segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Pagando língua



"Olá" ele disse, e depois disso veio o maior e mais sincero sorriso do mundo, e entre amigos, brindes de aniversário e eu maluca tentando agradar a todos, a gente se conhecia um pouquinho. Todo mundo sumiu, as conversas se calaram e a gente se beijou. Um beijo que traduzia muita coisa. Nós nos encantamos porque ele adorou minha coragem e porque adorei a fé dele. No outro dia rompi com meus lampejos de lucidez no não colocar os carros na frente dos bois e trouxe ele pra comer meu bolo de aniversário. E o feitiço da sorte fez com que ele, tão querido pelo carinho, não se assustasse comigo. O Rodrigo Amarante aprovou nos dois, de cima do palco. E posso dizer que por 5 segundos dividimos uma risada juntos, só nos 3. Ele me mimava como podia e eu tentava não pirar. Mas dois olhos que sorriem e uma mão firme pra segurar na hora do medo, me diziam : ''vem que eu te seguro''.
São quase dois meses me segurando todos os dias. E cada dia mais.
As vezes ele coloca bossa nova no carro e olha pra mim quando o sinal fecha com cara de carinho. Nosso desespero de viver um amor um com o outro, se acalma nas nossas horas de paz, quando ele fecha os olhos e se aninha no meu peito.
Minhas amigas vivem chamando ele de mozão e ele ri feito criança, enquanto me olha com ternura.
Desconfiava um pouco da veracidade dos meu namoros antigos porque nunca entrei de verdade na rotina e na família de alguém.Mas ele quer me mostrar pro mundo e o mundo dele gosta de mim.
A tão sonhada paz que eu sonhava ao lado de alguém chegou. Não sinto necessidade de que acreditem em nós porque eu já acredito,quase acho redes sociais insuportáveis e tenho preguiça de falar porque ele me ensinou que calado a gente também conversa.
Eu, que sempre vazei e transbordei tudo, hoje posso ficar contida e sem medo, mas sei que se eu quiser borbulhar, ele entende.
Um dia, deitada na cama dele, no escuro e ouvindo a chuva, eu agradeci por todos os caras que passaram por mim, eu precisava ser quem eu sou hoje, pra saber receber o que ele me dá. Não tenho medo de julgamentos porque em dois meses a gente acha que já se conhece a duas vidas e ele diz ''eu estou apaixonado por você''. Eu nunca demorei tanto pra dizer que amo alguém e por isso, a cada dia sem dizer que o amo, sinto que isso amadurece e se enche de verdades.

Eu não aconselho a ninguém que perca a chance de se jogar.
Se ninguém te segurar, como não me seguraram muitas vezes, cair ensina. E purifica e te faz agradecer a verdade e os erros e o destino e todos os falsos e medos.
Eu não perco mais a chance de me jogar...


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Se você tem medo do amor, você tem coragem do quê ?