Continuei com minha tristeza, que não era mais um tipo de tristeza em pé, pois eu já pensava em tombar. Era mais um tipo de tristeza empurrada com a barriga, da qual eu as vezes fugia, inventando as desculpas de sempre, mas com a qual eu sempre me encontrava no fim da noite ou em uma situação que não podia maquiar.
Meu amigo me perguntou se podia fazer algo por mim, respondi que não, ninguém podia, só a única pessoa que talvez não conseguisse fazer nada : eu.
Correr não resolve, tombar me desespera e maquiar já não faz sentido.
Enxergar que a única pessoa capaz de acabar com tudo isso, sou eu mesma me da medo, pois meus pais já não podem fazer nada e meus amigos não podem sofrer por mim.
Tenho andado com nojo de gente que é feliz demais, e não pense você que é inveja não, mas resolvi que gente muito feliz é alienada, me chame de recalcada, se assim se sentir melhor.
Rotina são as 6 letras que me desesperam, trazendo consigo, toda semana a obrigação de ser feliz e descolada e relaxar, quando não dá pra fazer nada disso.
Cansada de ser boazinha, sempre desejar boa viagem e nunca ver a minha vez chegar, só por ser diferente demais, resolvi que no ano novo, não vou pedir nada.
Ainda que meu nada esteja repleto de superexigências.
Não queria que isso soasse como uma carta de depressão, em que conto como sofro e como espero que alguém tire isso de mim. É comigo.
Eu só queria dormir e deixar todos com suas festas, viagens e verões, sem espelhos nenhum pra comparar eles comigo.
Cada alma, carrega sozinha o preço de se sustentar e se fazer feliz, eu busquei alguém pra ser meu tripé instável, nunca encontrei, e quando vi que esse tripé só existia dentro de mim, fiquei assim.
A pior de todas as certezas, é saber que a única pessoa que coloca freio em tudo, é você , pois a felicidade só faz o papel dela, pronta pra ser desfrutada;
Combinei com ela, que no ano novo, não ficasse se esfregando tanto nos meus olhos, mostrando que ela podia ser toda minha e a única coisa que priva de sermos unidas para sempre, é que meu casamento com o medo, ainda não acabou.
Ainda peço a você, não me rotule, eu sou só uma menina boba que não aprendeu a crescer, faço minhas piadas pra que o mundo acredite, e no fundo consigo até suportar, mas por favor, no meu primeiro gesto mais simples de liberdade, acredite em mim também.
Cartola continua me dizendo para disfarçar, eu continuo caminhando.
" Chora, disfarça e chora
Aproveita a voz do lamento
Que já vem a aurora..."
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
De qualquer maneira, é amor.
" Lagarta que aprende e muda, um dia pelos ares voa."
( Camila Paier )
Ouvi uma história sobre borboletas que se encontraram. E pensei em começar contando pra vocês com ''era uma vez...'' mas resolvi que isso era irreal demais para começar uma história que deveria ser o máximo de realidade que a beleza poderia encontrar. Era amor.
Uma borboleta, sozinha , ainda assim, era linda, mas ao encontrar a outra, virava vida e florecia com toda felicidade, como se tivesse acabado de sair do casulo.
A outra borboleta, apesar de linda, ainda não entendia que as diferenças é que faziam das duas, inesquecíveis e saiu voando. Fugiu pro mais longe que poderia chegar.
A outra borboleta, acreditava, era amor, ela sabia. Quanto mais longe uma ia mais amor a outra sentia e assim, a borboleta que acreditava começava a pensar que poderia ter feito algo errado, mas o universo lhe respondia que acreditar não era erro de ninguém, acreditar é só começar a acertar.
Ela não teria medo de sofrer, se jogar e fazer a outra borboleta feliz, e um dia, ia descobrir que o simples fato de saber que qualquer maneira de amor vale amar, faria dela alguém que estava acima de qualquer julgamento de quem não aceita o amor dos outros por não ter amor e coloca defeitos. A
borboleta enfim achou no mundo o jardim para todas as suas esperanças, sonhos e desejos, a borboleta aprendeu a aceitar seu coração.
Para ler ouvindo : No Surprises - RadioHead
( Camila Paier )
Ouvi uma história sobre borboletas que se encontraram. E pensei em começar contando pra vocês com ''era uma vez...'' mas resolvi que isso era irreal demais para começar uma história que deveria ser o máximo de realidade que a beleza poderia encontrar. Era amor.
Uma borboleta, sozinha , ainda assim, era linda, mas ao encontrar a outra, virava vida e florecia com toda felicidade, como se tivesse acabado de sair do casulo.
A outra borboleta, apesar de linda, ainda não entendia que as diferenças é que faziam das duas, inesquecíveis e saiu voando. Fugiu pro mais longe que poderia chegar.
A outra borboleta, acreditava, era amor, ela sabia. Quanto mais longe uma ia mais amor a outra sentia e assim, a borboleta que acreditava começava a pensar que poderia ter feito algo errado, mas o universo lhe respondia que acreditar não era erro de ninguém, acreditar é só começar a acertar.
Ela não teria medo de sofrer, se jogar e fazer a outra borboleta feliz, e um dia, ia descobrir que o simples fato de saber que qualquer maneira de amor vale amar, faria dela alguém que estava acima de qualquer julgamento de quem não aceita o amor dos outros por não ter amor e coloca defeitos. A
borboleta enfim achou no mundo o jardim para todas as suas esperanças, sonhos e desejos, a borboleta aprendeu a aceitar seu coração.
Para ler ouvindo : No Surprises - RadioHead
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Saudade e Coragem, tão próximas.
Saudade com coragem quer dizer que mesmo sentindo falta de todos os momentos, carinhos e esperanças, você ainda assim é firme e continua na decisão de que dessa vez não.
Já tentaram uma, duas, dez vezes. Os opostos se atraem, mas não duram.
Saudade do carinho, mesmo que ele não tenha existido. Coragem para se lembrar que mesmo demorando saudade também passa. E ritmo de saudade não é junto, pois saudade a dois, não é saudade é distância.
Saudade da esperança em acreditar que daquela vez, oposto ia ser disposto e se fundiriam.
Duas almas opostas, com uma mesma vontade : saciar a saudade que se abranda todos os dias. E desespera. Porque saudade branda não é mais saudade é lembrança.
Saudade do sexo, pois sexo é parte do amor, mesmo que seja só sexo, sem amor nenhum.
Ser firme na coragem de não implorar pois implorar não combina com saudade e sim com falta de amor. E nenhum amor que já acabou merece o carimbo de falta de nada, mesmo que tenha sido amor só pra uma das partes.
Coragem é se ver longe, não lembrada, vazia e mesmo assim, saber que se o amor existisse entre aqueles dois opostos, eles estariam vivendo, não longe, tentando a todo custo provar que não foi nada.
Saudade dói, invade, some, volta. Mas é saudade. E mesmo sem nenhuma tradução em dicionários humanos, quem gosta, ama ou sofre, sabe bem que saudade quer dizer coragem de continuar mesmo sabendo que muitas vezes sentir saudade é só a maneira do coração dizer que não esquece, contrariando a cabeça que pede por isso o tempo todo.
Continue firme, penso eu, pois pior que sentir saudade sozinho de algo que se viveu também só, é continuar a insistir e ver todos os momentos de que se antes tinha saudades, destuidos pouco a pouco por opostos que não deram certo.
E se saudade invade, saudade também faz lembrar que se viveu. E saudade, pode acreditar, mesmo que só e quando se acha que só você se lembra, vale a pena.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Recompensa
Ao ler isso, o mundo vai dizer que é muito cedo pra te dedicar um texto, mas nunca precisei de alguém me dizer ou não se estava na hora de fazer algo. Com mês que me conhecia, você me defendeu e ouviu como se fosse minha amiga a vida toda e correu riscos tentando abrir olhos que nunca seriam abertos.
Era uma vez uma menina-mulher, que impressiona por sua maturidade e beleza e que muito mais importante que riquezas mundanas, carrega com ela, uma vontade de proteger quem ela gosta que só é dedicada aqueles que Deus tem certeza que são fortes e guerreiros o suficientes para suportar as consequências.
Pra mim, ela chegou como presente que não queriam me dar, pulou no meu caminho e tive a sorte de reconhecer nela, alguém que ia entender minhas brincadeiras e medos, sabendo como ninguém dos motivos.
Separamos os motivos da amizade, ela permaneceu, o carinho também.
O poeta fez uma música com teu nome, até ele via a beleza que te banhava, e podem me lembrar a música foi feita bem antes de você chegar ao mundo. Eu insisto, e mesmo assim, pra mim continuo achando que ele a dedicou pra você, afinal, qual homem com sensibilidade não ia morrer de amores ao te ver indo pra longe ?
Cativar pessoas mais velhas e ser de alma no meio da juventude de hoje, não é fácil, e você faz isso bem, nós duas sabemos.
Quando sentamos pra conversar e você com tuas palavras acredita no que digo e me deixa te lembrar como você é importante pra mim e pro mundo, já vale o que passou.
Acontece que de toda história cheia de lacunas e saudades, todo mundo leva experiência e maturidade. E eu, que vivo reclamando da sorte, além disso tudo, coloquei você também na bagagem que fiz pra ir viver outras histórias.
Lembre-se que se por algum momento você pensar que não é tão incrível como já te disse que és, estarei aqui pra te lembrar.
Obrigada pela recompensa de colorir os dias que teimavam em pintar de cinza, com tua amizade.
E não deixe de acreditar, pois eu digo, tu brilha.E brilhe,sempre.
PS : A música que me refiro no texto, é Luiza do Tom Jobim.
" E um raio de sol nos teus cabelos como um brilhante que partindo a luz explode em sete cores revelando então os sete mil amores."
Texto dedicado a minha querida amiga Luiza Messeder.
Era uma vez uma menina-mulher, que impressiona por sua maturidade e beleza e que muito mais importante que riquezas mundanas, carrega com ela, uma vontade de proteger quem ela gosta que só é dedicada aqueles que Deus tem certeza que são fortes e guerreiros o suficientes para suportar as consequências.
Pra mim, ela chegou como presente que não queriam me dar, pulou no meu caminho e tive a sorte de reconhecer nela, alguém que ia entender minhas brincadeiras e medos, sabendo como ninguém dos motivos.
Separamos os motivos da amizade, ela permaneceu, o carinho também.
O poeta fez uma música com teu nome, até ele via a beleza que te banhava, e podem me lembrar a música foi feita bem antes de você chegar ao mundo. Eu insisto, e mesmo assim, pra mim continuo achando que ele a dedicou pra você, afinal, qual homem com sensibilidade não ia morrer de amores ao te ver indo pra longe ?
Cativar pessoas mais velhas e ser de alma no meio da juventude de hoje, não é fácil, e você faz isso bem, nós duas sabemos.
Quando sentamos pra conversar e você com tuas palavras acredita no que digo e me deixa te lembrar como você é importante pra mim e pro mundo, já vale o que passou.
Acontece que de toda história cheia de lacunas e saudades, todo mundo leva experiência e maturidade. E eu, que vivo reclamando da sorte, além disso tudo, coloquei você também na bagagem que fiz pra ir viver outras histórias.
Lembre-se que se por algum momento você pensar que não é tão incrível como já te disse que és, estarei aqui pra te lembrar.
Obrigada pela recompensa de colorir os dias que teimavam em pintar de cinza, com tua amizade.
E não deixe de acreditar, pois eu digo, tu brilha.E brilhe,sempre.
PS : A música que me refiro no texto, é Luiza do Tom Jobim.
" E um raio de sol nos teus cabelos como um brilhante que partindo a luz explode em sete cores revelando então os sete mil amores."
Texto dedicado a minha querida amiga Luiza Messeder.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Mulher acordada.
Acordei. Mas não como se acorda de um sonho incrívelmente bom, aonde tudo que se quer é continuar naquilo. Só acordei, como se acorda todos os dias, mesmo querendo permanecer na cama, mas sem sonhar mais.
Quando aconteceu pela primeira vez, foi horrivel, me vi sozinha na cama, quase sem ar, desesperadamente acreditando naquela velha e falsa história de que quanto mais rápido se volta a dormir, mais chances se tem de voltar pro mesmo sonho. Quase perdi o foco em mim pensando em voltar a sonhar, deitei, rolei por bastante tempo, ouvi gente implorar pra eu ficar acordada e de pé, mas insisti, pois acordar subitamente de sonhos bons é crueldade demais para quem começou a viver agora.
Depois de cochilar várias vezes sem sonhos e acordar com medo de tudo, eu comecei a desistir ao ver os lençois cada dia mais frios e vazios.
Até que por um quase milagre de aniversário, adormeci de novo, e logo depois descobri que aonde havia deixado um sonho cheio de caminhos banhados de esperança, retomei em algo que eu nem o sonho queriamos, por pura rotina.
A partir desta parte, vi a história de longe, como espectadora de um sonho que ninguém queria viver, ou não queriam o suficiente.
Era uma menina, deitada, naquela fase aonde qualquer ruído desperta, enquanto uma parte da mesma menina, se agarrava ao sonho, tentando de todas as formar implorar pra que ele ficasse.
Nesta parte, ela ainda não tinha entendido, ou não queria entender, que sonhos só são bonitos quando querem ser e não quando sentem que são obrigados a isso. Sonho não é presente, sonho é sorte e merecimento, ela se lembrou.
Bem longe dali, ela ouvia um despertador tocar, quase implorando :
- Acorde, menina. O sonho acabou faz tempo.
A menina, teimosa e escorpiana, tampava os ouvidos e fingia ser só aquela parte dos sonhos bons que você sabe que é um sonho e morre de medo de acordar.
Era aquela menina e ninguém podia cobrar que ela não sonhasse, pois a vida toda foi só o que ela soube fazer.
O destino, o sonho e a vida, perceberam que sem interferir ela não ia acordar sozinha. O sonho cansou e vazio, foi embora.
O sonho que acabou na segunda vez, sem nenhuma palavra de amor, desde o começo. Mas havia um porém : O prazer do sonho, entendia o prazer da menina.
Acordar da segunda vez, pareceu menos difícil, ainda que doa se lembrar que sempre ia dormir com a certeza que o sonho ia continuar, mesmo sabendo ser uma grande mentira daquelas que a gente inventa pra colorir a vida, afinal o sonho mudava todos os dias e ela continuava achando tudo lindo.
Agora, acordar é só acordar, processo natural, e acontece.
A menina, que o sonho transformou em mulher, não se arrependerá de ter deixado o sonho acontecer de um jeito que a marcou pelo resto da vida, mesmo que já tenha ouvido de gente que não conhece o sonho, que era só isso que ele queria. Mesmo menina, ela acreditava que não poderia haver mediocridade maior em difamar os fatos, quando tudo que se quis no momento que eles aconteceram se resumia em petrificar o tempo.
Muito mais que o que todo mundo se preocupa que ela tenha entregado ao sonho, ela entregou algo muito mais valioso : o coração.
E por isso, ela estava disposta a conservar a imagem do sonho pura e intacta, mesmo que não queira mais sonhar.E conservará.
A lição que o sonho deixa, é que se você não se acostuma a viver fora dele, vai tudo ficando pequeno e um sonho lindo se transforma em tentativas que dão pena e pena é tão triste que não pode mesmo combinar com brilho.
Quando questionada se gostaria de sonhar de novo, ela só se lembra de dizer que sonhos vivídos mais de uma vez, não tem o mesmo gosto, não sem a intensidade que este tipo de sonho mereceria. Ainda assim, há quem diga que ela reza baixinho todos os dias para acontecer mais uma vez, mas eu, outro dia mesmo, vi nossa menina com um sorriso de vitrine, cantando por ai aquele verso que diz : " Existe aqui uma mulher, uma bruxa, uma princesa, uma diva ,que beleza, escolha o que quiser, mas ande logo vá depressa, nem se atreva a pensar muito, o meu universo ainda despreza, quem não sabe o que quer."
Eu desejo, que ela e todo mundo, entenda de uma vez por todas, que não é de sonhos que se vive a vida e sim de tempos com os olhos bem abertos, vendo em tudo e principalmente em si mesmo, motivos para acordar todos os dias com a esperança de fazer da vida um grande espetáculo, melhor que qualquer sonho. Pois viver é melhor que sonhar.
Para pessoas que não precisam de sonhos pra acordar e nem vivem por ninguém.
PS: a música a qual me refiro no texto é Devolve,Moço da Ana Cañas, muito linda, vale a pena ouvir =)
PS²: Leia também a resposta para esse post, do meu querido amigo Raí Amorim : Ela lavou a alma.
Quando aconteceu pela primeira vez, foi horrivel, me vi sozinha na cama, quase sem ar, desesperadamente acreditando naquela velha e falsa história de que quanto mais rápido se volta a dormir, mais chances se tem de voltar pro mesmo sonho. Quase perdi o foco em mim pensando em voltar a sonhar, deitei, rolei por bastante tempo, ouvi gente implorar pra eu ficar acordada e de pé, mas insisti, pois acordar subitamente de sonhos bons é crueldade demais para quem começou a viver agora.
Depois de cochilar várias vezes sem sonhos e acordar com medo de tudo, eu comecei a desistir ao ver os lençois cada dia mais frios e vazios.
Até que por um quase milagre de aniversário, adormeci de novo, e logo depois descobri que aonde havia deixado um sonho cheio de caminhos banhados de esperança, retomei em algo que eu nem o sonho queriamos, por pura rotina.
A partir desta parte, vi a história de longe, como espectadora de um sonho que ninguém queria viver, ou não queriam o suficiente.
Era uma menina, deitada, naquela fase aonde qualquer ruído desperta, enquanto uma parte da mesma menina, se agarrava ao sonho, tentando de todas as formar implorar pra que ele ficasse.
Nesta parte, ela ainda não tinha entendido, ou não queria entender, que sonhos só são bonitos quando querem ser e não quando sentem que são obrigados a isso. Sonho não é presente, sonho é sorte e merecimento, ela se lembrou.
Bem longe dali, ela ouvia um despertador tocar, quase implorando :
- Acorde, menina. O sonho acabou faz tempo.
A menina, teimosa e escorpiana, tampava os ouvidos e fingia ser só aquela parte dos sonhos bons que você sabe que é um sonho e morre de medo de acordar.
Era aquela menina e ninguém podia cobrar que ela não sonhasse, pois a vida toda foi só o que ela soube fazer.
O destino, o sonho e a vida, perceberam que sem interferir ela não ia acordar sozinha. O sonho cansou e vazio, foi embora.
O sonho que acabou na segunda vez, sem nenhuma palavra de amor, desde o começo. Mas havia um porém : O prazer do sonho, entendia o prazer da menina.
Acordar da segunda vez, pareceu menos difícil, ainda que doa se lembrar que sempre ia dormir com a certeza que o sonho ia continuar, mesmo sabendo ser uma grande mentira daquelas que a gente inventa pra colorir a vida, afinal o sonho mudava todos os dias e ela continuava achando tudo lindo.
Agora, acordar é só acordar, processo natural, e acontece.
A menina, que o sonho transformou em mulher, não se arrependerá de ter deixado o sonho acontecer de um jeito que a marcou pelo resto da vida, mesmo que já tenha ouvido de gente que não conhece o sonho, que era só isso que ele queria. Mesmo menina, ela acreditava que não poderia haver mediocridade maior em difamar os fatos, quando tudo que se quis no momento que eles aconteceram se resumia em petrificar o tempo.
Muito mais que o que todo mundo se preocupa que ela tenha entregado ao sonho, ela entregou algo muito mais valioso : o coração.
E por isso, ela estava disposta a conservar a imagem do sonho pura e intacta, mesmo que não queira mais sonhar.E conservará.
A lição que o sonho deixa, é que se você não se acostuma a viver fora dele, vai tudo ficando pequeno e um sonho lindo se transforma em tentativas que dão pena e pena é tão triste que não pode mesmo combinar com brilho.
Quando questionada se gostaria de sonhar de novo, ela só se lembra de dizer que sonhos vivídos mais de uma vez, não tem o mesmo gosto, não sem a intensidade que este tipo de sonho mereceria. Ainda assim, há quem diga que ela reza baixinho todos os dias para acontecer mais uma vez, mas eu, outro dia mesmo, vi nossa menina com um sorriso de vitrine, cantando por ai aquele verso que diz : " Existe aqui uma mulher, uma bruxa, uma princesa, uma diva ,que beleza, escolha o que quiser, mas ande logo vá depressa, nem se atreva a pensar muito, o meu universo ainda despreza, quem não sabe o que quer."
Eu desejo, que ela e todo mundo, entenda de uma vez por todas, que não é de sonhos que se vive a vida e sim de tempos com os olhos bem abertos, vendo em tudo e principalmente em si mesmo, motivos para acordar todos os dias com a esperança de fazer da vida um grande espetáculo, melhor que qualquer sonho. Pois viver é melhor que sonhar.
Para pessoas que não precisam de sonhos pra acordar e nem vivem por ninguém.
PS: a música a qual me refiro no texto é Devolve,Moço da Ana Cañas, muito linda, vale a pena ouvir =)
PS²: Leia também a resposta para esse post, do meu querido amigo Raí Amorim : Ela lavou a alma.
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