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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

De qualquer maneira, é amor.

" Lagarta que aprende e muda, um dia pelos ares voa."
( Camila Paier )

Ouvi uma história sobre borboletas que se encontraram. E pensei em começar contando pra vocês com ''era uma vez...'' mas resolvi que isso era irreal demais para começar uma história que deveria ser o máximo de realidade que a beleza poderia encontrar. Era amor.
Uma borboleta, sozinha , ainda assim, era linda, mas ao encontrar a outra, virava vida e florecia com toda felicidade, como se tivesse acabado de sair do casulo.
A outra borboleta, apesar de linda, ainda não entendia que as diferenças é que faziam das duas, inesquecíveis e saiu voando. Fugiu pro mais longe que poderia chegar.
A outra borboleta, acreditava, era amor, ela sabia. Quanto mais longe uma ia mais amor a outra sentia e assim, a borboleta que acreditava começava a pensar que poderia ter feito algo errado, mas o universo lhe respondia que acreditar não era erro de ninguém, acreditar é só começar a acertar.
Ela não teria medo de sofrer, se jogar e fazer a outra borboleta feliz, e um dia, ia descobrir que o simples fato de saber que qualquer maneira de amor vale amar, faria dela alguém que estava acima de qualquer julgamento de quem não aceita o amor dos outros por não ter amor e coloca defeitos. A
borboleta enfim achou no mundo o jardim para todas as suas esperanças, sonhos e desejos, a borboleta aprendeu a aceitar seu coração.

Para ler ouvindo : No Surprises - RadioHead

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Âncora de tentativas

Tivemos duas crises no nosso relacionamento ( olho para essa palavra : relacionamento e vejo que a uso pela primeira vez sem aspas, na tentativa de acreditar que de fato temos um.) e na noite anterior a estas duas crises escrevi um texto pra ti, e por causa desta infeliz coincidência normalmente eu ficaria com medo de pegar papel e caneta para falar mais de você, porque talvez no dia seguinte você poderia ir embora de novo, só que dessa vez, não senti nada, afinal o gosto do fim ainda não sumiu e a saudade mesmo com você por perto, ainda não passou. Como posso ter medo de perder algo que nem voltou para as minhas mãos ?
Tudo bem, você deve estar pensando que eu mesma aceitei que fosse assim, só corpo, sem sentimentos e mesmo sabendo que iria continuar gostando de você, te quis assim. As alternativas na minha frente eram só prazer ou te ver longe e minha escolha não teve nada de falta de amor-próprio, só que pra não te perder como sempre, engoli o romantismo e tentei aceitar na nossa volta, qualquer tipo de condição para estar do teu lado e cansada de ficar longe, prometi que minha parte mulherzinha ficaria em segundo plano e eu ia ser mais do que só uma menininha sentimental, pra você.
Acho que temos um problema : penso que você, assim como eu, tem tendência a se apaixonar por quem liga a mínima para você e ai está : eu ligo o máximo. E ligando muito, me preocupando e querendo você, sinto que só te afasto, e assim, sem entender os porques (ou entendendo demais) comecei a pensar se era válido tentar por nós. Com esses pensamentos despertei meu orgulho batendo na mesma tecla de que se você quiser realmente, demonstrar não é tão complicado. Pensei demais e começou a acontecer o que eu temia, eu comecei a desistir.
O problema, que você me conheceu tua demais e não sabe que quando eu desisto de algo, me refaço, e não queria isso, não queria esquecer tudo.
Se por um momento, eu visse nos teus olhos uma chama de esperança em me querer também, como eu via antes daquele tempo de falta, eu juro que lutaria. Bastava você querer um pouco.
Já parou para pensar que sou menina e sinto falta de carinho de homem ? Do homem que busquei e encontrei em você.
Não coloque culpa na essência, pois nem cogito a possibilidade de querer te mudar, pois foi o teu olhar que me encantou, lembra ?
Te aceitei e te quis com todos os teus pronomes, sujeitos, artigos e substantivos. E pra mim, só quis um verbo : QUERER.
Bom, se você chegou até aqui e não teve vontade de me abraçar para mostrar que também me quer, eu entendo, só não me peça para transformar meu sentimento em um amor de amigo, para ficar por perto, não por enquanto. Se o teu humor não muda ao me imaginar nos braços de outro, se a vontade de me beijar não te faz me querer as vezes do teu lado e se principalmente você não se importa em abrir mão de mim, acho que chegou a hora do tal de meu conformismo chegar.
Ainda acredito (ou quero acreditar) que dentro de você, assim como de mim, alguma parte lembra das horas que a gente se contava no telefone, do ciúme disfarçado em piada e dos sábados de saudade misturada com desejo e carinho. Não me deixa desistir, intercepte minha fuga e mostre que me quer também, que vale a pena lutar. Não quero ir, mas remar sozinha cansa.
Não consigo simplesmente me sentar no barco de nós dois, esperando a maré do destino levar a gente para algum lugar, quando a única paisagem que importa é o teu rosto olhando para mim e na realidade o que eu vejo é você tentando sair do barco, preso por algo que mesmo agradecendo, não sei o que é, queria tanto descobrir que esse algo é o fundinho do teu coração dizendo que eu mexo com ele.
Espero realmente que essa tentativa de salvamento não chegue até você como uma corrente de pressão e sim como uma ponta de esperança que insiste em não apagar e que você perceba que mesmo com intensidades tão opostas, existe um meio do nosso desejo se completar e nos satisfazer. Não desista, não desisto.

Para ler ouvindo : Tolêrancia da Ana Carolina.

" Pra falar de tolerância e acabar com essa distância entre nós dois..."