sexta-feira, 22 de junho de 2012

Eu, uma doença chata e os melhores amigos do mundo.

Entre medos, angústias, remédios e loucuras, a única coisa que me fazia encolher os ombros e chorar, nesses 6 anos achando que tinha uma doença horrível, era achar que estava perdendo minha vida pra ela. Perdendo a graça, a juventude, o tempo. Hoje, por mil e uma pessoas incríveis que meu destino ganhou de presente, eu sei que não.
Pois bem, eu morei a vida inteira com minha mãe e boa parte da minha família materna, numa casa só, e talvez por isso, ser filha única não me fez ser mala, chata e egocêntrica (só as vezes, vai...)
Mas aos 11 anos, por voltas e revoltas da vida, vim morar com meu pai, uma pré-adolescente morando com dois idosos de 80 anos e um cara descolado-engraçado-desligado e pai. A mudança não demorou a fazer efeito em mim, virei mocinha (detesto essa metáfora) e comecei a dar defeito pra sair de casa. Minha mãe veio morar com a gente e pronto, a coisa saiu do controle, não queria ir pra aula, ia e voltava, chorava, um circo. Mil médicos visitados, ''essa menina é preguiçosa, não gosta de estudar'', mas essa frase não condizia com a mesma menina que ganhava bilhetinhos do colégio parabenizando por ser a melhor aluna da classe, antes dessa fase ruim. Nenhum médico descobriu o que eu tinha e fui indicada a procurar um psiquiatra.
Psiquiatra tem o lema de não te deixar sair do consultório sem tomar pelo menos um antidepressivo. No meu caso, ganhei também um ansiolítico de brinde. Tomando o remédio direitinho e visitando minha psicóloga, fui levando a vida...umas crises aqui, outras ali, mas a coisa fluía bem.
Até ano passado, que num misto de virose, gastro enterite e crise de pânico, fiquei mal, muito mal. Já pensava que hora aquilo ia acabar e eu ia poder descansar em paz, pra sempre, mesmo não acreditando que a morte não é o fim, só que a coisa tava tão ruim, que morrer era melhor.
A coisa melhorou um pouco, com o passar dos dias e marcamos uma consulta com um médico daqueles que da até gosto pagar, um alemão com sotaque forte e apaixonante. Love you, dr Schwambach. 
Um milhão de exames pedidos e no retorno, ele me explica : '' Olha, menina, tenho duas notícias pra você, a primeira é que eu posso te ajudar e você nunca teve síndrome do pânico. A segunda é que o remédio que você tomou esse tempo todo não ajudou em nada e você vai ter que sofrer o desmame.''
A doença em questão se chama Hipoglicemia Reativa, que é meu pâncreas produzindo insulina demais, o que provoca desanimo, suor frio, tremedeira, vazio na cabeça, coração palpitando e medo. Os principais sintomas de uma síndrome do pânico. O tratamento ? evitar doces e carboidratos e fazer atividade física. Simples !
Citei meus amigos no título, porque todo dia alguém querido vem me dar forças para fazer o desmame do remédio que tomei esse tempo todo e sei que quando chegar ao fim, vai ser dificil, pois é uma abstinencia de droga. Mas são tantos recados lindos, tanto carinho, tanta gente me puxando pra cima, lembrando minhas qualidades e momentos bons, que quase não há medo nenhum. Muita gente aqui do blog também, me procurando pra desejar força e dizer que reza por mim. Obrigada, do fundo do meu coração.
A minha dica é : espero que vocês nunca precisem de um psiquiatra, mas caso aconteça, antes dos remédios, façam tudo que for possível para não precisar. Yoga, pilates, relaxamento, reza, oração, psicoterapia...e em último caso, se for necessário mesmo, tome sabendo que é só uma ajuda, não uma muleta.

Abaixo segue um link explicando melhor a semelhança da HP com depressão ou sindrome do pânico, para quem se interessar, boa sorte a todos e obrigada sempre.

Depressão Mascarada, Hipoglicemia Reativa.




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Se você tem medo do amor, você tem coragem do quê ?