais e parece que vai ser assim por mais alguns meses, mas o cinza da vida ganha cor quando você chega e toca a campainha e me abraça do jeito que faz estalar as costas.
Eu gosto muito das caras engraçadas que você faz quando eu falo uma coisa besta. Eu te amo.

O casório intimista, a casa com o banheiro lindo, depois os dois - ou três - filhos com nomes já previamente escolhidos, claro. Um golden e um akita, porque o Rodrigo vai ficar com minha mãe se não ela morre de paixão. E você cuidando de mim enquanto sou quem eu sempre quis ser. E eu te amando, como sempre, como nunca, pra vida. 






segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Pagando língua



"Olá" ele disse, e depois disso veio o maior e mais sincero sorriso do mundo, e entre amigos, brindes de aniversário e eu maluca tentando agradar a todos, a gente se conhecia um pouquinho. Todo mundo sumiu, as conversas se calaram e a gente se beijou. Um beijo que traduzia muita coisa. Nós nos encantamos porque ele adorou minha coragem e porque adorei a fé dele. No outro dia rompi com meus lampejos de lucidez no não colocar os carros na frente dos bois e trouxe ele pra comer meu bolo de aniversário. E o feitiço da sorte fez com que ele, tão querido pelo carinho, não se assustasse comigo. O Rodrigo Amarante aprovou nos dois, de cima do palco. E posso dizer que por 5 segundos dividimos uma risada juntos, só nos 3. Ele me mimava como podia e eu tentava não pirar. Mas dois olhos que sorriem e uma mão firme pra segurar na hora do medo, me diziam : ''vem que eu te seguro''.
São quase dois meses me segurando todos os dias. E cada dia mais.
As vezes ele coloca bossa nova no carro e olha pra mim quando o sinal fecha com cara de carinho. Nosso desespero de viver um amor um com o outro, se acalma nas nossas horas de paz, quando ele fecha os olhos e se aninha no meu peito.
Minhas amigas vivem chamando ele de mozão e ele ri feito criança, enquanto me olha com ternura.
Desconfiava um pouco da veracidade dos meu namoros antigos porque nunca entrei de verdade na rotina e na família de alguém.Mas ele quer me mostrar pro mundo e o mundo dele gosta de mim.
A tão sonhada paz que eu sonhava ao lado de alguém chegou. Não sinto necessidade de que acreditem em nós porque eu já acredito,quase acho redes sociais insuportáveis e tenho preguiça de falar porque ele me ensinou que calado a gente também conversa.
Eu, que sempre vazei e transbordei tudo, hoje posso ficar contida e sem medo, mas sei que se eu quiser borbulhar, ele entende.
Um dia, deitada na cama dele, no escuro e ouvindo a chuva, eu agradeci por todos os caras que passaram por mim, eu precisava ser quem eu sou hoje, pra saber receber o que ele me dá. Não tenho medo de julgamentos porque em dois meses a gente acha que já se conhece a duas vidas e ele diz ''eu estou apaixonado por você''. Eu nunca demorei tanto pra dizer que amo alguém e por isso, a cada dia sem dizer que o amo, sinto que isso amadurece e se enche de verdades.

Eu não aconselho a ninguém que perca a chance de se jogar.
Se ninguém te segurar, como não me seguraram muitas vezes, cair ensina. E purifica e te faz agradecer a verdade e os erros e o destino e todos os falsos e medos.
Eu não perco mais a chance de me jogar...


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Irene


A sua sala cheia de delicadezas e seu medo de me ferir sem saber quem eu era direito. O seu pesar por não ter me visto nascer, o meu pesar por não ter ido me despedir. E por não ter compartilhado contigo essa coisa louca de ser neta única e a única menina depois de você. O teu ombro magro me amparando, as risadas, meus trejeitos, mimos, rejeições. O olhar de criança assustada. Duas crianças assustadas. Os livros. A minha mãe. Seus olhos verdes e seu sorriso me chamando de sua irmã. Seus cabelos brancos e a meu medo de não ser suficiente. Sua certeza em me dizer que eu era. Você presente, mesmo perdida na floresta escura do fim da vida. A minha busca por outras de você, minhas florzinhas amadas.
A rosa que você me mandou para dizer : estou aqui. O seu abraço frágil e cheio de força. A música.
Todas essas coisas juntas num só ponto : o ''eu te amo, vó'' entalado na garganta e adiado por um tempo estranho e cruel. Na nossa história o tempo não serviu pra nada, só pra nos separar. Mas o amor junta tudo. Eu sinto sua falta, eu sinto falta de ter conhecido melhor a mulher que me recebeu numa vida e numa casa nova.
A mulher que me salvou. Que me juntou ao meu pai, que fez dele esse cara especial e estranho.
Eu sei o que é ser a única e eu também sou você.


A morte não é o fim!!!



quinta-feira, 19 de setembro de 2013




" Mas então, numa quinta-feira a tarde, de um ano qualquer, tropeçamos nesse amor já supostamente esquecido e percebemos que amor igual não há e que aquela pessoa continua e continuará a ser nossa referencia afetiva mais sincera e profunda. Não é doença nem obsessão. Alias não é nada, só amor. Amor dos bons, daqueles que são únicos e maravilhosos, que acontecem poucas vezes na vida das pessoas. Daqueles amores que ficam e que teremos que conviver com ele como algo concreto e parte de nossas vidas.
(...)  Nenhum sentimento é mais lindo, profundo e transformador que o amor. "




Feliz Aniversário!!!!